Centro Educacional Reeducar

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sábado, 4 de agosto de 2012

UM OLHAR DIFERENCIADO SOBRE TDA



Rosane Ines De Rossi Lisboa[1]
Alicio Schiestel [2]



RESUMO: As crianças com TDA têm um profundo amor à vida. Escolhem viver a vida em sua plenitude buscando o fim antes do último capítulo. Passam a maior parte de seu tempo buscando emoções, aventuras, projetos, amores, tudo para viver mais intensamente. Para elas tudo é muito. Muita dor, muita alegria, muito prazer, muita fé, muito desespero. É preciso entender a força poderosa que esse impulso pode ter quando bem direcionado na construção de uma existência que valha tanto a eles quanto à humanidade, identificando habilidades positivas na criança como aporte no desenvolvimento da melhoria da qualidade de vida e desempenho escolar. Para tanto, é necessário que os profissionais de ensino tenham um maior conhecimento sobre a criança portadora de TDA para desenvolver aspectos positivos e de incentivos. A criança precisa se sentir amada e valorizada.


Palavras-chave: Desatenção; Desempenho; Valorização.
         

INTRODUÇÃO
             Conforme Ana Beatriz Barbosa Silva (2009, p.19), o comportamento TDA nasce do que se chama trio de base alterada. É a partir desse trio de sintomas – formado por alterações da atenção, da impulsividade e da velocidade da atividade física e mental – que se irá desvendar todo o universo TDA, que muitas vezes, oscila entre o universo da plenitude criativa e o da exaustão de um cérebro que não para nunca. A criança com comportamento TDA pode ou não apresentar hiperatividade física, mas jamais deixará de apresentar forte tendência à dispersão.
O TDA tem muitas conotações negativas e, infelizmente, por causa disso, as características positivas das pessoas diagnosticadas são ignoradas, apesar destas demandarem maior incentivo nesse sentido. O constante estímulo destas habilidades  representam um grande passo na direção da minimização dos sintomas habitualmente descritos e na construção de uma forte autoestima, tão necessária nestes casos.
Dificuldades maiores começam a surgir no âmbito escolar quando a criança é solicitada a cumprir metas, seguir rotinas e executar tarefas. A criança TDA agora precisa ajustar-se às regras e à estrutura de uma educação continuada, em que há cobrança de desempenho.
Sendo assim, a questão que rege o problema em estudo é: Como o professor pode ajudar uma criança TDA a melhorar sua qualidade de vida e garantir um aproveitamento escolar satisfatório?
É fundamental  identificar habilidades positivas na criança TDA como aporte no desenvolvimento da melhoria da qualidade de vida e desempenho escolar, considerando aspectos positivos e de incentivos.
Os transtornos mais conhecidos ligados à educação hoje são o TDA – que se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade; Transtorno de Leitura chamado dislexia que envolve as áreas da leitura, escrita e soletração; Transtorno da Expressão Escrita disortográfica ligado à escrita e também associado à dislexia; Discalculia relacionado à matemática e suas operações; e Transtorno de Oposição Desafiadora,  ou seja o TOD, caracterizado pela desobediência e comportamento hostil.
É necessário que a escola e mais especificamente professor lance um olhar diferenciado sobre o TDA com a finalidade de valorizar os aspectos positivos de uma criança com essas dificuldades, procurando melhorar sua qualidade de vida e seu desempenho escolar.
O professor exerce papel fundamental neste processo, mantendo contato direto com a família e profissionais da saúde. Além do tratamento médico e/ou psicológico, é fundamental que a criança com TDA se sinta em um ambiente adequado e receptivo, aberto às diferenças e às variações no ritmo de aprendizagem. A criança precisa se sentir amada, incentivada e com a autoestima elevada.
Este trabalho de pesquisa terá como etapa fundamental a busca pelo conhecimento teórico e será “feito o levantamento, seleção e arquivamentos” de dados considerados importantes. A pesquisa bibliográfica pode ser feita em livros ou via Internet.
Sendo assim a pesquisa para elaboração do artigo será fundamentada em fontes bibliográficas.

UM OLHAR DIFERENCIADO SOBRE TDA



             O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico e não mais uma lesão neurológica. Nos anos 60, devido à dificuldade de comprovação da lesão neurológica, sua definição adquiriu uma perspectiva mais funcional, caracterizando-se como uma síndrome de conduta, tendo como sintoma primordial a atividade motora excessiva. Ela nasce com o indivíduo; aparece já na primeira infância e quase sempre acompanha o indivíduo por toda a sua vida.
            Caracteriza-se por sinais claros e repetitivos de desatenção, inquietude e impulsividade, mesmo quando a criança, jovem ou adulto tenta não mostrá-lo. Na década de 80, a partir de novas investigações, passou-se a ressaltar aspectos cognitivos da definição de síndrome, principalmente o déficit de atenção e a impulsividade ou falta de controle, considerando-se, além disso, que a atividade motora excessiva é resultado do alcance reduzido da atenção da criança e da mudança contínua de objetivos e metas a que é submetida.  É uma doença reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), tendo inclusive em muitos países, lei de proteção, assistência e ajuda tanto aos que têm este transtorno ou distúrbios quanto aos seus familiares.

           Há muita controvérsia sobre o assunto, alguns especialistas defendem o uso de medicamentos e outros que, por tratar-se de um Transtorno Social, o indivíduo deve aprender a lidar com ele sem a utilização de medicamentos ou ainda especialistas que entendem que a medicação e psicoterapia associadas podem ajudar.
             O TDA é caracterizado por três principais sintomas: distração, impulsividade e hiperatividade. Uma vez que estas três características são muito comuns na população infantil, é preciso saber distinguir uma criança TDAH de uma “normal”, afinal, são típicas da infância a agitação, as correrias, a falta de atenção em atividades encadeadas e um tanto prolongadas, principalmente se não tiverem algum atrativo especial.
            O sinal que pode diferenciar uma criança TDA de outra que não seja é a intensidade, a frequência e a constância das três principais características. Tudo na criança TDA parece estar “a mais”. Ela é mais agitada, mais bagunceira, mais impulsiva, mais distraída e mais dispersa.
            O principal instrumento para avaliar a possibilidade de uma criança ser TDA é a observação. O observador deve ser capaz de captar as nuanças, não somente no comportamento manifesto da criança, como também “pescar” nos relatos de pais e/ou   outras pessoas de seu convívio, os fatores que caracterizam uma criança com TDA. 
           De forma resumida, seguem algumas dicas que servem de auxílio para dar o primeiro passo rumo ao diagnóstico de TDA em uma criança, segundo Corinne Smith e Lisa Strick (2001, p.39):
• Frequentemente movimenta mãos ou pés ou se contorce na cadeira (em adolescentes pode estar limitado a sentimentos subjetivos de desconforto).
•Tem dificuldade de permanecer  sentado quando solicitado.
• Distrai-se facilmente com estímulos externos.
• Tem dificuldades de aguardar a vez em jogos ou situações de grupo.
• Frequentemente responde as perguntas antes de estas serem completamente formuladas.
• Tem dificuldade de seguir completamente as instruções dadas (não por birra ou falha na compreensão).
• Tem dificuldade de manter a atenção centrada nas tarefas ou atividades lúdicas.
• Frequentemente troca de uma atividade incompleta para outra.
• Tem dificuldade de brincar quieto.
• Frequentemente fala excessivamente.
• Frequentemente interrompe ou intromete-se nas atividades dos outros.
• Frequentemente parece não estar ouvindo o que se lhe diz.
• Frequentemente perde coisas necessárias para tarefas ou atividades na escola ou em casa (brinquedos, livros, lápis, etc.).
• Frequentemente envolve-se em atividades fisicamente arriscadas sem considerar as possíveis consequências (não em busca de aventura) como atravessar repentinamente a rua sem olhar.
            O fato é que o TDA é um distúrbio muito comum  e afeta cerca de 5 a 6% das crianças em idade escolar sendo mais frequente nos meninos (três para cada menina, segundo Kendall, 1993).
A hiperatividade é conceituada como um subtipo do TDA que a inclui.
Atualmente o diagnóstico de hiperatividade reflete um conceito nos quais componentes cognitivos e motores coexistem e envolve atividade motora elevada, impulsividade, déficit na atenção e na conduta social e agressividade.
             É comum que o avanço da idade traga melhoras aos períodos de atenção e facilite a terapia centrada na modificação dos hábitos negativos e valorização das atitudes positivas.

