Centro Educacional Reeducar

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sábado, 3 de setembro de 2011

RELAÇÃO FAMILIAR NO CONTEXTO DA SUPERDOTAÇÃO

Michele do Amarante Borges[1]

Ibrahim Georges Cecyn Moussa [2]

RESUMO

Este artigo visa possibilitar a análise das vivências das pessoas que apresentam superdotação ou altas habilidades e como lidam com essas características no seu meio familiar. Por meio de uma pesquisa bibliográfica, analisando autores como Alencar e Fleith (2001), Guenther e Freeman (2000), Mettrau (2000), Winner (1998), Brasil, (1999), estudaram a superdotação observando seus vários ângulos e características. Trabalhos realizados por pesquisadores como Silva (2008) e Alencar (2007) buscaram relações entre a família e o superdotado e a influência que ambos desempenham um sobre o outro. Neste texto é abordada a maneira pela qual este indivíduo se relaciona com sua família, identificando os sentimentos vivenciados por eles ao apresentarem tais características, como é sua convivência familiar e como esta vem a influenciar em suas decisões e escolhas, bem como verifica os sentimentos vividos em decorrência das expectativas colocadas sobre a pessoa com superdotação.Depois desta análise frente a temática, conclui-se que há necessidade de criar projetos de pesquisa que focalizem a dinâmica e o funcionamento familiar, adotando conceitos apropriados de superdotação e de família. Além disso, esse estudo poderá servir de base para pesquisas futuras, voltadas, mais especificamente para a convivência entre pessoas com quaisquer deficiências, altas habilidades ou transtornos psicológicos e a família.

Palavras-chave: Superdotação; família; relação familiar/superdotado.

INTRODUÇÃO

Conviver com indivíduos superdotados muitas vezes pode ser considerado algo diferente, mas visto como um privilégio de poucos, principalmente no que se refere ao papel do educador ou de prestador de serviços na área da saúde, pois muitas vezes observam essas pessoas em suas competências.Pessoas com superdotação são instigantes e apresentam situações que exigem muito das relações que estabelece. Nas relações com educadores ou profissionais da saúde, essas pessoas requerem mais que conhecimento, requer também boa vontade e interesse em estar em constante aperfeiçoamento, buscando novas informações para que se possa contribuir para troca de experiências e realização de um trabalho desafiador para ambos.

Na escola, na maioria das vezes, o educador está despreparado para encontrar tais alunos, já que há uma grande dificuldade de lançar mão de conceitos dos quais está acostumado a utilizar em sua prática pedagógica. Muitas vezes um único planejamento, ou um planejamento inflexível não dá conta da aprendizagem de todas as crianças. Além do que, o professor, inúmeras vezes, não está preparado para identificar as características do superdotado em sala de aula, visto que elas se apresentam das mais diversas formas, como trabalharemos mais adiante. Hoje priorizar o diferente e entender que o cérebro individual aprende de forma e ritmos diferentes ainda é quase um hieróglifo não decifrado. No caso do superdotado, devido a falta de conhecimento, o mesmo é excluído do restante da turma pelo fato de não necessitar do auxilio docente, o que provavelmente mexa com a autoestima de muitos profissionais que se consideram senhores e detentores de todo saber. Percebendo-se como intrusos dentro deste sistema acabam desmotivados e evadem vivendo muitas vezes na marginalidade.

Landau(2002, p.162) afirma que:

A superdotação é um sistema de influências entre o mundo interno da criança e seu ambiente. O fato de se ter talento não é suficiente para que estes se desenvolvam. O indivíduo necessita de uma promoção constante do meio para a realização de suas potencialidades.

Ou seja, o autor reforça que o superdotado possui sim uma característica marcante de facilidade em conteúdos acadêmicos ou em algo que lhe é de interesse que é nata, porém esta característica apenas irá se sobressair se o ambiente lhe proporcionar estímulos suficientes para tal. Entretanto além de lhe proporcionar meios desafiadores para a construção de uma maior aprendizagem ou satisfação da necessidade atual, é necessário que este meio possibilite tambémafetividade centrada na sua pessoa e não nas características da sua superdotação.

No que se refere em família, por outro lado têm-se inúmeros conceitos, justamente pelo fato desta ter evoluído no decorrer do tempo juntamente com a humanidade. Formar um conceito fechado do que é a família, por si só é muito complexo e muitas vezes este se confunde com suas funções. Segundo Ariès, (1978) a família seria um conjunto de “membros que se unem pelo sentimento, o costume e o gênero da vida”. Membros estes que mesmo sendo opostos em pensamentos viriam a se complementar e sendo a família universal e, portanto, também eterna, pode-se dizer que é uma instituição de grande influência e que fará sempre parte da realidade, seja qual for ela.

Todas as pessoas possuem uma família, sendo que a família constitui a esfera de convivência entre esses indivíduos que costumam compartilhar suas vivências, afazeres do dia-a-dia e sentimentos. As famílias são consideradas o núcleo natural e fundamental da sociedade. Farias (2004, p.01) comenta que “não existe dúvida de que a família, na história dos agrupamentos humanos, é o que precede a todos os demais, como fenômeno biológico e social”. E é no contexto da família, que o ser humano começa a identificar-se e inicia a organização de suas potencialidades, com a finalidade de convivência social.

A relação entre a família e o superdotado não acontece de forma diferente das outras crianças, pois elas possuem as mesmas necessidades de afetos, limites, acompanhamentos e tantas outras fantasias e reforços que todo ser humano necessita. Com base em relatos bibliográficos de pessoas superdotadas ou com grandes talentos, percebe-se que as dificuldades no convívio social, familiar, escolar, falta de tempo para estudos entre outras barreiras são causa de muito sofrimento, além de diminuição da expressão da criatividade (ALENCAR: 2001).

Desse modo, produzir conhecimento sobre esta convivência e os sentimentos vivenciados dentro do lar, verificando de que maneira a pessoa com superdotação se percebe e como a sua família apresenta necessidades frente a superdotação, pode contribuir para o desenvolvimento de novas formas de intervenção e de interação paciente/família, bem como, pode esclarecer aos interessados nessa questão, que pessoas com superdotação apresentam competências e dificuldades,necessitando de um ambiente acolhedor a suas necessidades. Para isso será feito um estudo bibliográfico que poderá nos auxiliar na resposta a nossas demandas.

Superdotação

Segundo Getzels&Csikszentmihalyi, 1975, citado por Zanella (2004), na primeira metade do último século predominava a ideia de que o ser humano era um organismo cognitivamente vazio, conduzido pelos impulsos primários, que se reduziam a motivações biológicas como fome, sede e sexo, bem como aqueles que evitavam a dor. Outra concepção afirmava que nossos comportamentos eram regidos conforme nossas necessidades, valores e estímulos cognitivos. Em ambos o ser humano era passivo e seu comportamento voltado para obter o estado original de equilíbrio.

Para White (1959), citado por Zanella (2004), em seguida surgiu uma nova visão que chamava a atenção para o fato do ser humano não só buscar a eliminação da tensão, mas sim aumenta-la. Com o comportamento exploratório, criatividade e busca de estimulação, agindo sobre o ambiente, buscando situações novas e colocando em prática sua iniciativa, imaginação e curiosidade.

Zanella (2004), diz que a busca constante é característica não somente do ser humano, mas do meio onde ele vive. A demanda da sociedade capitalista, no que se refere ao mercado de trabalho, incide sobre sujeitos criativos, polivalentes e com iniciativa. O que, muitas vezes, não é levado em conta é que quando se fala em características individuais ou habilidades não se fala em um sentido singular e sim plural.

Facilidade em receber novas informações e se aperfeiçoar muito nas áreas já conhecidas, criatividade para desenvolver novas técnicas e utilizar as antigas de maneira diferente que facilitem a vida diária, se comprometem mais com a tarefa a ser realizada do que os demais e suas habilidades são de forma geral ou específica maiores do que a média. Essas são características da superdotação que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) atinge cerca de 3% a 5% da população brasileira, ainda que muitos casos não sejam diagnosticados ou confundidos com transtornos que se assemelham em algumas características como, por exemplo, o TDA/H.

CARACTERÍSTICAS DA SUPERDOTAÇÃO

Em 1905, os franceses Alfred Binet, Victor Henri e Theodore Simon percebiam a inteligência como um conjunto de faculdades, sendo elas o julgamento, senso prático, iniciativa, habilidade de se adaptar as circunstâncias. Em 1921, Termandefinia inteligência como a capacidade de pensar em nível abstrato. Wechsler, em 1936, defendia a inteligência como a capacidade global ou agregada de o individuo agir com propósito, pensar racionalmente e lidar efetivamente com o meio no qual está inserido (ANDRADE:2004).

Segundo Gardner, (2000, p. 47) a inteligência é um “Potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura.” Neste sentido, a inteligência pode ser considerada pela facilidade com que indivíduo tende a tomar as decisões mais certas para cada situação. Quando se fala em superdotação este conceito não se altera, apenas se modifica em seu grau e intensidade.

Para Renzulli e Reis, 1986, p. 11/12, por exemplo:

“(...) o comportamento de superdotação reflete uma interação entre três grupamentos básicos dos traços humanos – sendo esses grupamentos habilidades gerais e/ou específicas acima da média, elevados níveis de comprometimento com a tarefa e elevados níveis de criatividade. As crianças superdotadas e talentosas são aquelas que possuem ou são capazes de desenvolver este conjunto de traços e que os aplicam a qualquer área potencialmente valiosa do desempenho humano.” (RENZULLI;REIS,1986, p.11-12)

A primeira característica se dá na maneira como o individuo produz seu pensamento abstrato, integrar experiências e fazer pontes entre os diferentes conhecimentos e a rapidez ou forma diferenciada de processar as informações. A segunda é o componente motivacional a mais que o individuo com superdotação possui para realizar uma tarefa que lhe seja de interesse, canalizando toda ou boa parte da sua energia para resolver um determinado problema. Isso inclui características como perseverança, dedicação, esforço e credibilidade à própria habilidade de conseguir completar a tarefa. E a última dependeria da maneira como o individuo se relaciona com o meio ou com pessoas importantes para ele como professores, pais e colegas, pessoas essas que instigariam em maior ou menor grau esta característica (ALENCAR:2001).

