Centro Educacional Reeducar

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sábado, 4 de agosto de 2012

UM OLHAR DIFERENCIADO SOBRE TDA



Rosane Ines De Rossi Lisboa[1]
Alicio Schiestel [2]



RESUMO: As crianças com TDA têm um profundo amor à vida. Escolhem viver a vida em sua plenitude buscando o fim antes do último capítulo. Passam a maior parte de seu tempo buscando emoções, aventuras, projetos, amores, tudo para viver mais intensamente. Para elas tudo é muito. Muita dor, muita alegria, muito prazer, muita fé, muito desespero. É preciso entender a força poderosa que esse impulso pode ter quando bem direcionado na construção de uma existência que valha tanto a eles quanto à humanidade, identificando habilidades positivas na criança como aporte no desenvolvimento da melhoria da qualidade de vida e desempenho escolar. Para tanto, é necessário que os profissionais de ensino tenham um maior conhecimento sobre a criança portadora de TDA para desenvolver aspectos positivos e de incentivos. A criança precisa se sentir amada e valorizada.


Palavras-chave: Desatenção; Desempenho; Valorização.
         

INTRODUÇÃO
             Conforme Ana Beatriz Barbosa Silva (2009, p.19), o comportamento TDA nasce do que se chama trio de base alterada. É a partir desse trio de sintomas – formado por alterações da atenção, da impulsividade e da velocidade da atividade física e mental – que se irá desvendar todo o universo TDA, que muitas vezes, oscila entre o universo da plenitude criativa e o da exaustão de um cérebro que não para nunca. A criança com comportamento TDA pode ou não apresentar hiperatividade física, mas jamais deixará de apresentar forte tendência à dispersão.
O TDA tem muitas conotações negativas e, infelizmente, por causa disso, as características positivas das pessoas diagnosticadas são ignoradas, apesar destas demandarem maior incentivo nesse sentido. O constante estímulo destas habilidades  representam um grande passo na direção da minimização dos sintomas habitualmente descritos e na construção de uma forte autoestima, tão necessária nestes casos.
Dificuldades maiores começam a surgir no âmbito escolar quando a criança é solicitada a cumprir metas, seguir rotinas e executar tarefas. A criança TDA agora precisa ajustar-se às regras e à estrutura de uma educação continuada, em que há cobrança de desempenho.
Sendo assim, a questão que rege o problema em estudo é: Como o professor pode ajudar uma criança TDA a melhorar sua qualidade de vida e garantir um aproveitamento escolar satisfatório?
É fundamental  identificar habilidades positivas na criança TDA como aporte no desenvolvimento da melhoria da qualidade de vida e desempenho escolar, considerando aspectos positivos e de incentivos.
Os transtornos mais conhecidos ligados à educação hoje são o TDA – que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade; Transtorno de Leitura chamado dislexia que envolve as áreas da leitura, escrita e soletração; Transtorno da Expressão Escrita disortográfica ligado à escrita e também associado à dislexia; Discalculia relacionado à matemática e suas operações; e Transtorno de Oposição Desafiadora,  ou seja o TOD, caracterizado pela desobediência e comportamento hostil.
É necessário que a escola e mais especificamente professor lance um olhar diferenciado sobre o TDA com a finalidade de valorizar os aspectos positivos de uma criança com essas dificuldades, procurando melhorar sua qualidade de vida e seu desempenho escolar.
O professor exerce papel fundamental neste processo, mantendo contato direto com a família e profissionais da saúde. Além do tratamento médico e/ou psicológico, é fundamental que a criança com TDA se sinta em um ambiente adequado e receptivo, aberto às diferenças e às variações no ritmo de aprendizagem. A criança precisa se sentir amada, incentivada e com a autoestima elevada.
Este trabalho de pesquisa terá como etapa fundamental a busca pelo conhecimento teórico e será “feito o levantamento, seleção e arquivamentos” de dados considerados importantes. A pesquisa bibliográfica pode ser feita em livros ou via Internet.
Sendo assim a pesquisa para elaboração do artigo será fundamentada em fontes bibliográficas.

UM OLHAR DIFERENCIADO SOBRE TDA



             O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico e não mais uma lesão neurológica. Nos anos 60, devido à dificuldade de comprovação da lesão neurológica, sua definição adquiriu uma perspectiva mais funcional, caracterizando-se como uma síndrome de conduta, tendo como sintoma primordial a atividade motora excessiva. Ela nasce com o indivíduo; aparece já na primeira infância e quase sempre acompanha o indivíduo por toda a sua vida.
            Caracteriza-se por sinais claros e repetitivos de desatenção, inquietude e impulsividade, mesmo quando a criança, jovem ou adulto tenta não mostrá-lo. Na década de 80, a partir de novas investigações, passou-se a ressaltar aspectos cognitivos da definição de síndrome, principalmente o déficit de atenção e a impulsividade ou falta de controle, considerando-se, além disso, que a atividade motora excessiva é resultado do alcance reduzido da atenção da criança e da mudança contínua de objetivos e metas a que é submetida.  É uma doença reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), tendo inclusive em muitos países, lei de proteção, assistência e ajuda tanto aos que têm este transtorno ou distúrbios quanto aos seus familiares.