ASPECTOS POSITIVOS DO TDA: Segundo Ana Beatriz Barbosa Silva

            O TDA tem muitas conotações negativas e, infelizmente, por causa disso, as características positivas das pessoas diagnosticadas são ignoradas apesar destas demandarem maior incentivo nesse sentido.
Até o momento estão relacionadas algumas características positivas frequentes nos portadores do TDA:
• Sensibilidade.
• Compreensão dos sentimentos alheios.
• Sentimentos profundos.
• Naturalmente criativos (incluindo a solução de problemas).
• Inventivos.
• Frequentemente veem as coisas de uma perspectiva peculiar.
• Bons em encontrar coisas perdidas (como pessoas em uma multidão).
• Têm percepção acurada.
• Cômicos.
• Espontâneos.
• Engraçados.
• Energéticos.
• Abertos, transparentes.
• Não guardam ressentimentos.
• Rápidos nas atividades que gostam de realizar.
• Difíceis de enganar.
• Penetram as pessoas e situações vendo além das aparências.
• Seguros.
• Sociáveis.
• Multidisciplinares.
• Originais.
• Observadores.
• Leais.
• Tendidos a realizarem tarefas porque querem e não porque devem.
           O constante estímulo destas habilidades e de todas as que as crianças acometidas pelo TDA possam apresentar, representam um grande passo na direção da minimização dos sintomas habitualmente descritos e na construção de uma forte autoestima, tão necessária nestes casos.
           Não é tarefa do professor o diagnóstico do TDA, entretanto se pode e deve fazer perguntas, saber se a criança fez teste de audição e visão recentemente e afastar a possibilidade de outros problemas médicos. Esteja certo de que uma avaliação adequada seja feita. A responsabilidade é dos pais, mas o professor deve dar suporte ao processo.
          Para melhorar a qualidade de vida de uma criança TDA e garantir um aproveitamento escolar satisfatório, a escola e a família precisam estar em fina sintonia.
          As crianças com TDA são geralmente muito intuitivas. Elas podem dizer como aprendem melhor se você perguntar-lhes, mas podem sentir-se embaraçadas com as informações já que estas são frequentemente excêntricas. Procure sentar-se com a criança individualmente e perguntar-lhe como ela pode aprender melhor. A própria criança é a pessoa mais indicada para dar tal informação, mas normalmente ela não é consultada sobre isso. Especialmente com crianças maiores, certifique-se de que sabem o que vem a ser o TDA. Isso ajudará a ambos.
          É importante lembrar-se da emoção envolvida no ato de aprender. Essas crianças precisam de ajuda extra para encontrarem prazer na sala de aula. As pessoas com TDA precisam ouvir as coisas mais de uma vez.
            Tarefas longas confundem-nas rapidamente e as levam a um sentimento de incapacidade e resposta negativa do tipo "Eu nunca serei capaz de fazer isso". Dividir as atividades em partes manuseáveis, cada parte parecendo pequena o suficiente para ser realizada, poderá fazer com que a criança deixe de lado o sentimento de incapacidade.
Em geral, estas crianças podem fazer muito mais do que pensam que podem. Dividindo as atividades, o professor permite que elas provem isto a elas mesmas. Com crianças mais novas isso pode ajudar a evitar o nascimento da frustração. Com crianças maiores isso pode ser útil para evitar as atitudes defensivas que tão frequentemente bloqueiam seus caminhos.
            As pessoas com TDA adoram brincar. Elas respondem com entusiasmo e isso ajudará a focalizar a atenção. Uma boa parte do tratamento do TDA envolve as regras, agendas, listas e outras coisas chatas que você atenuará sendo um professor mais alegre.
           Essas crianças convivem com tantas derrotas que precisam de todo incentivo possível. Elas adoram ser encorajadas e crescem com isso. Sem isso elas "encolhem" e "apagam". Frequentemente o aspecto mais devastador do TDA não é a patologia em si, mas os danos secundários à autoestima causados principalmente pelo estigma.
           Muitas crianças com TDA são vistas como egoístas quando, na verdade, elas apenas não aprenderam a interagir. Esta habilidade não vem naturalmente em todas as crianças, mas pode ser ensinada ou treinada.
           Essas crianças são muito mais talentosas do que aparentam ser. É muito importante que se estimule constantemente.
           Pessoas como Einstein, Arquimedes, Leonardo da Vinci, Ampere e outras tantas mais que conseguiram ultrapassar as dificuldades em sua infância e puberdade possivelmente o fizeram mediante um grande esforço no sentido de superarem a si mesmos, mas em épocas em que talvez o brilhantismo não fosse tão cobrado dos indivíduos como nesta em que vivemos.
          Hoje apenas começa-se a compreender a necessidade de respeitarmos as individualidades desde a mais tenra infância e o nosso compromisso de cultivadores de mentes mais sadias e verdadeiramente mais felizes com a possibilidade de recriar livremente uma nova sociedade para uma nova história do homem.
         Sabe-se que não existe uma solução simples ou mágica no trato com as crianças TDAs e que tudo requer tempo, dedicação e persistência. Com o empenho da família, dos profissionais da saúde e do ensino vão de terminar o futuro dessas crianças rumo a uma vida menos caótica e mais feliz.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

         As crianças portadoras de TDA só conseguem manter o foco em algum assunto quando se sentem emocionalmente envolvidas e interessadas por ele.
         Para melhorar a qualidade de vida de uma criança TDA e garantir um aproveitamento escolar satisfatório, a escola e a família precisam estar em fina sintonia. Tanto os pais quanto os professores, orientadores educacionais e os profissionais da saúde que acompanham a criança devem manter um contato estreito. É fundamental que a criança com TDA se sinta em um ambiente adequado e receptivo, aberto às diferenças e às variações no ritmo de aprendizagem.


REFERÊNCIAS

Silva, Ana Beatriz B. Mentes Inquietas: TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade/ Ana Beatriz Barbosa Silva. – Rio de Janeiro : Editora Objetiva, 2009.

Smith, Corine – Dificuldades de aprendizagem de a a z /Corinne Smith e Lisa Strick. –Porto Alegre: ARTMED Editora, 2001.

Artigos Educação/Pedagogia www.profala.com/artigoseducesp.htm:  Acessado  em 23 de outubro de 2011

http://portal.aprendiz.uol.com.br/2011/10/10/alunos-ou-pacientes/  Estudantes ou pacientes? Raiana Ribeiro: acessado em 13 de novembro de 2011


[1]           [1]Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Educação Especial Inclusiva Com Enfase Em Deficiência Intelectual, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.
[2]           Orientador do curso de Pós-Graduação em Educação Especial Inclusiva Com Enfase Em Deficiência Intelectual, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg. 

terça-feira, 13 de março de 2012

Por dentro do cérebro - Dr. Paulo Niemeyer Filho / Neurocirurgião

O que fazer para melhorar o cérebro ?

Resposta: Vc tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, reclamando de tudo com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter alegria. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.


PODER: Cabeça tem a ver com alma?


PN: Eu acredito que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. Isto comprova que os sentimentos se originam no cérebro e não no coração.

PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?

PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?

PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas
morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.

PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?

PN: Todo exagero. Na bebida, nas drogas, na comida, no mau humor, nas reclamações da vida, nos sonhos, na arrogância, etc. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bom num corpo muito maltratado, e vice-versa.

PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?

PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente que te faz
infeliz. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?
PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem mentalmente, com saúde, e bom aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha.

PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?

PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai
funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

Você acredita em Deus?
PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai até a família e diz: "Ele está salvo". Aí, a família olha pra você e diz:
"Graças a Deus!". Então, a gente acredita que não fomos apenas nós, que existe algo mais, independente de religião.