Isso significa que o aluno com superdotação possui três características principais que são imprescindíveis para seu diagnóstico, mas não necessariamente precisam ocorrer com a mesma intensidade. Ou seja, uma delas pode estar em maior destaque, como, por exemplo, um aluno bastante criativo ao resolver determinadas situações, normalmente encontrando caminhos diversos para a resolução do problema, mas que não se comprometem facilmente com as tarefas.

Além destas características que formam, a priori, o conceito de superdotação, existe outras que se apresentamna superdotação, mas dependem preferencialmente do ambiente que ele está envolto. Quanto às características de aprendizagem, pode-se dizer que os superdotados possuem, segundo Novaes (1992) rapidez e facilidade para aprender, pensamento divergente e independente, facilidade para abstração, flexibilidade de pensamento, produção criativa, capacidade de julgamento, habilidade na resolução de problemas, memória e compreensão incomuns, descuido com a escrita, talentos específicos.

Isso mostra o quanto estes alunos vêm a instigar seus professores na maneira de dirigir uma aula e de abordar um conteúdo, pois são críticos frente a conceitos prontos. Da mesma forma, muitas de suas características podem ser confundidas com outros transtornos de sintomas semelhantes, que, em um diagnóstico errado pode ter como resultados tratamentos que vem a anular sua característica superdotada.

Quanto às características comportamentais e sociais do individuo superdotado podemos citar com mais destaque: muita curiosidade, senso crítico exacerbado, senso de humor, sensibilidade, investimento nas áreas de interesse, convívio com pessoas mais velhas, liderança, aborrecimento com rotina, conduta irrequieta (NOVAES: 1992).

Essas características podem fazer com que as pessoas acabem por se afastar do superdotado, na maioria das vezes se sentindo ameaçadas por sua inteligência ou senso crítico. Frente a essas situações, isso pode resultar na dificuldade de relacionamento do superdotado, que muitas vezes cria uma armadura a sua volta. Pode-se citar como exemplo, o caso do protagonista do filme “Gênio Indomável”, que preferia não manter qualquer tipo de relacionamento a ter de enfrentar seus próprios medos, fazendo da sua autoestima pelo bom desempenho, apenas uma camuflagem para seu real medo e dificuldade de relacionar-se com o diferente.

Segundo Alencar e Virgolim, 2001, um dos mitos difundidos na prática da superdotação é que este aluno, justamente por ter uma maior habilidade para adquirir conhecimentos e fazer isso de forma autônoma em alguns momentos, não necessita de apoio por parte da família, da escola e até mesmo de um meio social que lhe seja de interesse como um clube ou um grupo de amigos. Pensando que esta característica emergirá por si própria e que a criança sempre terá um alto desempenho não sendo influenciada pelo meio. Porém, as necessidades da criança com superdotação são as mesmas de qualquer outra criança, inclusive na escola, da mesma maneira que outras crianças necessitam de um método diferenciado para obterem insights, o superdotado deve ter uma observação mais detalhada de suas inúmeras inteligências para que assim se possam aplicar métodos que condizem mais com seu ritmo e suas características particulares. Se isso for desconsiderado pode-se obter como resultado crianças superdotadas com rendimento medíocre e muitas vezes até abaixo da média geral.

Além do que, ele deve ser valorizado em suas potencialidades criando um ambiente onde ele possa interagir com iguais. Da mesma forma que um pianista que fosse colocado em um ambiente onde a música é desvalorizada, possuísse poucos instrumentos musicais ou não houvesse quem lhe ensinasse novas técnicas perderia aos poucos essa habilidade, o superdotado exposto a um ambiente onde a criatividade fosse recriminada, maneiras diferentes de pensar fossemtidas como esnobes, também estaria sujeito a ter suas habilidades reduzidas (ALENCAR:2001)

Outro mito difundido no conceito da superdotação é a expectativa que este aluno seja sempre nota dez, ou seja, espera-se sempre dele um rendimento maior do que toda a média e em todas as áreas. Isso provavelmente acarretará uma exigência maior por parte de todos os grupos que contemplam este aluno, o que lhe trará fadiga, desinteresse e desmotivação para aperfeiçoar-se naquilo que possui maiores habilidades ou maior interesse. Além de trazer uma grande frustração quando não atinge os objetivos propostos pelo outro. Fazendo com que o paciente assuma uma baixa autoestima e desacredite da maioria de suas capacidades (ALENCAR: 2001)

Por isso mesmo tem se estudado o prefixo “super” na nomenclatura atual, pois isso poderia exacerbar a real característica do aluno com superdotação, trazendo a ideia de que o fato de ser super já está no genótipo do indivíduo, ou seja, é inato. Além disso, a função desta palavra, em sua interpretação literal gera uma expectativa de desempenho ou produção muito alta. Entretanto os superdotados não são um grupo homogêneo, variando em suas habilidades cognitivas, como também em personalidade e nível de desempenho (ALENCAR:2001).

A partir destes mitos podem-se elucidar muitos outros. Todos tidos como verdades e que apenas vem a dificultar ainda mais as relações que se tem com a pessoa com superdotação, além de, provavelmente, diminuir sua carga de desenvolvimento ou o potencial integral do indivíduo superdotado.

Quando se fala em desenvolvimento integral do indivíduo, fala-se em um desenvolvimento que englobe todas as áreas do sujeito, sendo que estas envolvem o desempenho cognitivo, suas habilidades, as relações intra e interpessoais, nesta última, o relacionamento com seus pares, com a escola e principalmente com a família.

Familia

O conceito de família se modifica ao longo do tempo, pois as noções de família se estruturamde acordo com a maneira com que a sociedade se estrutura. Antigamente a família se estruturava de uma forma diferente da qual se observa atualmente. Conceitos que antes eram tidos como fora do padrão e personagens que o realizavam eram doentes, hoje se tornam conceitos naturais e normais inclusive na constituição familiar. A família se modifica tanto em seus objetivos e funções quanto em constituição (AMAZONAS: 2006).

Hoje temos famílias constituídas de forma tradicional, com o fator paterno, materno e filhos. Temos também as famílias divorciadas, as famílias reconstituídas, ou seja, quando entra um terceiro na família, podendo ser o padrasto ou madrasta e há também as famílias monoparentais e as famílias homossexuais, que é a mais nova instituição familiar, que traz muitas controvérsias tanto legais quanto sociais, mas pode trazer consigo um indivíduo superdotado.

Ela é, acima de tudo, um sistema sociocultural aberto sendo um processo em constante transformação. Como a família requer urgentemente uma nova proposta de paradigma pode-se estar pensando em como a família do futuro estará se estruturando, provavelmente a partir de sentimentos recíprocos e ausência total de dominação de qualquer das partes. Segundo Osório e Valle (2002, p. 16), serão os futuros sinejuges, que significa sem jugo, ou seja, pessoas que priorizam a suplementaridade e não a complementariedade dos cônjuges.

Pensando pelo ponto de vista de que a família que, como vocábulo latino, possui como significado “servo” ou “escravo”, hoje já se tem uma grande mudança, pelo menos quanto a conceito. Segundo Osorio e Valle:

“Entre as circunstâncias das mudanças que vêm ocorrendo no contexto familiar de nossos dias estão: a mudança de paradigma na sexualidade humana pela desvinculação entre o ato sexual e a função de procriar, o movimento feminista, o reconhecimento dos direitos da criança e do adolescente, a aceitação do homossexualismo como uma variante do comportamento sexual humano, a insatisfação nas relações matrimoniais, o aumento de expectativa de vida, a mudança nos valores éticos da sociedade, a cultura consumista, os avanços tecnológicos e o progresso dos meios de comunicação” (2002,p.234).

Ainda pode-se considerar a família como um sistema de interações complexas, formada a partir da interação de seus membros. Ou seja, pessoas totalmente diferentes interagem de forma a garantir a institucionalização de regras e limites dentro de certo espaço físico. Na família há trocas de experiência, ou seja, pode-se dizer que a família é a maior matriz do desenvolvimento humano. Ela é o primeiro grupo social do qual a criança parte e consequentemente é o mais significativo, no qual se passa a maior parte do tempo e dos anos, pois a partir do momento que se saí de uma família, na maioria das vezes, entra-se em outra. Segundo Silva (2001):

“A família constitui o primeiro universo de relações sociais da criança, podendo proporcionar-lhe um ambiente de crescimento e desenvolvimento, especialmente em se tratando das crianças com deficiência mental, as quais requerem atenção e cuidados específicos. A influência da família no desenvolvimento de suas crianças se dá, primordialmente, através das relações estabelecidas por meio de uma via fundamental: a comunicação, tanto verbal como não verbal (SILVA, 2001, p.4).”

Segundo Rey e Matines (1989), citado por Silva (2001),a família representa, talvez a forma de relação mais complexa e de ação mais profunda sobre a personalidade humana, dada a enorme carga emocional das relações entre seus membros (p. 143). Pode-se dizer então que somos um reflexo do que nossa família institui como correto e levamos esta carga, demonstrando em nossos atos por todos os lugares que passamos. A família vem a ser uma espécie de laboratório onde são preparados e misturados os ingredientes que constituem a identidade de seus membros, trazendo como premissas as famílias de origem dos pais e tendo como resultado a personalidade dos filhos. Segundo LeVine, (1989), citado por Silva (2001):

“O modo como a criança pensae usa uma habilidade intelectual depende dos modelos culturaisde competência, enquanto o que ela sente e como atuaem direção às pessoas com as quais possui vínculo dependedos modelos culturais de relações interpessoais (LeVine,1989, p. 57).”

No mesmo ritmo em que o individuo vai entrando em sistemas sociais diferentes a família pode emergir com novas regras e novos confortos. Esta tem como uma importante função também a socialização deste sujeito nas interações que vão se estabelecendo.

A família vem a ser um sistema diferente dos demais, sendo considerado um sistema especial, pois possui padrões de relação diferente dos demais, com um contato físico mais prolongado, laços emocionais e uma história compartilhada. O que torna este sistema ainda mais resistente e mais presente na vida dos indivíduos. Da mesma forma que a falta ou presença exacerbada da família pode vir a prejudicar, desde que o nível de equilíbrio na relação caia isso pode atrapalhar o desenvolvimento de seus membros. Segundo Andolfi, (1996, p.16)

“[...] a família é um sistema entre sistemas, e que é essencial à exploração das relações interpessoais e das normas que regulam a vida dos grupos significativos a que o individuo pertence, para uma compreensão do comportamento dos membros e para a formulação de intervenções eficazes (ANDOLFI 1996, p.16).”