           Há muita controvérsia sobre o assunto, alguns especialistas defendem o uso de medicamentos e outros que, por tratar-se de um Transtorno Social, o indivíduo deve aprender a lidar com ele sem a utilização de medicamentos ou ainda especialistas que entendem que a medicação e psicoterapia associadas podem ajudar.
             O TDA é caracterizado por três principais sintomas: distração, impulsividade e hiperatividade. Uma vez que estas três características são muito comuns na população infantil, é preciso saber distinguir uma criança TDAH de uma “normal”, afinal, são típicas da infância a agitação, as correrias, a falta de atenção em atividades encadeadas e um tanto prolongadas, principalmente se não tiverem algum atrativo especial.
            O sinal que pode diferenciar uma criança TDA de outra que não seja é a intensidade, a frequência e a constância das três principais características. Tudo na criança TDA parece estar “a mais”. Ela é mais agitada, mais bagunceira, mais impulsiva, mais distraída e mais dispersa.
            O principal instrumento para avaliar a possibilidade de uma criança ser TDA é a observação. O observador deve ser capaz de captar as nuanças, não somente no comportamento manifesto da criança, como também “pescar” nos relatos de pais e/ou   outras pessoas de seu convívio, os fatores que caracterizam uma criança com TDA. 
           De forma resumida, seguem algumas dicas que servem de auxílio para dar o primeiro passo rumo ao diagnóstico de TDA em uma criança, segundo Corinne Smith e Lisa Strick (2001, p.39):
• Frequentemente movimenta mãos ou pés ou se contorce na cadeira (em adolescentes pode estar limitado a sentimentos subjetivos de desconforto).
•Tem dificuldade de permanecer  sentado quando solicitado.
• Distrai-se facilmente com estímulos externos.
• Tem dificuldades de aguardar a vez em jogos ou situações de grupo.
• Frequentemente responde as perguntas antes de estas serem completamente formuladas.
• Tem dificuldade de seguir completamente as instruções dadas (não por birra ou falha na compreensão).
• Tem dificuldade de manter a atenção centrada nas tarefas ou atividades lúdicas.
• Frequentemente troca de uma atividade incompleta para outra.
• Tem dificuldade de brincar quieto.
• Frequentemente fala excessivamente.
• Frequentemente interrompe ou intromete-se nas atividades dos outros.
• Frequentemente parece não estar ouvindo o que se lhe diz.
• Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades na escola ou em casa (brinquedos, livros, lápis, etc.).
• Frequentemente envolve-se em atividades fisicamente arriscadas sem considerar as possíveis consequências (não em busca de aventura) como atravessar repentinamente a rua sem olhar.
            O fato é que o TDA é um distúrbio muito comum  e afeta cerca de 5 a 6% das crianças em idade escolar sendo mais frequente nos meninos (três para cada menina, segundo Kendall, 1993).
A hiperatividade é conceituada como um subtipo do TDA que a inclui.
Atualmente o diagnóstico de hiperatividade reflete um conceito nos quais componentes cognitivos e motores coexistem e envolve atividade motora elevada, impulsividade, déficit na atenção e na conduta social e agressividade.
             É comum que o avanço da idade traga melhoras aos períodos de atenção e facilite a terapia centrada na modificação dos hábitos negativos e valorização das atitudes positivas.