A entrevista completa esta no site:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/posts/2011/06/24/por-dentro-do cerebro-388256.asp



quinta-feira, 1 de março de 2012

TDAH: IDENTIFICAÇÃO, CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E INTERVENÇÕES


Adriana Aparecida de Almeida Marcolin[1]

Ibrahim Georges Cecyn Moussa [2]

RESUMO

Esta pesquisa propôs como tema de estudo os mecanismos existentes para a identificação do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, reconhecendo as causas, consequências e as propostas de intervenção, vinculando à necessidade de prover um atendimento que contemple as necessidades da pessoa comprometida. A pesquisa buscou desvendar os sujeitos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade através das características que os identificam, analisando os instrumentos utilizados no processo de identificação e a concepção de TDA/H, abordando os mitos e as crenças errôneas que cercam este tema. São apresentados no desenvolvimento deste trabalho, os procedimentos adotados para uma intervenção que beneficie a pessoa com o transtorno em foco. A lacuna existente entre a realidade vivida pelos indivíduos com déficit de atenção e hiperatividade e a realidade esperada pelas pessoas que convivem com estes, é significativa. Boa parte das pessoas expressa seu pensamento a respeito do assunto com certo descaso e agem consciente ou inconscientemente, com rejeição ao comportamento das pessoas comprometidas. A quantidade de vivências e experiências problemáticas vivenciadas pelos portadores de TDA/H, na família, na escola ou em qualquer outro lugar requer dos pesquisadores uma análise, para que as pessoas afetadas tenham encaminhamentos eficazes, frente às necessidades especiais e às diferenças.

Palavras-chave: TDA/H; Transtornos Secundários; Intervenções;Metodologias.

INTRODUÇÃO

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é um dos problemas significativos com que se defrontam famílias, educadores, médicos e especialistas de diferentes áreas. Muitas vezes, a doença é descrita como o transtorno da moda, sem que haja um conhecimento aprofundado a respeito do assunto. As queixas presentes costumam descrever mau comportamento e desempenho acadêmico, falta de atenção, desregramento e dificuldade de relacionamento social.

Os referenciais teóricos e as experiências ambientais norteiam e orientam a organização deste trabalho, apresentando em seu desenvolvimento os procedimentos de identificação da pessoa com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, reconhecendo as possíveis causas, consequências e algumas propostas de intervenção responsáveis, para que haja contribuições que diminuam as consequências negativas, tão rotineiras atualmente, na vida dos indivíduos afetados.

Os conflitos presentes na vida dos alunos com TDA/H são muitos e estarão sendo abordados no decorrer da pesquisa. Grande parte dos educadores estão despreparados para trabalhar com as pessoas que tem este transtorno, desconhecendo ou ignorando uma realidade educacional descrita pela diversidade de indivíduos em seus diferentes estilos, sem considerar que a democratização amplia as oportunidades educacionais e as especificidades são relevantes para a harmonização do processo educacional, tornando-se necessário a proposição de alternativas inovadoras frente às diferenças.

1. TDAH: IDENTIFICAÇÃO, CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E INTERVENÇÕES.

A atenção às necessidades de cada aluno forma uma estrutura básica para melhorar a qualidade da educação. Evidentemente para promover um atendimento eficaz e com objetivos voltados ao paradigma da inclusão, espera-se que redes de apoio integrem-se e promovam o atendimento de todas as pessoas, reconhecendo e atendendo adequadamente suas necessidades especiais. No entanto, quando educadores se deparam com típicos casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade a situação se modifica. Reforçam-se práticas excludentes e descomprometidas. Então se pergunta: afinal quem é a pessoa com o diagnóstico de TDA/H?

Este transtorno apresenta manifestações de condutas atípicas que problematizam o contexto social e a aprendizagem das pessoas afetadas. O diagnóstico considera algumas características e é realizado por profissional especialista. A questão apresentada parte da necessidade de conhecer os critérios utilizados para a identificação, a análise das causas e das consequências, além do esclarecimento sobre os procedimentos interventivos recomendados, especialmente no que se refere ao trabalho psicopedagógico

Os professores tendem a superestimar os sintomas de TDAH, principalmente quando há presença concomitante de outro transtorno disruptivo do comportamento. Com adolescentes, a utilidade das informações dos professores diminui significativamente, na medida em que o adolescente passa a ter vários professores (currículo por disciplinas) e cada professor permanece pouco tempo em cada turma, o que impede o conhecimento específico de cada aluno. Pelo exposto, o processo de avaliação diagnóstica envolve necessariamente a coleta de dados com os pais, com a criança e com a escola (ROHED et al, 2000).

A compreensão sobre as diversidades funcionais individuais é um desafio para especialistas e educadores, considerando que os sistemas funcionais e as funções executivas têm repercussão no aprendizado e comportamento como um todo.

Para ajuizar a normalidade ou não destas aquisições, o profissional apto vinculado à criança, necessariamente deverá conhecer como se processa este aprendizado, os fatores participantes, suas características evolutivas, e as chamadas variações da normalidade, que irão expressar as peculiaridades individuais. De posse desse conhecimento, terá plenas condições para determinar se está ou não havendo algum desvio de aprendizado (ROTTA; OHLWEILER; RIESGO, 2006)

É comum encontrar crianças mais ativas, mais exuberantes, menos atentas e mais impulsivas que os adultos. No entanto, quando essas especificidades chamam muito a atenção por representarem dificuldade no controle dos impulsos e os problemas de comportamento parecerem excessivos, recomenda-se uma investigação técnica por profissional capacitado, considerando a possibilidade de se tratar de um típico caso de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Hoje, a maioria dos profissionais clínicos – médicos, psicólogos, psiquiatras e outros – acreditam que o TDAH consiste em três problemas primários na capacidade de um indivíduo controlar seu comportamento: dificuldades em manter sua atenção, controle ou inibição dos impulsos e da atividade excessiva. Outros profissionais adicionais: dificuldades para seguir regras e instruções e variabilidade extrema em suas respostas a situações (particularmente tarefas ligas ao trabalho). Acredito que todos esses sintomas estão associados a um déficit primário na inibição do comportamento, que é o símbolo do TDAH (BARKLEY, 2008).

No campo educacional, percebe-se que alguns educadores analisam alguns padrões e perfis de personalidade e comportamento que os levam a acreditar que se trata de um aluno com TDA/H.

O transtorno de déficit de Atenção e Hiperatividade, ou TDAH, é um transtorno de desenvolvimento do autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção, com o controle do impulso e com o nível de atividade. Esses problemas são refletidos em prejuízos na vontade da criança ou em sua capacidade de controlar seu próprio comportamento relativo a passagem do tempo – em ter em mente futuros objetivos e conseqüências (BARKLEY, 2002)

As queixas dos professores são angustiantes. Há uma descrição caótica de comportamento e inabilidade em aprender, sem muitas vezes considerar que o aluno com TDA/H sofre muito, inclusive a rejeição do próprio educador e dos colegas.

Os professores queixam-se de que a criança interrompe não se senta quieta, não presta atenção, não termina seus trabalhos ou não escuta. Incapaz de planejar ou aderir a um curso de ação, a criança logo começa a decair em seu desempenho escolar. Talvez ainda mais doloroso, a criança é deixada para trás também socialmente (SMITH; STRICK, 2001)

Os indivíduos que apresentam problemas de comportamento, atenção, superatividade e que a falta de inibição atingem certo nível, além de uma incapacidade em seu desenvolvimento intelectual, devem ser avaliados por profissionais (neurologistas, psiquiatras, psicólogos, pediatra, psicopedagogos e educadores), que utilizam procedimentos de identificação para o diagnóstico do transtorno e seu manejo, a fim de que se possa oferecer uma atenção educacional especializada a estes alunos e fortalecer os pais em sua missão de assumir o controle, dando conta desse problema e fazendo com que seus filhos sejam encaminhados de maneira a assegurar a saúde de toda a família, individual e coletivamente.