No sentido psicossocial é onde entra a importância da família commais ênfase, pois é destes aspectos que irão refletir a maioria das atitudes tomadas pelo individuo no quesito relacionamentos e comportamentos frente, principalmente a frustrações ou poder. A família então seria a responsável, por alimentar o sujeito em afeto e apoio fazendo com que este sobreviva emocionalmente. Da mesma forma a família vem a servir como porto seguro para ansiedades, sejam elas existenciais ou decorrentes do seu desenvolvimento ou não (OSÓRIO: 2002).

A FAMÍLIA NO CONTEXTO DA SUPERDOTAÇÃO

É bastante comum os pais mostrarem-se apreensivos com o fato de seus filhos possuírem algo que as torne diferente das demais crianças, isso é mais complexo do que as pessoas imaginam, pois fere o ego dos genitores, que se acham incapazes de gerar algo que seja bom, nem que seja seu próprio filho. Cabe aos profissionais da área da saúde ou a escola preparada auxiliar estes pais a desmistificarem muitos pré-conceitos e encontrar novas alternativas de lidar com estas questões, possibilitando sempre um meio familiar que não exclua os demais irmãos, fazendo o superdotado sentir-se superior, mas também sendo um meio encorajador, motivador e um porto seguro para onde, como qualquer criança, o superdotado pode refugiar-se, além de dar liberdade para este expressar seus sentimentos e suas vontades de forma natural.

Segundo Winniccott (1975) citado por Alencar (2001), a habilidade de “fazer” é baseada na capacidade de “ser”, ou seja, se o indivíduo possui um espaço onde ele seja valorizado como ser e possa realmente vir a ser o que ele deseja, o desempenho, ou o fazer surgirá com mais naturalidade e talvez com mais intensidade, mas principalmente trará menos sofrimento e frustração ao superdotado. Por isso a necessidade de um acompanhamento familiar, pois, sendo a família um ambiente influenciador pode estar, este superdotado, sofrendo grande pressão para que alcance os níveis desejados.

Além disso, muitas famílias têm dificuldade em lidar com a discrepância que surge quando a criança tem bom desenvolvimento intelectual, mas permanece distante socialmente, encontrando dificuldades em integrar-se nos grupos aos quais faz parte, inclusive a família.

A família como primeira unidade social de aprendizagem da criança, possui um grande poder de reforçar ou anular aquilo que a escola pode estar trabalhando ou influenciar nos progressos que a criança tem dentro da instituição de ensino. A escola pode manter ações conjugadas auxiliando a família a perceber as mudanças e trabalhar como agente paralelo na interação da criança em outros meios. Quando a família consegue perceber que educar uma criança superdotada lhe exigirá tanto quanto, ou mais que qualquer outra criança o trabalho da escola será facilitado, pois a família estará trabalhando com todas as implicações de qualquer pessoa em desenvolvimento: a necessidade de estar sendo observadas suas dúvidas, dificuldades e esforços.

A ansiedade dos pais frente a esses fatores pode levá-los também a terem muitos pensamentos negativos e distorcidos, gerando interpretações errôneas das causas e dos meios de qualquer característica que a criança possa vir a apresentar. Quando os pais perdem a confiança em si mesmos, podem acabar por sentir-se inferiorizados frente a essas crianças, seus próprios filhos e, não se achando superdotados tendem a sentir-se incapazes de encontrar o caminho mais seguro para a educação de seus filhos.

“A família constitui um grupo com dinâmicas de relação muito diversificadas, cujo funcionamento muda em decorrência de qualquer alteração que venha a ocorrer em um de seus membros ou no grupo como um todo (SILVA: 2001).”

Certamente é difícil conseguir esquecer por momentos que se está lidando com uma criança superdotada, mas o ideal é que se oriente aos pais olharem seu filho como uma criança “comum” que necessita de todas as condições educacionais que qualquer outra criança necessita, mantendo um relacionamento o mais autêntico e espontâneo possível. Os filhos necessitam de segurança, de autoexpressão e determinação, de respeito as suas características ou apoio e também precisam de um ambiente onde possam sentir-se amadas o suficiente para expor suas dúvidas, medos e incertezas de forma a não ser criticado e sim entendido.

Segundo Santos (1999), é importante que os pais:

“Se interessem por artigos e publicações sobre superdotação, participassem de reuniões, conferências e congressos, procurassem organizar grupos e participar de debates e trocas de experiências que tratassem de problemáticas, se aproximassem de profissionais da Educação e tentassem, juntos levantar dados, informações e, sobretudo, subsídios mais adequados a cada atuação, se informassem junto ao sistema educacional, municipal, estadual e federal com relação às Leis Orgânicas dos Municípios e dos Estados, ao Conselho Nacional e aos Estaduais de Educação e a profissionais da Educação o amparo legal desses”.

É importante estar se observando a temática a se trabalhar, pois muitas vezes há a necessidade de se observar não só a influência dos pais na criança, mas a influência da criança sobre toda a família, sendo que pode ser a criança que esteja manipulando toda a família em seu favor. Neste caso, a família certamente estará em um ponto de fragilidade tanto quanto o superdotado, possibilitando conflitos em áreas periféricas a superdotação que poderiam ser evitados.

Por outro lado é importante salientar que a família também não deve bombardear esta criança com estímulos e informações ou expô-la de forma exaustiva, esquecendo-se de que independente da fase da vida na qual ela se encontra, possui outras questões pessoais que lhe são importantes e outras prioridades a trabalhar e não apenas aquilo que é acadêmico e que é vontade dos pais ou da escola. Da mesma forma o ideal é fazer com que a criança tenha suas próprias escolhas, incentivando sempre outros tipos de relacionamentos sociais.

Quanto ao desenvolvimento é interessante a família compartilhar vitórias, mas saber posicionar-se de maneira que os fracassos não sejam frustrantes o suficiente para a desistência ou que a pressão pela vitória não ultrapasse o limite pessoal do indivíduo. Landau (2002), diz que a criança superdotada pode ser comparada com uma criança que está, em uma corrida de atletismo, disparada na ponta, no sentido intelectual, entretanto, sente-se solitária emocionalmente. Da mesma forma, a autora traz que a família deve estar preparada para lidar com esta dissincronia, pois evita assim que energia seja desperdiçada ao tentar compensar o desequilíbrio.

É importante, também, que se mantenha a autoestima deste indivíduo, para que ele se considere capaz de utilizar sua criatividade e suas habilidades em qualquer situação da vida que julgar necessário. Por esse mesmo motivo, é também necessário impor regras claras e que estas regras possam ser discutidas, mas ao mesmo tempo coerentes com as ações que os pais realizam, pois o superdotado é bastante crítico e poderá vir a questionar limites impostos pela família.

Os estímulos propostos pela família vêm a auxiliar, entretanto é importante se ter o cuidado para que não haja uma exigência maior do que a resposta que o indivíduo pode dar no momento, prevenindo assim uma grande auto exigência e consequentemente frustrações frente a objetivos não alcançados.

Da mesma forma as comparações entre irmãos vem apenas a causar sentimentos de baixa-estima ou supremacia. Anna Freud (1976) já dizia que o conceito de justiça se dá na infância, quando entre irmãos um tem mais direitos que outro. Quando a criança ingressa na escola traz consigo suas vivências, sua identificação constitucional e, inclusive, sua família. A escola é tão visada pelos pais, justamente porque, sendo a escola o segundo grupo social, que na maioria das vezes, a criança ingressa, ali surgirá os primeiros reflexos do que ele vivenciou em casa.

No caso do atendimento a superdotados é imprescindível a presença constante dos pais, tanto para a desmitificação de conceitos quanto para o acompanhamento do aluno. Fazendo com que este transforme seu medo de ser diferente em segurança para uma maior criatividade, percebendo que seus limites podem ser impostos apenas por si próprios.

Frente ao estudo de inúmeros autores que foram apresentados no texto, chega-se a conclusão de que a inteligência é um constructo, um processo que, ao mesmo tempo em que um indivíduo nasce com ela, como uma característica nata, para que seu desenvolvimento seja pleno e seu potencial explorado é necessário um meio estimulador. Quanto à família, muitas vezes, esta coloca sobre a criança uma expectativa grande, crendo que seu quadro irá lhe proporcionar, por si só a motivação necessária para novas aprendizagens.

As famílias que proporcionam ao superdotadorelações de afeto e desafios são as que mais se enquadram no perfil da superdotação. Por outro lado, pesquisas com pessoas superdotadas na fase adulta são carentes, e da mesma forma esta pessoa, inserida em um grupo familiar, sofre influências e modificações. Certamente um maior esclarecimento a todos os envolvidos nesta questão trará uma melhor maneira de lidar com o desenvolvimento e com a apresentação de um talento superior em alguns dos integrantes familiares.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento humano é um processo muito mais complexo do que podemos imaginar, pois ele consiste na combinação entre aspectos pessoais internos e externos, ou seja, aspectos psicossociais. A família neste sentido, como influenciadora primária do desenvolvimento, vem a servir como mediadora entre estes dois aspectos. Assim sendo, as ações da família influenciam diretamente todas as crianças, inclusive as que possuem superdotação/altas habilidades. Para que as crianças possam alcançar um bom desempenho em diversas áreas é necessário que os pais lhes transmitam valores como disciplina, responsabilidade e valorização do sucesso. Desta forma, a família serve mais uma vez como modelo e transmissora de valores.Certamente não existem fórmulas mágicas para lidar com a criança superdotada, mas criar um vínculo afetivo, centrada na confiança, no diálogo aberto, na aceitação do diferente, além do encorajamento e orientação, facilita o relacionamento e auxilia o superdotado na criação de seu pensamento individual. Como as crianças são facilmente influenciadas pela família, é necessário observar se as cobranças estão funcionando como estímulo ou mais ainda como uma ameaça ao crescimento deles.A cobrança exagerada pode fazer com que o rendimento seja menor ainda, além de ocasionar um desgaste físico e psicológico desnecessário, pois o aluno acabará por realizar atividades que não são de seu interesse e os desafios propostos não são dele próprio, desmotivando-se. Outro possível resultado destas cobranças é que essas cobranças exageradas podem gerar um anseio muito grande na criança que não quer decepcionar as pessoas que investem nele, criando situações de estresse e ansiedade elevadas, que podem culminar em problemas de relacionamento e desinteresse.O peso de responder perfeitamente a todas as vezes que for instigado pode impedir que a criança aceite a si mesmo e compreenda suas próprias limitações e potencialidades, muitas vezes inclusive, confundindo-as. Neste caso o papel da família é congregar esforços para que os problemas existentes sejam resolvidos e não criar outros.