ASPECTOS POSITIVOS DO TDA: Segundo Ana Beatriz Barbosa Silva

            O TDA tem muitas conotações negativas e, infelizmente, por causa disso, as características positivas das pessoas diagnosticadas são ignoradas apesar destas demandarem maior incentivo nesse sentido.
Até o momento estão relacionadas algumas características positivas frequentes nos portadores do TDA:
Sensibilidade.
• Compreensão dos sentimentos alheios.
• Sentimentos profundos.
• Naturalmente criativos (incluindo a solução de problemas).
• Inventivos.
• Frequentemente veem as coisas de uma perspectiva peculiar.
• Bons em encontrar coisas perdidas (como pessoas em uma multidão).
• Têm percepção acurada.
• Cômicos.
• Espontâneos.
• Engraçados.
• Energéticos.
• Abertos, transparentes.
• Não guardam ressentimentos.
• Rápidos nas atividades que gostam de realizar.
• Difíceis de enganar.
• Penetram as pessoas e situações vendo além das aparências.
• Seguros.
• Sociáveis.
• Multidisciplinares.
• Originais.
• Observadores.
• Leais.
• Tendidos a realizarem tarefas porque querem e não porque devem.
           O constante estímulo destas habilidades e de todas as que as crianças acometidas pelo TDA possam apresentar, representam um grande passo na direção da minimização dos sintomas habitualmente descritos e na construção de uma forte autoestima, tão necessária nestes casos.
           Não é tarefa do professor o diagnóstico do TDA, entretanto se pode e deve fazer perguntas, saber se a criança fez teste de audição e visão recentemente e afastar a possibilidade de outros problemas médicos. Esteja certo de que uma avaliação adequada seja feita. A responsabilidade é dos pais, mas o professor deve dar suporte ao processo.
          Para melhorar a qualidade de vida de uma criança TDA e garantir um aproveitamento escolar satisfatório, a escola e a família precisam estar em fina sintonia.
          As crianças com TDA são geralmente muito intuitivas. Elas podem dizer como aprendem melhor se você perguntar-lhes, mas podem sentir-se embaraçadas com as informações já que estas são frequentemente excêntricas. Procure sentar-se com a criança individualmente e perguntar-lhe como ela pode aprender melhor. A própria criança é a pessoa mais indicada para dar tal informação, mas normalmente ela não é consultada sobre isso. Especialmente com crianças maiores, certifique-se de que sabem o que vem a ser o TDA. Isso ajudará a ambos.
          É importante lembrar-se da emoção envolvida no ato de aprender. Essas crianças precisam de ajuda extra para encontrarem prazer na sala de aula. As pessoas com TDA precisam ouvir as coisas mais de uma vez.
            Tarefas longas confundem-nas rapidamente e as levam a um sentimento de incapacidade e resposta negativa do tipo "Eu nunca serei capaz de fazer isso". Dividir as atividades em partes manuseáveis, cada parte parecendo pequena o suficiente para ser realizada, poderá fazer com que a criança deixe de lado o sentimento de incapacidade.
Em geral, estas crianças podem fazer muito mais do que pensam que podem. Dividindo as atividades, o professor permite que elas provem isto a elas mesmas. Com crianças mais novas isso pode ajudar a evitar o nascimento da frustração. Com crianças maiores isso pode ser útil para evitar as atitudes defensivas que tão frequentemente bloqueiam seus caminhos.
            As pessoas com TDA adoram brincar. Elas respondem com entusiasmo e isso ajudará a focalizar a atenção. Uma boa parte do tratamento do TDA envolve as regras, agendas, listas e outras coisas chatas que você atenuará sendo um professor mais alegre.
           Essas crianças convivem com tantas derrotas que precisam de todo incentivo possível. Elas adoram ser encorajadas e crescem com isso. Sem isso elas "encolhem" e "apagam". Frequentemente o aspecto mais devastador do TDA não é a patologia em si, mas os danos secundários à autoestima causados principalmente pelo estigma.
           Muitas crianças com TDA são vistas como egoístas quando, na verdade, elas apenas não aprenderam a interagir. Esta habilidade não vem naturalmente em todas as crianças, mas pode ser ensinada ou treinada.
           Essas crianças são muito mais talentosas do que aparentam ser. É muito importante que se estimule constantemente.
           Pessoas como Einstein, Arquimedes, Leonardo da Vinci, Ampere e outras tantas mais que conseguiram ultrapassar as dificuldades em sua infância e puberdade possivelmente o fizeram mediante um grande esforço no sentido de superarem a si mesmos, mas em épocas em que talvez o brilhantismo não fosse tão cobrado dos indivíduos como nesta em que vivemos.
          Hoje apenas começa-se a compreender a necessidade de respeitarmos as individualidades desde a mais tenra infância e o nosso compromisso de cultivadores de mentes mais sadias e verdadeiramente mais felizes com a possibilidade de recriar livremente uma nova sociedade para uma nova história do homem.
         Sabe-se que não existe uma solução simples ou mágica no trato com as crianças TDAs e que tudo requer tempo, dedicação e persistência. Com o empenho da família, dos profissionais da saúde e do ensino vão de terminar o futuro dessas crianças rumo a uma vida menos caótica e mais feliz.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

         As crianças portadoras de TDA só conseguem manter o foco em algum assunto quando se sentem emocionalmente envolvidas e interessadas por ele.
         Para melhorar a qualidade de vida de uma criança TDA e garantir um aproveitamento escolar satisfatório, a escola e a família precisam estar em fina sintonia. Tanto os pais quanto os professores, orientadores educacionais e os profissionais da saúde que acompanham a criança devem manter um contato estreito. É fundamental que a criança com TDA se sinta em um ambiente adequado e receptivo, aberto às diferenças e às variações no ritmo de aprendizagem.


REFERÊNCIAS

Silva, Ana Beatriz B. Mentes Inquietas: TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade/ Ana Beatriz Barbosa Silva. – Rio de Janeiro : Editora Objetiva, 2009.

Smith, Corine – Dificuldades de aprendizagem de a a z /Corinne Smith e Lisa Strick. –Porto Alegre: ARTMED Editora, 2001.

Artigos Educação/Pedagogia www.profala.com/artigoseducesp.htm:  Acessado  em 23 de outubro de 2011

http://portal.aprendiz.uol.com.br/2011/10/10/alunos-ou-pacientes/  Estudantes ou pacientes? Raiana Ribeiro: acessado em 13 de novembro de 2011


[1]           [1]Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Educação Especial Inclusiva Com Enfase Em Deficiência Intelectual, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.
[2]           Orientador do curso de Pós-Graduação em Educação Especial Inclusiva Com Enfase Em Deficiência Intelectual, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg. 

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