Muitos pais percebem por si próprios, durante os anos pré-escolares, que seu filho parece se comportar de forma diferente de outras crianças. A hiperatividade, a falta de atenção e de controle das emoções, a agressividade, a excitabilidade e outros sintomas se tornam difíceis de serem ignorados. Às vezes, também é óbvio que os métodos da tentativa e erro usados para conduzir outras crianças com alterações de comportamento e temperamento não estão surtindo mais efeito (BARKLEY, 2002).

A definição de quem são as pessoas com TDA/H deve ser considerada por profissionais da saúde (médico ou psicólogo), embora seja comum uma equipe integrada de diferentes profissionais.

O TDAH é um dos transtornos mais bem estudados na medicina e os dados gerais sobre sua validade são muito mais convincentes que a maiorias dos transtornos mentais e até mesmo que muitas condições médicas (MATTOS, 2008).

Segundo Cool, Palácios e Marchesi (1995, p 163),

[...] a conduta impulsiva nas crianças hiperativas, constitui um dos aspectos relevantes do distúrbio, observando-se uma tendência à satisfação imediata de seus desejos e pouca tolerância à frustração.As interações com os iguais são reduzidas, dado que as próprias características da criança hiperativa (impulsividade, agressividade, etc.) tendem a provocar a rejeição dos outros. Carecem, portanto, do tipo de experiência que proporcionam estas interações, e que são de vital importância para o desenvolvimento social do indivíduo. O isolamento e rejeição social têm, além do mais, consequências negativas sobre a valorização de si mesma (COOL; PALACIOS; MARCHESI, 1995).

A compreensão sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, as prováveis causas e as consequências que o TDAH provoca, exige leitura e pesquisa, a fim de promover práticas consistentes para a superação dos maiores entraves apontados e para avanços interventivos promissores.

Os Tas (Transtornos de Aprendizagens) ocorrem de maneira concomitante entre si e com déficits em habilidades sociais, transtornos emocionais e transtornos de atenção. Desse modo, um estudante com Tas pode ter um problema em mais de uma área – uma condição chamada de co-morbidade (FLETCHER; LYONS; FUCHS et al, 2009).

Os transtornos de aprendizagens comumente acompanham os transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, sendo imprescindível a presença de profissional psicopedagogo para suprir as lacunas existentes, decorrentes dos atrasos de aprendizagem evidenciados.

Cerca de 25 a 30% das crianças e adolescentes com TDA/H apresentam problemas de aprendizagem secundários ou associados ao transtorno. Nesses casos, a intervenção psicopedagógica é fundamental. É importante ressaltar que a maioria dos adolescentes com o transtorno são diagnosticados tardiamente. Logo, já existem lacunas de aprendizagem que necessitam ser abordadas por meio de um trabalho de reconstrução das habilidades e conteúdos. Tal reconstrução deve ser feita por um profissional especializado (psicopedagogo ou fonoaudiólogo), pois o tratamento sintomatológico ou de reforço de conteúdo não resolve as seqüelas de aprendizagem que ficaram para trás. Em conjunto ou após o atendimento psicopedagógico, às vezes, é necessário um acompanhamento pedagógico, feito pelo professor, que ajude a prevenir novas lacunas de aprendizagem (RODHE; BENCZIK, 1999).

O TDA/H não-tratado pode fazer com que o indivíduo fique mais frustrado e obtenha menos sucesso na escola. Segundo BROWN (2007, p 153) “uma combinação de interação bioquímica e fatores psicológicos pode estar por trás das taxas elevadas de muitos transtornos de motivação e de sentido de alerta entre aqueles com TDAH”.

No âmbito das intervenções psicossociais, o primeiro passo deve ser educacional, através de informações claras e precisas à família a respeito do transtorno. Muitas vezes, é necessário um programa de treinamento para os pais, a fim de que aprendam a manejar os sintomas dos filhos. É importante que eles conheçam as melhores estratégias para o auxílio de seus filhos na organização e no planejamento das atividades. Por exemplo, essas crianças precisam de um ambiente silencioso, consistente e sem maiores estímulos visuais para estudarem (RODHE et al, 2000).

É importante que se conheça bem o TDAH, suas causas, as consequências na vida dos portadores e na de seus familiares, bem como as possibilidades de tratamento. Quanto mais se conhece certo problema, maiores são as chances de administrá-lo bem, portanto, é necessário pesquisa e envolvimento.

Intervenções no âmbito escolar também são importantes. As intervenções escolares devem ter como foco o desempenho escolar. Nesse sentido, idealmente, as professoras deveriam ser orientadas para a necessidade de uma sala de aula bem estruturada, com poucos alunos. Rotinas diárias consistentes e ambiente escolar previsível ajudam essas crianças a manterem o controle emocional. Estratégias de ensino ativo que incorporem a atividade física com o processo de aprendizagem são fundamentais. As tarefas propostas não devem ser demasiadamente longas e necessitam ser explicadas passo a passo. É importante que o aluno com TDAH receba o máximo possível de atendimento individualizado. Ele deve ser colocado na primeira fila da sala de aula, próximo à professora e longe da janela, ou seja, em local onde ele tenha menor probabilidade de distrair-se. Muitas vezes, as crianças com TDAH precisam de reforço de conteúdo em determinadas disciplinas. Isso acontece porque elas já apresentam lacunas no aprendizado no momento do diagnóstico, em função do TDAH. Outras vezes, é necessário um acompanhamento psicopedagógico centrado na forma do aprendizado, como, por exemplo, nos aspectos ligados à organização e ao planejamento do tempo e de atividades. O tratamento reeducativo psicomotor pode estar indicado para melhorar o controle do movimento (RODHE et al, 2000).

As recomendações dos especialistas mostram medidas interventivas eficazes, no entanto, muitas vezes contradizem com o quadro estabelecido nas escolas. As salas de aulas são lotadas de alunos, muitos desses apresentando necessidades especiais, o profissional devendo cumprir uma rotina diária de muito trabalho, muitas vezes em situação de stress e as escolas com projetos pedagógicos deficitários, desarticulados e descomprometidos com as especificidades de seus alunos.

As intervenções psicossociais também contribuem significativamente para a melhora do quadro de TDA/H nas crianças e nos adolescentes.

Em relação às intervenções psicossociais centradas na criança ou no adolescente, a psicoterapia individual de apoio ou de orientação analítica pode estar indicada para: a) abordagem das comorbidades (principalmente transtornos depressivos e de ansiedade); e b) a abordagem de sintomas que comumente acompanham o TDAH (baixa auto-estima, dificuldade de controle de impulsos e capacidades sociais pobres). A modalidade psicoterápica mais estudada e com maior evidência científica de eficácia para os sintomas centrais do transtorno (desatenção, hiperatividade, impulsividade), bem como para o manejo de sintomas comportamentais comumente associados (oposição, desafio, teimosia), é a cognitivo-comportamental, especialmente os tratamentos comportamentais. Entretanto, os resultados recentes do MTA (ensaio clínico multicêntrico, elegantemente desenhado, que acompanhou 579 crianças com TDAH por 14 meses divididas em quatro grupos: tratamento apenas medicamentoso, apenas psicoterápico comportamental com os crianças e orientação para os pais e professores, abordagem combinada e tratamento comunitário) demonstram claramente uma eficácia superior da medicação nos sintomas centrais do transtorno quando comparada à abordagem psicoterápica e ao tratamento comunitário. Entretanto, a abordagem combinada (medicação + abordagem psicoterápica comportamental com as crianças e orientação para os pais e professores) não resultou em eficácia maior nos sintomas centrais do transtorno quando comparada a abordagem apenas medicamentosa. A interpretação mais cautelosa dos dados sugere que o tratamento medicamentoso adequado é fundamental no manejo do transtorno (RODHE et al, 2000).

As intervenções pedagógicas, psicopedagógicas, psicoterapêuticas, clínicas e familiares são muito importantes, porém as intervenções psicofarmacológicas são significativamente relevantes no processo de estimulação neuro-cerebral, contribuindo significativamente para a regularização das funções comportamentais relacionadas aos sintomas do TDAH.