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VIRGOLIM, A. M. R. Altas Habilidades/Superdotação: encorajando potenciais. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, 2007.



[1]Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

[2] Orientador do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O ASPECTO INTELECTUAL E A APRENDIZAGEM NOS PORTADORES DA SINDROME DE DOWN.


O ASPECTO INTELECTUAL E A APRENDIZAGEM NOS PORTADORES DA SINDROME DE DOWN.

Fernanda Renata Silva dos Santos [1]

Ibrahim Georges Cecyn Moussa [2]

RESUMO

O presente artigo aborda a realidade da educação inclusiva e as crianças com síndrome de Down na rede regular de ensino. Mostrando que essa realidade faz parte do nosso cotidiano, e que a escola e alguns professores não estão preparados para receber essas crianças. Essas idéias ou mesmo desculpas não podem ser mais aceitas, porque as crianças estão incluídas e precisamos nos adequar a essa nova realidade. E principalmente saber que é possível o aprendizado dessas crianças, mesmo sabendo de suas limitações. Fazendo com que essa criança se adapte ao ambiente escolar, para que se sinta como as outras. Superar o preconceito existente, começando pelos professores. E principalmente encorajar essa criança a conquistar a sua independência. Espera-se que a escola ofereça tipos de vivências estimulantes e ricas que fazem o mundo parecer um lugar interessante para viver, fazer com que possam se relacionar com outras crianças. Alguns pais pensam que a escola deve ensinar apenas a leitura, escrita e aritmética; embora haja necessidade dos conteúdos acadêmicos, ela deve também prepará-los para todas as áreas da vida.

PALAVRAS – CHAVE: Diferença; Exclusão; Inclusão; Subjetividade.

  1. INTRODUÇÃO

Nos dias de hoje vem se observando a preocupação dos professores com os alunos portadores de deficiências.

E principalmente a dificuldade de aceitação por parte de ambos. Em primeiro lugar o professor precisa aceitar e saber das limitações dessa criança.

Saber que essa criança mesmo dentro de suas limitações será possível o seu aprendizado, preparar o ambiente escolar para receber e acolher essa criança, fornecer estímulos para que esse aprendizado realmente aconteça.

E que essa criança comporta certa lentidão no seu processo de aprendizagem, e que este problema pode estar muitas vezes ligado ao seu lado afetivo, bloqueando-a para o seu maior desenvolvimento.

Portanto essa aprendizagem que envolve esse aluno é influenciada por traços biológicos, psicológicos, pelo modo como essa criança se insere no meio familiar, sócio-cultural e pela maneira como esse ambiente reage em seus confrontos.

Saber se esta criança apresenta preparo emocional para relacionar-se com outras pessoas e o ambiente, a escola está adequada para receber esta criança?

Será preciso que haja uma adaptação no conteúdo para fornecer todos os elementos necessários para atender os desafios de educar uma criança portadora de síndrome de down.

Aprofundar conhecimentos sobre o aspecto intelectual e a aprendizagem nos portadores da síndrome de Down; compreender o que é a deficiência enfatizando a síndrome de down, reconhecendo principalmente seus avanços.

Ajudar essa criança a se adaptar dentro do espaço escolar, encorajar a tentativa da criança para conquistar a sua independência.

Assim ofecerendo uma base fundamental de vida, encorajando o desenvolvimento de vida, encorajando o desenvolvimento de habilidades acadêmicas, físicas e principalmente a independência em sua vida diária e social.

A metodologia utilizada para realizar essa pesquisa será baseada no método dedutivo e fundamentada em pesquisa bibliográfica de obras publicadas de autores que possuem relação com o tema abordado oferecendo meios para esclarecer melhor o assunto.

E através de problematização usar novos conhecimentos que favoreçam o desenvolvimento do aluno, sendo possível comprovar que o desenvolvimento dessas crianças é possível mesmo dentro de suas limitações.

2. O PAPEL DA ESCOLA

A escola tem o papel de estimular o conhecimento, de despertar o interesse e proporcionar um ambiente acolhedor e que transmita confiança a esse aluno.

A escola deve ser vista como um local onde o educando deve aprender a apreender. Ter autoconhecimento ou autoconsciência significa identificar os acertos e insuficiências, as vantagens, potencialidades e as dificuldades que envolvem um processo de reflexão sobre a prática desenvolvida.

Certamente espera-se que a escola ofereça tipos de vivências estimulantes e ricas que fazem parecer um mundo interessante para viver, fazer com que possa se relacionar com outras crianças. Alguns pais pensam que a escola deva ensinar apenas a leitura, escrita e aritmética, embora haja necessidade dos conteúdos acadêmicos, ela deve também prepará-los, para todas as áreas da vida.

  1. O PALPEL DO PROFESSOR

Conhecer as limitações e as capacidades desse aluno, estar preparado para este novo desafio.

Ter a responsabilidade e o dever de ajudar essa criança a se adaptar e acomodar-se no ambiente escolar. É muito importante que essa criança seja colocada em uma situação em que consiga um desempenho escolar, fazendo com que se sinta encorajada, aumentando a sua autoestima e estimulando novas tentativas, que muitas vezes o incentivo e o apoio correto e necessário podem determinar o grau de esforço desprendido para realizar a tarefa.

Muitas vezes o sorriso, um gesto de aprovação por parte do professor, algumas palavras de elogio, são geralmente suficientes para a criança se esforçar um pouco mais. Sempre lembrando que a criança se anima com a aprovação do adulto.

Aproximando-se de inicio de forma positiva e aceitável para a criança, a orientação e a aprendizagem se concretizarão de uma forma satisfatória para ambas as partes.

Sendo que possui certo atraso no desenvolvimento da linguagem um menor reconhecimento das regras gramaticais, bem como dificuldades na produção da fala ,resultam em que apresentam um vocabulário mais reduzido,fazendo com que não consigam se expressar na mesma medida em que compreendem o que é falado,levando-as a serem subestimadas em termos de desenvolvimento cognitivo,essas alterações lingüísticas também poderão afetar outras habilidades cognitivas,pois a uma certa dificuldade ao usar os recursos de linguagem para pensar,raciocinar e relembrar informações.

Nesse mesmo sentido elas apresentam habilidades de processamento e de memória visual mais desenvolvida do que aquelas referentes às capacidades de processamento e memória auditivas, sendo que as mesmas se beneficiarão de recursos de ensino que utilizem suporte visual para trabalhar as informações.

Foreman e Creuws (1998) partem do principio de que as crianças portadoras de síndrome de Down compreendem mais do que conseguem expressar, contestam esses pontos. Sua argumentação é a de que as crianças que foram expostas ao uso de sistemas de comunicação alternativos /aumentativos, concomitantemente ao uso da linguagem oral, mostram-se menos frustradas em suas relações interpessoais e de aprendizagem por conseguirem expressar melhor desejos e pensamentos, além de terem enriquecido sua linguagem básica, com novos conceitos. Embora reconhecendo que o uso de sistemas alternativo-aumentativos, não seja a solução definitiva para os problemas de linguagem do portador da síndrome de down, Foreman e Crews (1998) defende que o uso desses sistemas permite que a criança alcance uma intervenção comunicativa de melhor qualidade junto ao seu meio possibilitando, e encorajando-a,a “firmar-se”nesse meio com maior propriedade.

Buckley e colaboradores (1993) observam que alguns cuidados cotidianos na interação com o portador da síndrome de Down, podem impulsionar em muito o seu processo de aprendizagem. Entre esses cuidados, está em apoiar em sinais e símbolos, a fala e as instruções /informações dadas, falar clara e descritivamente-evitando o excesso de palavras, mas narrando ações/situações e usando adjetivos e advérbios, que ajudem a composição de um todo compreensivo mais amplo, proporcionando adicionalmente “pistas” para facilitar a percepção dos códigos e padrões lingüísticos, cotidianamente usados na linguagem falada-e com a face voltada para a pessoa portadora e, sobretudo para que se de tempo e oportunidades para que essa processe as informações e comunique-se satisfatoriamente.

Buckley e Bird(1994,cap 4),discutem várias formas de impulsionar o aprendizado do portador de síndrome de Down, considerando principalmente relevantes a utilização ensino/interdisciplinar ,(tanto em relação pais ,professores,quanto em relação a terapeutas),uso de suportes para manter presente e recuperar a informação ,tais como ábaco,quadros numerados,números,letras de borracha ,objetos de contagem entre outros.

Conquanto haja muita discussão quanto ao processo de desenvolvimento cognitivo do portador de síndrome de down, havendo argumentações que se dirigem a entender esse desenvolvimento, como apenas mais “lento”. Essa perspectiva leve a que se considere que os portadores dessa síndrome devem se desenvolver da mesma maneira, com limitações de aprendizagem e de desenvolvimento cognitivo,assim como de habilidades sociais,e de peculiaridades comportamentais.

Entretanto vários estudos contrabalançam, apontando que o desenvolvimento do individuo portador da síndrome, é tanto quanto o de qualquer não portador, resulta de influencias genéticas, sociais, culturais. Incluindo expectativas havidas em relação as suas potencialidades e capacidades e os aspectos afetivo-emocionais da aprendizagem. Deve-se observar que os portadores dessa síndrome apresentam características peculiares de desenvolvimento, isso não se constitui numa uniformidade e predizer comportamentos e potencialidades. Mesmo do ponto de vista genético é preciso lembrar que o portador da síndrome de Down, possui 22 outros pares de cromossomos, que lhe conferem um poll de diversidades.

Acredita-se que o desenvolvimento cognitivo do portador de síndrome de Down, será tão mais efetivo quanto menor forem os estereótipos a limitarem as concepções que se tem desse.

E através da problematização usar novos conhecimentos que favoreçam o desenvolvimento do aluno, sendo possível comprovar que o desenvolvimento dessas crianças é possível dentro de suas limitações.

‘’O desenvolvimento de uma criança com Síndrome de Down será afetado pelo seu cromossomo adicional. Sua constituição genética estabelece um plano preliminar para o desenvolvimento, ela não predetermina seu resultado final. Os genes são responsáveis pelas deficiências observadas na síndrome de Down; o crescimento e a aprendizagem, em conjunto, com fatores psicológicos, culturais e ambientais favoráveis, podem ajudar a reduzir o impacto dessas deficiências.”(STRAY-GUNDERSEN-2007,p.135).

  1. DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento cognitivo do portador de síndrome de Down, se mostra usualmente marcado por concepções tradicionalmente estabelecidas e sedimentadas.

Contudo, com o avanço de pesquisas que investigam essa síndrome, mostram que essas concepções são errôneas e estereotipadas, necessitando serem revistas.

A síndrome de Down se caracteriza, em sua etiologia, por ser uma alteração na divisão cromossômica usual, resultando na triplicação ao invés da duplicação do material genético referente ao cromossomo 21.

A causa dessa alteração ainda não é conhecida, mas sabe-se que ela pode ocorrer de três modos diferentes.

Essa síndrome acarreta complicações clínicas que acabam por interferir no desenvolvimento global da criança portadora, sendo que as mais comumente encontradas alterações cardíacas, hipotonia, complicações respiratórias e alterações sensoriais, principalmente relacionadas à visão e audição.

Uma concepção infelizmente ainda muito presente em relação aos portadores dessa síndrome, é a de que esses desenvolvem, todos da mesma forma, ou seja, apresentam as mesmas características, incapacidades e limitações orgânicas, motoras e cognitivas.

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ainda existe muita discussão quanto à natureza do processo de desenvolvimento ao portador de síndrome de Down, havendo argumentações que se dirigem a entender esse desenvolvimento como “apenas” mais lento do que o desenvolvimento neuropsicomotor ou como acompanhando o desenvolvimento neuropsicomotor típico em algumas fases, diferenciando - se em outras. Essa perspectiva leva a que se considere que os portadores dessa síndrome devem se desenvolver da mesma maneira com limitações de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo,assim como de habilidades sociais e de peculiaridades comportamentais ,até agora conhecidos. Entretanto vários estudos contrabalançam essa tendência, apontando que o desenvolvimento do individuo portador é tanto quanto os de qualquer não portador, resultante de influências socioculturais e genéticas; incluindo-se ai as expectativas havidas em relação as suas potencialidades e capacidades e os aspectos afetivo-emocionais da aprendizagem. Deve-se então saber que muito embora os portadores de síndrome de down apresentem características peculiares de desenvolvimento, isso não se constitui uma uniformidade a predizer comportamentos e potencialidades. A ação educacional adotada em relação ao portador de síndrome de Down precisa levar em consideração a concepção de que há necessidades educacionais próprias de aprendizagem relacionadas às especificidades resultantes da síndrome, que devem ser investigadas, reconhecidas e trabalhadas através de técnicas e recursos, de maneira a propiciar que as informações sejam efetivamente compreendidas. Por outro lado as ações educacionais também devem levar em conta o entendimento que cada portador possui um processo de desenvolvimento particular, fruto de condições genéticas, social e familiar. Acredita-se que o desenvolvimento cognitivo dos portadores de síndrome de down será tão mais efetivo quanto menor forem os estereótipos a limitarem as concepções que se tem desse.

6. REFERÊNCIAS

DANIELSKI, Vandelei. A sindrome de Down uma contribuição à Habilitação da criança Down : Embu, SP 2001.


SHEA A.Motor Development Down Syndrome Unpublished Doctoral Dissertation, Havard University Scholl of Public Healt: Boston,1987.

PUESCHEL M.SIEGFRED,.Guia para Pais e Educadores, Livraria Cultural,1984.

CULLEN,M,CRONCK,C.E.PUESCHEL ,S.MSCHNELL,RR E REED,R.B.Social Development and Feeding MILESTONES.IN S.M.Pueschel (ED).The Young Child With Down Syndrome.NEW YORK,HUMTN SCIENC PRESS,1984,PP 227-252.

PUESCHEL, M.SIEGFRED Organizador .Syndrome de Down: Guia para Pais e Educadores, Tradução Maria Regina Lucena Borges Osório. Porto Alegre, RS Artmed 2007.


http:www.abcsaude.com.br-artigo.php ,393 Retirado em 27 de junho de 2010.














[1]Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

[2] Orientador do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

RECONHECENDO ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES / SUPERDOTAÇÃO