Em relação às intervenções psicofarmacológicas, serão discutidos apenas os aspectos mais recentes ou controversos. [...] No Brasil, o único estimulante encontrado no mercado é o metilfenidato. A dose terapêutica normalmente se situa entre 20 mg/dia e 60 mg/dia (0,3 mg/kg/dia a 1 mg/kg/dia). Como a meia-vida do metilfenidato é curta, geralmente utiliza-se o esquema de duas doses por dia, uma de manhã e outra ao meio dia. Cerca de 70% dos pacientes respondem adequadamente aos estimulantes e os toleram bem. Essas medicações parecem ser a primeira escolha nos casos de TDAH sem comorbidades e nos casos com comorbidade com transtornos disruptivos, depressivos, de ansiedade, da aprendizagem e retardo mental leve. A primeira indicação é de uso de estimulante e, se necessário, indica-se agregar um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, como a fluoxetina (RODHE et al, 2000).

O acolhimento da criança comprometida em redes de apoio, em um clima de parcerias e co-responsabilidades evidencia a efetiva melhora do quadro de TDAH, desencadeando processos psicossociais e de aprendizagem esperados como padrão estabelecido socialmente.

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é uma síndrome psiquiátrica de alta prevalência em crianças e adolescentes, apresentando critérios clínicos operacionais bem estabelecidos para o seu diagnóstico. Modernamente, a síndrome é subdividida em três tipos principais e apresenta uma alta taxa de comorbidades, em especial com outros transtornos disruptivos do comportamento. O processo de avaliação diagnóstica é abrangente, envolvendo necessariamente a coleta de dados com os pais, com a criança e com a escola. O tratamento do TDAH envolve uma abordagem múltipla, englobando intervenções psicossociais e psicofarmacológicas, sendo o metilfenidato a medicação com maior comprovação de eficácia neste transtorno (RODHE et al, 2000).

Mais importante que caracterizar os sujeitos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e analisar os instrumentos utilizados na identificação é compreender os mitos que acercam o assunto, assim como as necessidades apresentadas por esses indivíduos, contribuindo de maneira dinâmica, organizada e responsável para a promoção de uma intervenção benéfica e eficaz.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é um fenômeno que está sendo acompanhado com críticas, por ser considerada a doença da moda, embora reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. As causas, consequências e propostas de intervenção foram apontadas no desenvolvimento deste trabalho, verificando-se à grande necessidade de uma atenção especial aos detentores desta doença. Após finalizar esta pesquisa, percebeu-se o quanto as informações sobre as características da pessoa com TDA/H poderão nortear e auxiliar na compreensão dos indivíduos afetados, para que se efetive o acolhimento e não o desprezo, a inclusão e não a exclusão e haja mais solicitude no atendimento às necessidades evidenciadas.Conclui-se que é preciso conscientizar as pessoas para que se promovam estratégias reparadoras, ao invés de punitivas, permitindo e dando condições para que indivíduos com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade se reorganizem internamente e, por conseguinte, aumentem a auto-estima, sejam valorizados e aceitos socialmente.

REFERÊNCIAS

BARKLEY, Russel A. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Porto Alegre: Artmed, 2002. Reimpressão 2008.

BROWN, Thomas. Transtorno de Déficit de Atenção: A mente desfocada em crianças e adultos. Porto Alegre: Artmed Editora S.A. 2007. Reimpressão 2008.

COOL, César; PALACIOS, Jesús; MARCHESI, Álvaro. Desenvolvimento psicológico e educação; necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. v.3. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

FLETCHER, Jack M.; LYONS, G. Reid; FUCHS, Lynn et al. Transtornos de Aprendizagem: da identificação à intervenção. Porto Alegre: Artmed Editora S.A., 2009.

MATTOS, Paulo. No Mundo da Lua: Perguntas e Respostas sobre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade em Crianças, Adolescentes e Adultos. 8.ed. ver. e atual. São Paulo: Casa Leitura Médica, 2008.

RODHE, Luís Augusto P.; BENCZIK, Edyleine B. P. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: o que é? Como ajudar? Porto Alegre: Artmed, 1999.

ROHDE, Luis Augusto; BARBOSA, Genário, Tramontina, Silzá e POLANCZYK, Guilherme. Transtorno de déficit de Atenção / hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, suppl.2, pp 07-11. ISSN 1516-4446: 10.1590/S1516-44462000000600003doi.

ROTTA, Newra Tellechea; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da Aprendizagem: Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. Reimpressão 2007.

SMITH, Corine; STRICK, Lisa. Dificuldades de Aprendizagem de A a Z: um guia completo para pais e educadores. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.


[1]Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

2 Orientador do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

UM CONVITE AO CONVÍVIO COM AS DIFERENÇAS: A INCLUSÃO DO ALUNO SURDO EM CLASSE REGULAR.

Ana Carla Lima Hoffman1

Ibrahim Georges Cecyn Moussa2

RESUMO

Quando se fala de inclusão dos alunos surdos em classe regular a primeira preocupação que surge é referente à tarefa de tentativa de mudança. É preciso ter a certeza de que é possível transformar a realidade em favor da qualidade de vida do deficiente auditivo. A inclusão dos surdos em escola com classe regular é complexa, com múltiplas causas e com conseqüências para as crianças e jovens tanto na idade escolar como na vida adulta, deixando marcas que jamais poderão ser apagadas. Neste contexto existe a escola que mesmo sendo vítima de diversos outros casos de inclusão, precisa fazer com que o ser humano se sinta parte importante da sociedade em que vive e que deve modificar-se para melhor, mesmo com seus limites dentro do processo ensino-aprendizagem. Abordar as dificuldades encontradas no processo de ensino-aprendizagem como uma das manifestações da dificuldade encontrada pelos alunos surdos na escola é abrir um caminho repleto de reflexões, pois as crianças que embora tenham acesso à escola, não obtêm o aprendizado. Assim é necessário que se reflita sobre as causas e conseqüências, que levam o educando com deficiência auditiva a apresentar baixa autoestima, atitudes passivas, transtornos emocionais, problemas psicossomáticos, depressão, ansiedade, somando a isso, a perda de interesse pelas questões relativas aos estudos, o qual pode desencadear uma situação de fracasso escolar.

PALAVRAS-CHAVE: Inclusão; Surdos; Escolas; Crianças; Professores.

PROBLEMATIZAÇÕES INICIAIS

A inclusão do aluno surdo em classe regular representa um problema para a escola, já que a mesma não tem preparo para atendimento e aceitação deste educando.

Há vários anos tem se falado muito em inclusão dos alunos surdos em classe regular. Inúmeras reportagens são realizadas mostrando caso de pais com crianças portadores de deficiência auditiva que buscam as escolas para que possam dar a seus filhos a oportunidade de socialização e aprendizagem juntamente com crianças ditas normais, porém nesse contexto depara-se com inúmeros obstáculos, os quais parecem ser muito difíceis de serem superados.

A inclusão dos deficientes auditivos na escola regular vem sendo abordado a partir de diferentes perspectivas, dentre elas os direitos da pessoa com deficiência e o exercício da cidadania, a exposição à língua de sinais ou ao português, todavia ainda há pouca discussão a inclusão por parte dos professores envolvidos neste processo, onde se percebe que o termo inclusão muitas vezes ainda é confundido com integração.

Segundo definição do dicionário Aurélio, inclusão é o ato de incluir, de compreender (entender alguém, aceitá-lo como é), abranger (conter em si, mas também, aprender, perceber, entender, alcançar, atingir).

O ser humano vive em constante processo de aprendizagem, e o papel da escola é ensinar para a vida, o processo ensino-aprendizagem permite tanto ao educador quanto ao educando trocar experiências, considerando que a escola é o melhor ambiente para as pessoas projetarem-se para futuro.

Para que a inclusão escolar seja real, o professor da classe regular deve estar sensibilizado e capacitado (tanto psicológica quanto intelectualmente) para “mudar sua forma de ensinar e adaptar o que vai ensinar” para atender às necessidades de todos os alunos, inclusive de alguns que tenham maiores dificuldades.