RECONHECENDO ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES / SUPERDOTAÇÃO
Neiva Regina Luz Andrighetti1
Ibrahim Georges Cecyn Moussa2
RESUMO
Este artigo tem como objetivo principal apresentar algumas considerações sobre as
dificuldades enfrentadas pelos professores na identificação e atendimento adequado aos
alunos portadores de altas habilidades/superdotação. O professor precisa estar muito bem
preparado para identificar alunos com altas habilidades/superdotação. Ter o aporte teórico
para embasar sua prática pedagógica, de forma adequada, às necessidades dos alunos que
apresentam tais habilidades. O conhecimento é necessário para que os educadores não
confundam os mesmos com crianças que aprestam transtorno de déficit de atenção com ou
sem hiperatividade. O método utilizado foi a pesquisa bibliográfica em função do curto
espaço de tempo para uma pesquisa de campo. A Pesquisa comprovou a importância da
utilização de recursos materiais e humanos compatíveis com as necessidades apresentadas
pelos portadores de altas habilidades/superdotação.
Palavras-chave: Altas habilidades; Superdotação; Desenvolvimento; Aprendizagem
INTRODUÇÃO
Ao identificar as dificuldades enfrentadas pelos professores em sala de aula observase
que as Altas Habilidades/Superdotação estão entre um dos grandes vilões que influenciam
nas relações familiares e escolares, repercutindo na aprendizagem da criança. Reconhecer
que essas crianças merecem um atendimento à altura de suas potencialidades não é tarefa
fácil, pois, muitas vezes pela deficiência de conteúdos apropriados as aulas se tornam
cansativas provocando o desinteresse do aluno.
Os professores precisam estar muito bem preparados primeiro para identificar que o
aluno possui altas habilidades ou superdotação e não cair no erro de classificá-lo como
hiperativo. Segundo, ao identificar o aluno como possuidor de altas habilidades, oferecer
condições para realizar um trabalho que contribua com o desenvolvimento desse aluno
direcionando-o ao sucesso e não ao fracasso ou estagnação. Após identificar o aluno como
portador de altas habilidades ou superdotado, o professor precisa buscar recursos e condições
favoráveis que contribuam para uma convivência saudável com os colegas e que pesem mais
as implicações positivas, favorecendo assim as interações e a integração no contexto escolar.
Assim sendo, esta pesquisa tem relativa importância no sentido de identificação dos
portadores de altas habilidades/superdotação e contribuir com essas crianças para uma
aprendizagem significativa e em caso da impossibilidade, caso isso ocorra, então que
contribua para o encaminhamento a uma escola que ofereça condições para o
desenvolvimento dessas potencialidades.
A falta de um planejamento que atenda essas potencialidades pode ser considerada
como um fator excludente e muitas vezes responsável pela discriminação da criança que
normalmente é tratada como hiperativa ou sem limites. Cabe ao educador buscar formas de
contribuir com o desempenho dessas crianças e favorecer uma relação aluno/escola/família
que mantenha esse aluno numa dinâmica de motivação.
Para uma melhor compreensão do tema, a pesquisa desenvolveu-se conforme os
objetivos abaixo relacionados:
O artigo “O desenvolvimento das Altas Habilidades/Superdotação em sala de aula”
procura apresentar as características dessas crianças para que possam ter um desempenho a
contento e evoluam na construção do conhecimento de forma que mantenham suas
características como fator positivo e possam, também, avançar na aprendizagem, sem ter o
seu processo de ensino/aprendizagem retardado em função do acompanhamento dos demais
colegas.
A literatura apresenta as normas lançadas pelo MEC, que criou núcleos em todos os
estados para assessorar as escolas que tenham essa clientela. É necessário, pois, que a escola
e a família se unam e busquem formas adequadas de trabalho para essas crianças,
proporcionando o atendimento das suas necessidades particulares de aprendizagem e criando
oportunidades para que se sintam inseridas num ambiente adequado, digno de suas
capacidades e jamais discriminadas.
MÉTODO
O artigo buscou pesquisar referências em função do curto espaço de tempo para
realizar uma pesquisa de campo. Os autores, com grande experiência, apontam que
professores e pais trilhem caminhos paralelos que contribuam com a identificação e o
desenvolvimento dos alunos superdotados. Sabe-se que na realidade de nossas escolas há
muito o que se questionar sobre o tema pois, hoje, se uma criança apresenta qualquer
inquietação, desrespeitando comandos ou ordens, já é taxada de hiperativa, o que nem
sempre se pode concordar uma vez que uma criança portadora de altas
habilidades/superdotada está sempre à frente dos colegas, está sempre buscando e exigindo
mais atividades e conteúdos.
O estudo procurou recursos que o professor poderá se apropriar em sala de aula e as
intervenções possíveis para que a criança tenha um desenvolvimento compatível com o seu
tempo e com as suas necessidades intelectuais.
O desenvolvimento das Altas Habilidades/Superdotação em sala de
aula
De acordo com as leituras, “o conceito de altas habilidades/superdotação tem mudado
ao longo do tempo e assume diferentes conotações, conforme a cultura” (Chagas, 2007 apud
Solow, 2001). Para comprovar, a autora fala que na cultura mexicana o conceito de altas
habilidades é expresso por um conjunto de habilidades enquanto que o termo “gifted em inglês
sugere que habilidade superior é um dom sobrenatural ou uma dádiva divina” (Chagas,2007
apud Virgolim, 1997;Winner,1998). Altas habilidades e superdotação são termos utilizados
aqui no Brasil, onde altas habilidades está mais ligado ao desempenho enquanto que
‘superdotado’ sugere habilidades extremas. Os vários conceitos somado aos mitos e
preconceitos existentes dificultam tanto o entendimento sobre esse assunto como também o
atendimento adequado ao indivíduo com altas habilidades/superdotado.
Zevallos descreveu no site Guia Infantil, comportamentos que os pais devem observar,
os quais identificam se a criança é superdotada:
1- Dorme pouco.
2- Aprende a ler em curto espaço de tempo.
3- Fala sua primeira palavra com seis meses.
4- Diz sua primeira frase com 12 meses.
5- Mantém uma conversação entre 18 e 24 meses.Vocabulário impróprio para sua
idade.
6- Aprende o abecedário e conta até 10 aos dois anos e meio.
7- Resolve mentalmente problemas de soma e subtração até 10 com três anos.
8- Pergunta por palavras que não conhece desde os três anos.
9- Faz perguntas exploratórias com pouca idade.
10- Alta capacidade criativa.
11- Possui uma alta sensibilidade do mundo que o rodeia.
12- Preocupação com assuntos de moralidade e justiça.
13- Enérgico e confiante em suas possibilidades.
14- Muito observador e aberto a situações não usuais.
15- Muito crítico consigo mesmo e com os demais.
16- Grande capacidade de atenção e concentração.
17- Gosta de relacionar-se com as crianças de maior idade.
18- Baixa autoestima com tendências à quadros depressivos.
19- Se aborrece na sala de aula porque suas capacidades superam os programas de
estudos convencionais.
20- São, aparentemente, muito distraídos.(sic)
21- Seu pensamento é produtivo mais que reprodutivo.Baseiam-se na construção das
coisas. (sic)
22- Tem muito pouca motivação para com o professor.
23- Chegam a sentir-se incompreendidos, estranhos.(sic)
24- São independentes e introvertidos.(sic)
As características comportamentais acima descritas são informações importantes que
os pais devem fornecer à escola para que esta por sua vez, possa agir adequadamente.
Sabe-se que os alunos com altas habilidades/superdotados nem sempre apresentam
um comportamento adequado ou o mesmo interesse por todas as disciplinas. O interesse por
uma determinada disciplina provoca muitas vezes o desinteresse por outras também
importantes. O mau comportamento também pode ser um indicativo de altas habilidades, pois
uma vez que o aluno tem facilidade de compreensão e assimilação dos conteúdos, logo se
cansa, pois o tempo deles é diferente dos demais colegas.
O acima exposto vem derrubar os mitos da genialidade e da não dependência do
professor, ou seja, têm altas habilidades mas não são o máximo em tudo e também dependem
do suporte do professor.
Para facilitar a identificação desses alunos o MEC preparou uma lista com
descrições/características. Entende o MEC que o aluno que apresentar consistentemente várias
características descritas abaixo, pode ter altas habilidades.
Características listadas pelo MEC (RODRIGUES: 2009)
1. Aprende fácil e rapidamente.
2. É original, imaginativo, criativo, não convencional.
3. Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.
4. Pensa de forma incomum para resolver problemas.
5. É persistente, independente, autodirecionado (faz coisa sem que seja mandado).
6. Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.
7. Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.
8. Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.
9. Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.
10. É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
11. Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho ).
12. Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo).
13. Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.
14. Aprende facilmente novas línguas.
15. Trabalhador independente.
16 Tem bom julgamento, é lógico.
17. É flexível e aberto.
18. Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.
19. Mostra sacadas e percepções incomuns.
20. Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.
21. Apresenta excelente senso de humor.
22. Resiste à rotina e à repetição.
23. Expressa ideias e reações, frequentemente, de forma argumentativa.
24. É sensível à verdade e à honra.
Uma criança com altas habilidades/superdotação não apresenta, necessariamente,
todos os indicadores, mas apresentará muitos deles, daí pois a necessidade de pais e
professores estarem atentos para a identificação desses indicadores e consequentemente
poderem auxiliar no desenvolvimento cognitivo, afetivo além de contribuir para que essas
crianças interajam com seus colegas de forma positiva.
Para a conceituação mais precisa das altas habilidades tem-se que considerar o
contexto onde o indivíduo está inserido como segundo Chagas, p. 16, “fatores ambientais
(ligados à família, ao sistema educacional e aos valores socioculturais) com traços
individuais como coragem, criatividade, motivação intrínseca, intuição, caráter e
autopercepção”.
O papel da família para o bem estar e desenvolvimento da criança com altas
habilidades é fundamental, pois muitas vezes, em função das características acima
apresentadas, há uma tendência de confundi-los com TDAH. Nesse sentido, é extremamente
importante que os pais mantenham um contato constante com a escola e também com
profissionais competentes (psicólogos) que possam auxiliar na identificação da melhor forma
de conduzir a criança para o sucesso.
O psicólogo “deve adotar uma postura de pesquisador, de investigador, com um olhar
aguçado de bom observador, de modo a realizar uma leitura mais objetiva dos dados
coletados”. (GUIMARÃES, 2007, p.79)
O papel do professor também é fundamental para a identificação das altas habilidades,
pois através da observação e dos recursos possíveis ele pode identificar a participação
destacada do aluno e assim estimular e facilitar o desenvolvimento do mesmo.
Os superdotados caracteriza-se por três traços marcantes que são: Criatividade,
capacidade acima da média e envolvimento com as tarefas. (CHAGAS, 2007)
Alencar (2007, p.157) sugere aos professores, estratégias que tornem as aulas
prazerosas e instigantes para serem trabalhadas com os alunos:
a) Não se restrinja a exercícios e atividades que possibilitem apenas uma única
resposta correta. Utilize também exercícios que instiguem os alunos serem o mais
original possível em suas respostas.
b) Valorize as ideias originais de seus alunos.
c) Uma ideia original é apenas o primeiro passo. Lembre os alunos da importância de
rever e refinar as ideias criativas.
d) Encoraje os alunos a apresentar e defender as suas ideias.
e) Acentue o que cada aluno tem de melhor e informe-o sobre os seus “pontos fortes”.
f) Desenvolva atividades que requeiram dos alunos iniciativa e independência.
g) Estimule a curiosidade dos alunos por meio das tarefas propostas em sala de aula.
h) Faça perguntas desafiadoras, que motivem os alunos a pensar e raciocinar.
i) Dê tempo aos alunos para pensar e desenvolver ideias novas.
j) Dê chances aos alunos para discordar de seus pontos de vista.
k) Diversifique as metodologias de ensino utilizadas em sala de aula.
l) Instigue nos alunos a confiança em suas competências e capacidades.
m) Exponha os alunos apenas a críticas construtivas.
n) Estimule os alunos a utilizar as técnicas de resolução criativa de problemas (como
tempestade de ideias) nos seus projetos de ciência, atividades artísticas e redação, com
vistas a alcançar um produto mais criativo.
o) Exponha os alunos a vários tipos de tarefas e atividades que requeiram tanto o uso
do pensamento criativo quanto de outras habilidades, como análise, síntese e
avaliação.
p) Ajude os alunos a se libertarem do medo de cometer erros, manifestando tolerância
e respeito pelas suas ideias, questões e produções.
q) Proteja as produções dos alunos da crítica destrutiva e da zombaria dos colegas.
r) Reconheça que a criatividade incorpora uma variedade de processos(resolução de
problemas, pensamento divergente, pensamento convergente) e uma série de fatores
motivacionais e de personalidade (autoconceito, autoconfiança, curiosidade,
flexibilidade, motivação intrínseca).
s) Elogie os esforços e a persistência de seus alunos na realização das tarefas
propostas.
t) Incentive os alunos a ampliar o seu conhecimento a respeito de tópicos que sejam do
seu interesse.
u) Cultive em sala de aula um clima de descontração, afeto, compreensão e confiança,
de tal modo que os alunos se sintam à vontade para se expressar, compartilhar ideias e
questionar, interessados em cooperar no projeto educativo.
v) Lembre-se que os alunos expressam de forma mais plena as suas habilidades
criativas quando realizam atividades que lhes dão prazer. Como manter vivo o prazer
de aprender deve ser alvo de atenção de todos os professores, é relevante também que
os alunos percebam em seus professores o prazer de aprender que caracteriza o
docente que tem uma relação amorosa com o conhecimento,com as disciplinas sob sua
responsabilidade. Essa relação amorosa é chamada por Renzulli (1992) de ‘romance
com a disciplina’, apontada por ele como uma das características centrais do professor
que promove o desenvolvimento da produtividade criativa em seus alunos.
Para os gestores, Alencar (2007, p. 158) sugere para:
a) Encorajar os professores a experimentar novas práticas pedagógicas.
b) Evitar sobrecarregar o professor com tarefas pouco relacionadas às atividades
docentes.
c) Respeitar opiniões divergentes das suas.
d) Facilitar a comunicação entre os professores e a troca de experiências bemsucedidas.
e) Promover na escola um clima de respeito, confiança e estímulo ao trabalho docente.
f) Compartilhar com os professores livros e artigos relacionados à criatividade e ao
modo de promovê-la na vida pessoal e profissional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A bibliografia pesquisada apresenta três traços marcantes na identificação dos
superdotados: capacidade acima da média, criatividade e envolvimento com as tarefas.
Entende-se que estes aspectos são pontos de partida para aprofundar a identificação de outras
características apresentadas neste artigo, que comprovam as altas habilidades/superdotação.
Daí a importância da relação família/escola para a identificação de outros comportamentos
característicos que a criança apresenta e que são determinantes para a superdotação. As
estratégias apresentadas neste artigo contribuem para que os professores ao identificarem um
superdotado, construam suas aulas com conteúdos que estimulem estes alunos e que os
mesmos tenham um desenvolvimento à altura de suas potencialidades. Entende-se, pois, que
atividades as quais desenvolvam a criatividade, instiguem, questionem, desafiem o
pensamento além da valoração dos pontos fortes, da flexibilidade, da diversidade de
metodologias são estratégias importantes para serem utilizadas, tornando as aulas prazerosas
e interessantes.Tanto o professor quanto o aluno com altas habilidades/superdotação merecem
recursos e condições mínimas necessárias para o desenvolvimento adequado, podendo esse
aluno ter uma convivência saudável interagindo positivamente com toda a comunidade
escolar e assim sendo, ter condições de construir uma aprendizagem significativa. Vale
10
lembrar também a importância do trabalho conjunto entre escola e família para que juntos
possam contribuir com o bem-estar do aluno e que se faça cumprir a legislação vigente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALENCAR, Eunice M. L. Soriano de. O papel da escola na estimulação do talento criativo.
In: FLEITH, Denise de Souza; ALENCAR,Eunice M.L. Soriano de(Org.). Desenvolvimento
de Talentos e Altas Habilidades – Orientação a pais e professores. Porto Alegre:Artmed,
2007. p. 151-161.
ANDRÉS, Aparecida. Educação de Alunos Superdotados/Altas Habilidades-Legislação e
Normas Nacionais - Legislação e Normas Internacionais. Biblioteca Digital da Câmara dos
Deputados. 2010. Disponível em :
http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/3202/educacao_alunos_aparecida.pdf?
sequence=1 Acesso em 30.05.11
CHAGAS, Jane Farias. Conceituação e fatores individuais, familiares e culturais relacionados
às altas habilidades. In: FLEITH, Denise de Souza; ALENCAR,Eunice M.L. Soriano
de(Org.). Desenvolvimento de Talentos e Altas Habilidades – Orientação a pais e
professores. Porto Alegre:Artmed, 2007. p. 15-23.
GUIMARÃES, Tânia Gonzaga. Avaliação psicológica de alunos com altas habilidades. In:
FLEITH, Denise de Souza; ALENCAR,Eunice M.L. Soriano de(Org.). Desenvolvimento de
Talentos e Altas Habilidades – Orientação a pais e professores.Porto Alegre:Artmed,2007.
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Cartilha Altas Habilidades P65. Projeto Escola Viva -
Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola -Alunos com
necessidades educacionais especiais. Brasília, Secretaria de Educação Especial, 2002.
Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000452.pdf Acesso
em 03.07.10.
RODRIGUES, Cinthia. Como atender alunos com altas habilidades. Revista Nova Escola,
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ZEVALLOS, Pablo. Como posso saber se meu filho é uma criança superdotada.
Disponível em: hhttp://br.guiainfantil.com/aprendizagem/69-como-posso-saber-se-meu-filhoe-
uma-crianca-superdotada.html. Acesso em 23.05.11.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM






A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM


Nivalda de SouzaFigueiró 1
Ibrahim Georges Cecyn Moussa 2


RESUMO


À luz do debate sobre a inclusão educacional das pessoas com deficiência intelectual, este artigo de cunho teórico busca responder a seguinte inquietação: qual a importância de desenvolver um trabalho eficaz com a criança com deficiência intelectual a fim de que ela tenha sucesso no processo ensino-aprendizagem? Na busca de responder a problemática objetivou-se reconhecer que existem fatores que prejudicam o processo ensino-aprendizagem da criança com deficiência intelectual, enfatizando que o processo de inclusão ainda representa um desafio para toda comunidade escolar, bem como, visa possibilitar ao professor uma melhor reflexão sobre sua imprescindível tarefa no processo de construção do conhecimento. Ressalta-se que o convívio social já possibilita o desenvolvimento de muitas competências na criança com deficiência. Sendo que, a prática educativa com alunos especiais demanda muitas reflexões por parte dos educadores e, a aproximação entre teoria e prática, pode qualificar a educação.


INTRODUÇÃO

Quando uma criança nasce com uma deficiência começa para ela e sua família uma longa história de dificuldades. Não é apenas a deficiência que torna difícil a sua existência, mas a atitude das pessoas e da sociedade diante de sua condição.
Durante muito tempo acreditou-se que as pessoas com deficiência mental não aprendiam os conteúdos acadêmicos ensinados na escola. Por essa razão, a sua educação era pautada na crença de que só teriam acesso a aprendizagens relacionadas a atividades da vida diária (auto-cuidado e segurança), algumas habilidades sociais, de lazer e de trabalho supervisionado, ou pouco mais.
Felizmente, a ideia e a vergonha do deficiente foram sendo substituídas pela esperança e possibilidade de aprendizagem. Portanto, este estudo de cunho bibliográfico visa responder a seguinte inquietação: qual a importância de desenvolver um trabalho eficaz com a criança com deficiência intelectual a fim de que ela tenha sucesso no processo ensino-aprendizagem?
Na busca de responder à problemática objetivou-se reconhecer que existem fatores que prejudicam o processo ensino-aprendizagem da criança com deficiência intelectual, enfatizando que o processo de inclusão ainda representa um desafio para toda comunidade escolar, bem como, visa possibilitar ao professor uma melhor reflexão sobre sua imprescindível tarefa no processo de construção do conhecimento. Sendo assim, o professor tem que se predispor a criar novas aprendizagens, aceitar este novo desafio, e, acima de tudo amar sua tarefa de educar e participar ativamente do processo de aprender a apreender.


A INCLUSÃO, A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E O PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM

A educação é um direito de todos, evidenciado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. E, a partir da Declaração da Salamanca (1994) começou a ser reafirmado o compromisso em prol da educação para todos em escolas regulares. Sendo que estas devem garantir a qualidade do atendimento prestado, ou seja, buscar educar todas as crianças independentes das diferenças.
Essa Declaração propõe que “as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem se adequar [...]”, pois tais escolas “constituem os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatórias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos” (UNESCO, 1994, p. 8-9).
São vários os documentos que asseguram o atendimento para alunos com necessidades educacionais especiais, dentre eles as Diretrizes para Educação Especial, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96), o Estatuto da Criança e do Adolescente e outros, porém apesar de muito defendida e debatida, a inclusão deve ser cautelosa, como afirmam Souza e Goés (1999), pois apesar da escola estar de portas abertas existe ainda inúmeras mudanças que devem ocorrer para receber estes alunos e desenvolvê-los de forma eficaz, ou seja, é preciso desde adequação de espaço físico até mesmo formação profissional, sob pena da inclusão ficar mascarada e não atingir seus reais objetivos.
Diante do exposto, destaca-se que no Artigo 58, da LDB (9394/96) está explícito que os portadores de necessidades educacionais especiais devem frequentar a rede regular de ensino, prevendo a existência de serviços especializados na escola regular, para atender às particularidades destes educandos. No entanto, as condições reais das escolas ainda são contrárias ao previsto em lei.
Apesar disso, a inclusão está aí, presente cada vez mais nas escolas e, é preciso agir, pois de nada adianta ficar esperando que as mudanças ocorram sem nada fazer, cabe a escola e aos educadores fazerem o possível para que estes educandos sejam realmente incluídos e aceitos, almejando o desenvolvimento destes a partir de suas capacidades.
Neste sentido, Yus (2002, p. 34), fala sobre inclusão ressaltando que:

O princípio fundamental da educação inclusiva é a valorização da diversidade e da comunidade humana. Quando a educação inclusiva é totalmente abraçada, nós abandonamos a idéia de que as crianças devem se tornar normais para contribuir para o mundo.

Nesta perspectiva todo o indivíduo tem direito a ser incluído na escola e na sociedade, pois na atualidade as diferenças são bem mais aceitas do que no início da história da humanidade, onde ter um deficiente na família era vergonhoso e até mesmo considerado um castigo divino. Hoje incluir é acima de tudo aceitar.
Segundo Carmo (2001), atualmente diante da tendência inclusivista, a escola está despreparada e não tem como camuflar suas limitações e lacunas, necessitando urgentemente produzir conhecimentos que tragam consequências e contribuam para modificar o atual contexto social em que vivem os PNEEs, pois o conhecimento não deve ser propriedade de poucos, nem de segmentos sociais isolados, deve ser socializado ao máximo para todos os indivíduos.
A inclusão depende de mudança de valores sociais e a vivência de um novo paradigma, levando em conta as diferenças. Bueno (1999) acrescenta que devemos pensar que para a inclusão se dar realmente, não basta apenas estar garantido na legislação, mas requer profundas modificações, gradativas, planejadas e contínuas para garantir uma educação de qualidade. Tarefa esta que exige da escola uma reorganização e reestruturação, metodologias e recursos pedagógicos adequados e, o principal, conscientizar e capacitar os profissionais a esse novo desafio.
Mantoan (1996, p. 17) sugere a inclusão como forma de inovação da escola, “[...] a Inclusão não prevê a utilização de métodos e técnicas de ensino específicas para esta ou aquela deficiência. Os alunos aprendem até o limite em que conseguem chegar”.
Nesta mesma perspectiva Tilstone et al (2003) ressalta que a inclusão significa dar oportunidade aos indivíduos com deficiência a participarem das atividades educativas, sociais, comunitárias, enfim, todas aquelas que caracterizam a sociedade cotidiana.
Portanto, para incluir é preciso em primeiro lugar aceitar, amar e buscar desenvolver aquele aluno, respeitando suas limitações, mas sempre buscando integrá-lo. Tarefa que exige do educador um esforço extra, pois ele tem na maioria das vezes uma sala superlotada e deve trabalhar com todos de forma harmônica e eficaz, buscando a construção do conhecimento e a participação de forma ativa do processo de aprender a apreender.
Diante disso, Rodrigues (2005) acrescenta que a educação especial, exige que o professor domine um conjunto de tecnologias e conhecimentos a fim de possibilitar a qualquer aluno, independente de sua condição aprendizagens efetivas.
Ao falar especificamente das crianças portadoras de necessidades educacionais especiais Stainback e Stainback (1999), consideram que cabe ao professor fazer a si mesmo questões sobre a capacidade dos alunos de participar de todas as atividades propostas da mesma forma dos demais, realizar as necessárias adequações e modificações, a fim de garantir a plena participação de todos e alcance dos objetivos.
O trabalho docente deve sempre estar permeado por um processo de reflexão-ação-reflexão, tarefa cada vez mais exigente, pois o professor precisa preparar sua aula e refletir sobre ela, ter claro os objetivos que quer alcançar com as atividades. Realidade às vezes adversa nas escolas, pois infelizmente convive-se com educadores que não preparam atividades, apenas seguem um livro didático e não refletem sobre o que realmente querem alcançar com aquele conteúdo.
Ferreira e Ferreira (2004) acrescentam que a inclusão não deve ser pensada como uma solução mágica, ela é sim um desafio que exige mudanças substanciais na escola, as práticas pedagógicas, a convivência. A educação por meio das diferenças deve ser uma nova possibilidade.
Portanto, o mais importante é saber como o aluno se desenvolve, conhecendo a deficiência do mesmo, mas não dando ênfase a esta como um entrave no processo, e sim, sabendo trabalhar com ela para que a mesma se torne uma ponte para o alcance de novos objetivos, fazendo o aluno crescer acima de tudo, pois para o portador de necessidades educacionais especiais, simples gestos, muitas vezes correspondem a grandes conquistas.
Sendo assim, a escola exerce papel potencializador para o desenvolvimento, pois ela é um rico espaço interativo, mediado por diferenças, um local de interação social, onde a troca de conhecimentos podem muitas vezes estimular o desenvolvimento do aluno especial, criando o que Vygotsky (1998) chama de zona de desenvolvimento proximal, fazendo com que a partir do trabalho e cooperação de alunos mais experientes haja a possibilidade da construção de novas aprendizagens, que paulatinamente o auxiliem a superar suas dificuldades.
A educação inclusiva tem o objetivo de melhorar as condições de ensino e aprendizagem para que todos participem e consigam uma educação de qualidade, onde a totalidade dos alunos seja atendida independente de suas capacidades.
A inclusão, de acordo com Rodrigues (2005) deveria ser vista como um processo através do qual a escola ou a comunidade continuam a explorar novas formas de desenvolver respostas que valorizem a diversidade, portanto, falar de inclusão corresponde a falar numa perspectiva centrada no aluno, no ajustamento das necessidades de aprendizagem dos indivíduos.