Os cursos ou programas de formação e capacitação docente ao mesmo tempo em precisam dar condições efetivas para que o professor trabalhe de imediato com seus alunos, não pode ser uma capacitação voltada apenas para questões pontuais (tipo receita-de-bolo) e sim proporcionar aprofundamento teórico-metodológico que lhe permita se transformar em um professor que possa refletir e re-significar sua pratica pedagógica para atender à diversidade.

Para que possa se transformar o currículo tradicional em um “currículo inclusivo” faz-se necessário se repensar a prática pedagógica dos professores em geral. A mudança de paradigma que a inclusão traz em relação ao modelo de integração é em vez do aluno com deficiência se adaptar ao sistema, a escola regular como um todo incluindo, sobretudo, os professores – principais atores desse processo – tem que se transformar

1.0 Aspectos Históricos dos surdos

A história dos surdos registra que, como grupo, possui uma língua, uma identidade e uma cultura. Carlos Skliar (1998, p.29) afirma que os estudos Surdos em educação podem ser pensados como um território de investigação educacional e de proposições políticas que através de um conjunto de concepções lingüísticas, culturais, comunitárias e de identidades, definem uma aproximação com o conhecimento e com os discursos sobre a surdez e sobre o mundo dos surdos.

No passado os surdos eram considerados incapazes de serem ensinados, por estes motivos não freqüentavam escolas, sendo que as pessoas surdas e principalmente as que não falavam eram excluídas da sociedade, chegando a serem “proibidas” de casar, de possuir ou herdar bens e viver com as demais pessoas ditas normais, ficando desta forma com todos seus direitos e sua sobrevivência comprometidos.

Dentre alguns registros sobre a história dos surdos afirma-se que no final do século, não havia escola especializada para surdos e as pessoas ouvintes tentavam ensiná-lo da melhor forma.

Nos séculos seguintes alguns professores dedicaram-se a educação de surdos, podendo ser destacados nomes como: Ivan Pablo Bonet (Espanha) e Ovide Decroly (Bélgica), entre outros tantos importantes;

Esses professores divergiam quanto ao método mais indicado para ser adotado para a educação dos surdos, uns acreditavam que o ensino deveria priorizar a língua falada e outros utilizavam a língua de sinais, que já era conhecida pelos alunos, associado à língua falada.

Em 1857, o professor Francês Hernest Huet, que inclusive era surdo veio ao Brasil convidado pelo D. Pedro II para fundar a primeira escola para meninos surdos de nosso país: IMPERIAL INSTITUTO DE SURDOS E MUDOS, hoje INSTITUTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE SURDOS, que é mantido pelo governo federal, que atende crianças, jovens e adultos surdos.

No século XX aumentou o número de escolas para surdos no mundo todo.

No Brasil, as secretarias Estaduais e Municipais de Educação passaram a coordenar o ensino de crianças com necessidades especiais e surgiram as salas de recursos e classes especiais para os surdos;

Como a organização das minorias no âmbito mundial, por terem garantido seus direitos de cidadãos, as pessoas portadoras de necessidades especiais passaram a apresentar reivindicações que, no caso dos surdos, são: o respeito a língua de sinais, a um ensino de qualidade, acesso aos meios de comunicação (legendas e uso do TDD), serviços de intérpretes entre outras.

Do ponto de vista educacional, a surdez refere-se à incapacidade de aprender a linguagem por via auditiva.

A partir da Lei 10436, o governo brasileiro reconhece a LIBRAS, como língua, e os surdos tem o direito que nas instituições educacionais, as aulas sejam ministradas em LIBRAS, pelo menos com a presença de um intérprete, pois a surdez não interfere no desenvolvimento cognitivo.

O atual contexto pode ser caracterizado por transformações desenvolvidas historicamente em diversos aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais, aos quais estão diretamente ligados aos avanços tecnológicos. Este momento contextual, marcados por constantes mudanças, demanda da educação de um modo geral uma aproximação da realidade, exigindo assim, da escola novas formas de pensar e agir frente às necessidades, exigências e potencialidades traçadas por tais avanços.

Dentre as inúmeras abordagens teóricas no campo educacional pode se destacar a visão comportamentalista como uma das abordagens que melhor explica a aquisição da linguagem em crianças ouvintes, contribuindo assim diretamente para a compreensão desse processo em crianças surdas, sendo a maior preocupação desta abordagem teórica frente ao deficiente auditivo é desvendar como a criança surda deve ser ensinada a falar.

É importante a escola promover um espaço para que os professores de demais profissionais que lá atuam possam dialogar trocar experiências e desenvolver novos métodos de ensino e enfrentamento das dificuldades vividas em sala de aula, pois as questões com a inclusão dos surdos em classe regular na escola são complexas demais para serem trabalhadas isoladamente.

Pode-se também ressaltar o conceito de Escola Inclusiva conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial MEC.

[…] implica uma nova postura da escola comum, que propõe no projeto político pedagógico, no currículo, na metodologia de ensino, na avaliação e na atitude dos educandos, ações que favoreçam a integração social e sua opção por práticas heterogenias. A escola capacita seus professores, prepara-se, organiza-se e adapta-se para oferecer educação de qualidade para todos, inclusive, para os educandos com necessidades especiais.[....] (Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial MEC/SEESP, 1998),

Ou seja, a Educação Especial já não é mais concebida como um sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de medidas que a escola regular põe ao serviço de uma resposta adaptada à diversidade dos alunos.

Neste contexto, a instituição escolar passa a ser alvo de questionamentos e de conflitos, provavelmente, por expor a diversidade e o compartilhamento de interesses, contradições, expectativas e identidades. Muitas são as ansiedades que movimentam as transformações em busca do que se julga ser o ideal, correspondendo às necessidades específicas de todos.

1.2 A Inclusão do Aluno Surdo em Classe Regular

A inclusão do deficiente auditivo nas escolas é uma realidade inegável, tendo a sociedade que organizar-se de modo a procurar alternativas para atender esta deficiência sendo que a escola de igual forma terá que ajustar. As famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando esta à escola esta responsabilidade, por vergonha ou receio de possuir um familiar com esse tipo de necessidade.

Incluir os surdos nas escolas regulares não é uma problemática nova, todavia tem assumido proporções de tal maneira que os educandários por vezes não têm opção, pois seus profissionais não estão preparados.

A questão a descobrir é onde estaria a raiz do problema?

É preciso incluir sem excluir não sendo possível atender uma criança portadora de deficiência auditiva ignorando suas características, nem tão pouco tratá-la diferente dos demais colegas. É preciso perceber que ao tratar o incluso como se não tivesse deficiência, seria ignorar características próprias. A deficiência auditiva existe e é preciso levá-la em consideração. Neste sentido é importante não subestimar as possibilidades, nem as dificuldades. As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidades por suas escolhas.

Ter uma deficiência, seja ela qual for não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior que uma pessoa que não possua nenhuma deficiência ou que ela não possua potencial de aprender algo, é provável que esta pessoa apresente certas dificuldades para o desenvolvimento de algumas habilidades, entretanto poderá apresentar outras tantas facilidades.

A escola enquanto espaço vivo, prazeroso e solidário, deve ter como objetivo fundamental assegurar a formação dos que participam do processo de educação inclusiva.

A inclusão dos surdos é vivenciada pelos jovens nas escolas, tornando-se uma realidade inegável e contínua sendo difundida no contexto educacional, perante isso se pretende fazer uma breve abordagem sobre a inclusão dos surdos e como tal problema vem sendo trabalhado dentro dos educandários, trazendo uma reflexão do papel do educador e da família, com destaque para a história dos surdos, as principais causas da surdez, os diferentes tipos de surdez, a identidade surda.

O que se percebe é que a deficiência auditiva recebida nas escolas dificulta a aprendizagem do aluno deficiente auditivo levando a reflexão sobre questões referentes à educação e a inclusão dos surdos em classe regular, os desafios que aparecem frente a estes dois determinantes e suas influências no processo ensino-aprendizagem.