A educação inclusiva implica eliminar barreiras que se contrapõem à aprendizagem e à participação de muitas crianças, jovens, adultos, com a finalidade de que as diferenças culturais, socioeconômicas, individuais e de gênero não se transformem em desigualdades educativas. Definitivamente, a educação inclusiva centraliza a sua preocupação no contexto educativo e em como melhorar as condições de ensino e aprendizagem, para que todos os alunos participem e se beneficiem de uma educação de qualidade (ALVES, 2005, p. 23).

Pode-se dizer que almeja-se a qualidade educacional, valorizando a diversidade humana, independente das diferenças educacionais, porém isso só é possível quando a escola se reestrutura para atender a diversidade dos alunos.
Na visão de Parizzi (2000), um dos principais desafios a fim de que se tenha uma plena implementação da educação inclusiva, refere-se à questão da formação de professores. Glat et al (2002), também salienta a necessidade do aperfeiçoamento da prática pedagógica como condição necessária para a prática inclusiva.
Ressalta-se que oferecer uma educação de qualidade não é tarefa fácil, pois envolve desde aspectos materiais e físicos até capacitação profissional, bem como, romper com antigos paradigmas e concepções conscientizando os educadores para esse novo desafio que se apresenta. No entanto, vários autores como Bueno (1999), Rodrigues (2005), Glat (2002) e outros apontam que a melhoria da formação docente se torna condição essencial para a efetivação da educação inclusiva.
Kupfer (2002) salienta que a atual proposta de inclusão exige uma mudança brusca nos ideais que fundamentam a escola. Mantoan (1996) também acrescenta que a inclusão torna-se uma forma de inovação da escola, pois não prevê métodos e técnicas para esta ou aquela deficiência, mas sim, que os alunos aprendam até o limite que conseguem chegar.
Ao remeter para o aluno com deficiência intelectual acrescenta-se que sua inclusão escolar se constitui em uma experiência fundamental, visto que, este processo vem contribuir para sua inserção social, possibilitando a este aluno uma vida mais independente.
É preciso que ao trabalhar com o aluno portador de deficiência mental a escola não se atente apenas para os aspectos de sua deficiência, suas limitações e incapacidades, mas leve em conta suas potencialidades e aptidões.
O aluno com deficiência intelectual tem dificuldade em construir seus conhecimentos, demonstrar suas capacidades cognitivas, principalmente se a escola possui metodologias conservadoras. Por isso, na realidade que se apresenta, a escola deve ser diferenciada para todos, isto é, se adequar as possibilidades e limitações de cada aluno, os auxiliando no processo de construção do conhecimento.
O professor não necessita preparar uma aula diferenciada para aquele aluno, mas sim, diversificar atividades para atingir a todos, independente de suas possibilidades intelectuais.
O deficiente intelectual necessita aprender a ser e a viver, necessita ser capaz de valorizar a visão positiva de si mesmo, estimular seu desejo e confiança. Mantoan e Batista (2007, p. 15) acrescentam que “a deficiência mental não se esgota na sua condição orgânica e/ou intelectual e nem pode ser definida por um único saber. Ela é uma interrogação e objeto de investigação de inúmeras áreas do conhecimento”.
A condição de deficiente intelectual não pode predeterminar o limite de desenvolvimento do indivíduo, deve-se favorecer ao aluno a busca pela independência, respeitando sua condição de aprendizagem, valorizando e considerando o jeito de cada um aprender.
Nesta perspectiva Padilha (2001, p. 135) salienta que “vencer as barreiras de sua deficiência, expandir possibilidades, diminuir limites, encontrar saídas para estar no mundo” devem ser metas no trabalho com o deficiente intelectual, pois ele dever ser educado visando sua emancipação.
Sendo assim, ressalta-se que o educador tem um lugar importante na construção da aprendizagem, pois é ele que orienta os estudantes. A maioria das situações no trabalho com educação é envolvida por relacionamento entre o ensinante e o aprendente como: afabilidade, compreensão, gentilezas e outros sentimentos que quando bem harmonizados exercem em cada indivíduo satisfação e bem estar como forma de aumentar o conhecimento dos alunos, pois o emocional influencia no aprendizado e no desempenho.
É importante ressaltar que o aluno com deficiência intelectual sente-se segregado dentro e fora da sala de aula. Não sabe o que quer e aonde quer chegar. Não tem relativo domínio sobre suas emoções e atitudes, enfrenta dificuldades de resolver seus conflitos, muitas vezes expressa livremente suas emoções.
Devido a isso, o professor deve possuir um equilíbrio emocional que revele o seu nível de maturidade afetivo-emocional, a estrutura de sua personalidade e o seu condicionamento as situações ambientais que o auxiliem no trabalho com este aluno.
O educador deve buscar estabelecer, na sala de aula um clima de harmonia e cooperatividade que possibilite o desenvolvimento do aluno com deficiência intelectual sem fazer distinção. Santomé (1997, p. 176), afirma que as instituições escolares “precisam ser lugares onde se aprenda, mediante a prática cotidiana, a analisar como e por que as discriminações surgem, que significado devem ter as diferenças coletivas e, é claro, individuais”.
Ressalta-se que em todas as situações, não se pode perder de vista a importância de propiciar para o aluno um ambiente social estimulador, livre de segregação, um ambiente que não reforce as suas limitações, mas desafie o desenvolvimento e a aprendizagem de novas habilidades.
Estudos citados por Araújo (2004) e Mantoan (1996) confirmam que o trabalho com o deficiente intelectual exige que o professor, além das condições inerentes a todo educador, apresente características de personalidade, habilidades e conhecimentos adequados ao atendimento a essa categoria de educandos.
É preciso ter criatividade ao propor soluções que visem atender aos objetivos educacionais indicados para a educação do deficiente intelectual, atitude de estudo e pesquisa diante dos problemas da área, bom nível de expectativa em relação aos planos e resultados da Educação Especial e persistência em relação aos mesmos, assim como, capacidade para trabalhar em equipe. Portanto, a inclusão é um processo escolar e não somente do professor que trabalha com o aluno deficiente, ou melhor, a inclusão deve ser realizada e aceita por toda a comunidade.
Para trabalhar com o aluno deficiente intelectual, o afeto deve permear todas as situações, bem como, este aluno precisa sentir-se aceito, tendo seu tempo respeitado, pois uma das maiores dificuldades é o fato de que o currículo das escolas muitas vezes é estratificado em função de uma sequência gradativa de conteúdos, como se todos os alunos daquela idade fossem capazes de aprender ao mesmo tempo. Sendo assim, o professor deve respeitar o tempo desta criança, mediando às relações e sua aprendizagem a fim de que ele não seja excluído nem vivencie o fracasso.
Acredita-se poderem avançar as discussões que apontam para a articulação das relações intrínsecas entre deficiência e aprendizagem no campo da educação, se estas forem incorporadas no cotidiano escolar, com estudo sistematizado como das dificuldades de aprendizagem e deficiências em geral encaradas como objetos de conhecimento.
Defendendo, então, a idéia de que conteúdos relacionados à vida pessoal e à vida privada das pessoas com deficiência intelectual podem ser introduzidos no trabalho educativo, perpassando os conteúdos de matemática, de língua, de ciências, etc. Assim, o princípio proposto é de que tais conteúdos sejam trabalhados na forma comum, mas sempre respeitando o tempo do aluno em suas aprendizagens e que incorporem de maneira transversal e interdisciplinar os conteúdos tradicionais da escola e aqueles relacionados à deficiência intelectual.
Acrescenta-se que um bom caminho para a promoção de tal proposta é lançar mão do emprego de “velhas práticas” de ensino no cotidiano das escolas, principalmente, se esta questão apresentar características ultrapassadas e que solicitem aos sujeitos considerar ao mesmo tempo os aspectos cognitivos e afetivos que caracterizam o raciocínio humano.
Enfim, para o deficiente intelectual ter sucesso em sua vida escolar, deve-se usar inúmeros recursos tecnológicos, explorar a ludicidade, aproximar a vida da escola, ou seja, a escola deve ser um espaço de conquistas, mas para isso a afetividade também deve permear as relações.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Pode-se dizer que a inclusão permite aos educadores reverem sua formação, seus referenciais teórico-metodológicos os incentivando face ao enfrentamento da diversidade, exigindo a transformação da cultura pedagógica a fim de promover o desenvolvimento das potencialidades e a valorização das diferenças dos alunos envolvidos no processo educativo. Por isso, é necessário encarar o desafio de lutar por uma sociedade e uma escola melhor para todos. Ressalta-se que aquele aluno que interage positivamente com os outros e com o docente apresenta melhores resultados.
O movimento de inclusão desencadeou importantes discussões sobre a qualidade do ensino oferecida, não só para os deficientes, mas para todos os alunos. É importante que as práticas propiciem o desenvolvimento cognitivo de todos, fazendo com que os alunos não desenvolvam baixas expectativas em relação a sua aprendizagem, não se sentindo excluídos do contexto social e escolar. O portador de deficiência intelectual possui inúmeros fatores que prejudicam seu processo ensino-aprendizagem, estes vão desde a aceitação, até a dificuldade para realizar tarefas que para os demais são fáceis, a dificuldade de articular o pensamento e ação, a lentidão para realizar tarefas, a necessidade do apoio visual, a incapacidade de permanecer muito tempo na mesma atividade e, talvez, o mais agravante a baixa autoestima. Então, para o deficiente intelectual ter sucesso em seu processo ensino-aprendizagem ele deve ser estimulado, amado, aceito, tratado com igualdade, tendo o professor como mediador de suas aprendizagens, pois apesar de levar mais tempo para aprender é capaz de adquirir habilidades intelectuais e sociais. Portanto, a escola deve estar preparada para receber este aluno, estimulá-lo, buscando desenvolver suas inúmeras competências e habilidades. A valorização das diferenças e o respeito à diversidade trazem consequências positivas para todos, pois desta forma a escola está assumindo o compromisso com a transformação social, cultural e pedagógica.
Conclui-se, que a inclusão enfrenta barreiras e tem um longo caminho a percorrer, mas o importante é que a escola seja um local onde as diferenças enriqueçam o trabalho, onde os limites e possibilidades de cada um sejam respeitados e valorizados.


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