A inclusão não pode ser responsabilidade única da Educação Especial. Não é uma simples questão do professor de Educação Especial ditar ao professor da classe regular como trabalhar com esse aluno. Se não for desenvolvida uma dinâmica de trabalho integrado, estaremos criando um sistema especial dentro da escola regular, o que não é Educação Inclusiva.

Portanto a escola deve ser um espaço que promova a mudança, que leve adiante uma pedagogia de valor, que esteja voltada e preocupada com a qualidade de seus conteúdos, com a formação de seus professores, realizando uma educação que crie espaços para que as pessoas possam deleitar-se de um futuro melhor.

Os alunos devem ser trabalhados para compreender e aceitar os outros; a reconhecer as necessidades e competências dos colegas; a respeitar todas as pessoas; a construir uma sociedade mais solidária; a desenvolver atitudes de apoio mútuo; a criar e desenvolver laços de amizade; a preparar uma comunidade que apóia todos os seus membros; a diminuir a ansiedade diante das dificuldades, entre outras vantagens.

Toda criança ou adolescente, mesmo que apresente características muito diferentes da maioria, precisa conviver e se desenvolver com sua geração, sendo que o espaço privilegiado para que isto ocorra é a escola. Por isso o ensino fundamental é obrigatório (art.208, I, CF), e o especializado, apenas preferencial na rede regular (art.208, III, CF). (MANTOAN, 2008, p. 20).

Escola inclusiva não necessita de classes especiais. Ou melhor, todas as classes e todos os alunos são muito especiais para seu professor! Tem lugar para todos, não há exigências quanto a acesso, nem mecanismos de seleção ou discriminação de qualquer espécie. É o lugar onde cada aluno pensa, faz e cria, e não do que reproduz, anota e decora, pois cada um pode fazê-lo no seu ritmo, há seu tempo e a seu modo.

A legislação do Brasil prevê a integração do educando com necessidades especiais no sistema regular de ensino. Essa integração, no entanto deve ser um processo individual, sendo necessário para cada um dos casos estabelecer o momento que seja oportuno para que o educando comece a freqüentar a classe comum, com possibilidades de progresso.

A integração do aluno surdo em classe regular, assim como outras integrações, não acontece como um passe de mágica é uma conquista diária, feita através de muito estudo, trabalho e dedicação de todas as pessoas que estejam evolvidas neste processo.

A inclusão de alunos com necessidades especiais em classe regular implica o desenvolvimento de ações adaptativas, visando a flexibilização do currículo para que ele possa ser desenvolvido de maneira efetiva em sala de aula, e atender as necessidades individuais de todos os alunos. (VALLE, 2003, p.46)

Para que se atinja progresso neste tipo de integração é importante a estimulação precoce da criança, que nasce ou se torna surda, mas um dos entraves é que nem todos os surdos são beneficiados com estes estímulos, sendo um dos muitos fatores a questão financeira.

Ao dar inicio ao processo de integração escolar do aluno surdo, a escola especial deve oferecer apoio ao educando em turno inverso ao da escola regular e ainda subsidiar o trabalho do professor em classe comum.

O aluno surdo deve freqüentar o sistema regular de ensino porque é um cidadão com os mesmos direitos que qualquer outro. A escola deve dedicar-se também a promover cursos de capacitação de professores, a propiciar estudos de pesquisa na área da surdez, linguagem, para que assim possam subsidiar o trabalho e respeitar as potencialidades dos surdos, objetivando a integração plena desses alunos.

É preciso também ter conhecimento e levar em consideração que a comunidade surda possui identidade, sendo elas:

Política: Carregam consigo a língua de sinais. Aceitam-se como surdos, sabem que são surdos e assumem um comportamento de pessoas surdas. Entram facilmente na política com identidade surda, onde impera a diferença: necessidade de intérpretes, de educação diferenciada, de língua de sinais, etc... A escrita obedece à estrutura da língua de sinais, pode igualar-se a língua escrita, com reservas.

Híbridas: Dependendo da idade em que a surdez chegou, conhecem a estrutura do português falado e o envio ou a captação da mensagem vez ou outra é na forma da língua oral.Assimilam um pouco mais que os outros surdos, tem dificuldade de entendê-la;

Flutuantes: Seguem a representação da identidade ouvinte. Não participam da comunidade surda, associações e lutas políticas. Desconhecem ou rejeitam a presença do intérprete de língua de sinais. Orgulham-se de saber falar "corretamente”.

Embaçadas: Os surdos não conseguem captar a representação da identidade ouvinte. Nem consegue compreender a fala. O surdo não tem condições de usar língua de sinais, não lhe foi ensinada nem teve contato com a mesma. São pessoas vistas como incapacitadas.

Outra questão que não se pode deixar de lado é em relação ao diferentes tipos de surdez, que são classificados em:

Surdez ligeira – perda auditiva de 20 a 40 db:

- A palavra é ouvida, contudo certos elementos fonéticos escapam ao indivíduo.

- A este tipo de surdez não provoca atrasos na aquisição da linguagem.

-Dificuldades em ouvir uma conversa normal.

Surdez média – perda auditiva 40 a 70 db:

- A palavra só é ouvida a uma intensidade muito forte.

- Dificuldades na aquisição da linguagem.

- Perturbação da articulação da palavra e da linguagem.

- Dificuldades em falar ao telefone.

- Processo compensador por leitura labial.

Surdez severa - perda auditiva 70 a 90 db:

- A palavra em tom normal não é percebida

- É necessário gritar para existir sensação auditiva.

- Perturbações diversas na voz e na fonética da palavra.

- Processo intenso de compensação de leitura labial.

Surdez profunda - perda superior a 90 db:

- Nenhuma sensação auditiva.

- Perturbações intensas na fala.

- Dificuldades intensas na aquisição da linguagem oral.

- Adquire facilmente Língua Gestual

De acordo com GONZÁLEZ (2007) que, trás alguns conceitos e dados históricos acerca da experiência em atendimentos educacionais especiais, alunos que necessitam de um atendimento especifico não podem ser considerados incapacitados, considerando que sua dificuldade relaciona-se mais com o meio social e cultural. Assim o autor define que pessoas que necessitam de um processo educacional especifico são aquelas que:

[...] apresentam algum tipo de deficiência física, psíquica ou sensorial ou que estão em risco social ou de desvantagem por fatores de origem social, econômico ou cultural que os impedem de acompanhar o ritmo normal do processo de ensino-aprendizagem. Por meio desses atendimentos especiais pretende-se conseguir o máximo desenvolvimento das possibilidades e capacidades desses alunos, respeitando as diferenças apresentadas ao longo desse processo. (GONZÁLEZ, 2007, p. 19)

Para tanto é necessário que o processo de inclusão venha quebrar barreiras do preconceito, especificamente sociais e culturais que compreendem as pessoas que necessitam de um processo de aprendizagem diferenciado.

Sendo assim, a aprendizagem se efetiva na interação com o outro, na troca de experiências e saberes.

[...] o tipo de escolarização vivenciado nas propostas pedagógicas desenvolvidas, o perfil do professor e o modo como lida com o conhecimento e com os alunos, o tipo de tratamento e expectativa depositada no estudante, as possibilidades de interações com os colegas, as experiências nos planos social, cultural, artístico e corporal promovidos ou impossibilidades pela instituição é um fator importante na definição da natureza do impacto sobre individuo. (REGO, 2002, p.74)

Os professores e demais profissionais que atuam junto ao aluno surdo na escola regular devem ser informados de que, embora ele possa não ter uma linguagem claramente expressa, poderá ter mais chances de integrar-se, se os profissionais, principalmente o professor da classe comum, estiverem atentos para os seguintes itens:

Aceitar o aluno surdo sem rejeição;

Ajudar o surdo a pensar, raciocinar, não lhe dando soluções prontas;

Não manifestar conduta de superproteção;

Tratar o aluno normalmente, como qualquer aluno, sem discriminação ou distinção;

Não ficar de costas para o aluno, ou de lado, quando estiver falando;

Preparar os colegas para recebê-lo naturalmente;

Ao falar, dirigir-se diretamente ao aluno surdo;

Falar com o aluno mais pausadamente;

Verificar se o aparelho de amplificação sonora individual está ligado;

Verificar se ele está atento. O surdo precisa "ler" nos lábios para entender;

Chamar sua atenção, através de um gesto convencional ou de um sinal;

Colocar o aluno nas primeiras cadeiras da fila central;

Utilizar todos os recursos que facilitem sua compreensão;

Utilizar a língua escrita, e se possível, a Língua Brasileira de Sinais;

Estimular o aluno a se expressar oralmente, por escrito e por sinais;

Interrogar e pedir sua ajuda para que possa sentir-se um membro ativo e participante;

Incluir a família em todo o processo educativo;

Avaliar o aluno surdo pela mensagem-comunicação que passa;

Solicitar ajuda da escola especial, sempre que for necessário;

Procurar obter informações atualizadas sobre educação de surdos;

Utilizar se forem necessários, os serviços de intérpretes;

E, principalmente, acreditar de fato nas potencialidades do aluno, observando seu crescimento.

A deficiência existe e é preciso levá-la em consideração. Neste sentido torna-se de grande importância não subestimar as possibilidades, nem as dificuldades.

A integração do aluno surdo é um desafio que deve ser enfrentado com muita determinação, sendo que a decisão de encaminhar um aluno surdo para freqüentar uma classe de ensino regular, deve ser resultado de um criterioso processo de avaliação.

1.3. Inclusão: Um meio de construir escolas para todos.

As pessoas vivem suas vidas em um constante processo de aprendizagem, e o papel da escola é ensinar para a vida, o processo ensino-aprendizagem permite tanto ao educador quanto ao educando trocar experiências, ocasionando assim um constante aprendizado, considerando que a escola o melhor ambiente para as pessoas projetarem seu futuro.

Portanto a escola deve ser um espaço que promova a mudança, que leve adiante uma pedagogia de valor, que esteja voltada e preocupada com a qualidade de seus conteúdos, com a formação de seus professores, realizando uma educação que crie espaços para que as pessoas possam deleitar-se de um futuro melhor.

O papel do educandário é acompanhar esta dinâmica, entendendo o seu fazer diário, refletindo e avaliando constantemente sua prática pedagógica, essas ações estão presentes no cotidiano da escola, tendo como principal objetivo que o aluno compreenda o mundo em que vive, conquiste a autonomia, desenvolva a autoestima e o equilíbrio pessoal, crie vínculos para uma interação social, reconheça o outro respeitando as diversidades culturais, éticas, religiosas, sexuais e sociais, recusando qualquer forma de discriminação ou preconceito, mantenha o interesse pela aprendizagem, fortalecendo a capacidade de aprender a aprender.

O educandário deve proporcionar a todas as crianças o acesso às mais diferentes formas de cultura. Que alfabetize decentemente a criança para que ela se tornasse um cidadão participante. A escola ideal, pura, seria aquela que despertasse a curiosidade absoluta da criança, proporcionasse todas as experiências possíveis do conhecimento e discutisse francamente com seus alunos valores.

A escola inclusiva necessita de uma organização aprendente, tem de ser um sistema aberto, pensante e flexível. Sistema aberto sobre si mesmo, e aberto à comunidade em que se insere, o aluno é um eterno aprendiz, em constante interação com as oportunidades que o mundo oferece e ao longo da vida.

Neste contexto a escola inclusiva precisa atender a todos os alunos portadores de Necessidades Educacionais Especiais, mesmo àqueles que são considerados, preconceituosamente, sem solução. Uma escola direcionada para a comunidade, onde o processo educativo seja entendido como um processo também social, onde todas as crianças com necessidades especiais têm direito à escolarização e à aprendizagem de qualidade, que propicie ao professores de classe comum um suporte técnico; que perceba que as crianças podem aprender juntas, mesmo tendo objetivos e processos diferenciados; que leve os professores a estabelecer formas criativas de atuação com as crianças portadoras de necessidades especiais; que propicie um atendimento integrado para o professor da classe regular, onde as pessoas sejam vistas com um mesmo olhar. Mas não para serem homogeneizadas.

A filosofia da inclusão defende uma educação eficaz para todos, sustentada em que as escolas, enquanto comunidades educativas devem satisfazer as necessidades de todos, sejam quais forem as suas características pessoais, psicológicas ou sociais.

Olhadas com um mesmo olhar de amor, de afeto, de valorização e respeito, para serem reconhecidas no seu valor individual e com suas diferenças. As diferenças que falo aqui não são apenas das pessoas com necessidades especiais, mas também diferenças étnicas, culturais, sociais, econômicas, religiosas, e o que mais se possa imaginar, de todas as pessoas. Uma escola que acolha e valorize essas diferenças, e que saiba aproveitá-las na produção e reconstrução do conhecimento.

Matricular simplesmente uma criança com deficiência em uma classe comum, da escola comum, sem dúvida, é um passo importante na direção certa; mas isto não é Educação Inclusiva. Educação Inclusiva pressupõe que todas as crianças tenham a mesma oportunidade de acesso, de permanência e de aproveitamento na escola, independentemente de qualquer característica peculiar que apresentem ou não. Pensa-se em uma escola que leve isso a efeito, mas para que isto ocorra, é fundamental que as crianças possuidoras de diversidade biológica com impedimentos tenham o apoio de que precisam, isto é, acesso físico, equipamentos para locomoção, comunicação ou outros tipo de suporte. Mas o mais importante de tudo, é que a prática da Educação Inclusiva pressupõe que o professor, a família e a comunidade escolar estejam convencidos de que o objetivo dessa Educação é garantir a todos os alunos, com ou sem impedimentos, a participação ativa em todas as atividades na escola e na comunidade, e também que cada aluno é diferente no seu estilo e ritmo de aprendizagem, e essa diferença é respeitada numa classe inclusiva.

A escola deve ser um lugar onde se entendesse que ser diferente não é ruim. Cada um tem seu valor como é todos têm potencial, onde os alunos com impedimentos não sejam encarados como problemas, por que, de fato, não o são; onde se entende esses alunos como pessoas que apresentam desafios à capacidade dos professores e das escolas para oferecer uma educação para todos, respeitando as necessidades de cada um. Esta escola deve flexibilizar formas de avaliação, tornando-as um estímulo às conquistas dos alunos, tornar conteúdos e atividades de aprendizagem acessíveis a todos os alunos, estimular a aprendizagem cooperativa, inovar nas metodologias, enfim, acolher as pessoas com muito carinho, paciência e compreensão.

Todos os alunos, independentemente da presença ou não de “deficiência”, aprendem: a compreender e aceitar os outros; a reconhecer as necessidades e competências dos colegas; a respeitar todas as pessoas; a construir uma sociedade mais solidária; a desenvolver atitudes de apoio mútuo; a criar e desenvolver laços de amizade; a preparar uma comunidade que apóia todos os seus membros; a diminuir a ansiedade diante das dificuldades, entre outras vantagens.

Escola Inclusiva não existem classes especiais. Ou melhor, todas as classes e todos os alunos são muito especiais para seu professor! Tem lugar para todos, não há exigências quanto a acesso, nem mecanismos de seleção ou discriminação de qualquer espécie. É o lugar onde cada aluno pensa, faz e cria, e não do que reproduz, anota e decora, pois cada um pode fazê-lo no seu ritmo e a seu modo.

1.4. Inclusão, o que podemos fazer?

Nos dias de hoje, a inclusão se constituiu num grande desafio para professores, escola e a sociedade no geral.

Frente a isso se faz necessário considerar a educação como um ponto estratégico para a transformação, pois a sociedade urge a necessidade de uma educação com qualidade, que contribua para a formação, combatendo o preconceito e a discriminação.

Incluir uma “criança especial” na escola regular significa proporcionar a todos os alunos o aprendizado de conviver com a diversidade, sem anulá-la.

A inclusão traz a idéia de igualdade de direitos, principalmente o respeito às diferenças, ao afirmar que independente das necessidades educacionais especiais todas as crianças tem o direito de freqüentar uma escola regular e aprender.

O desafio é grande quando se fala em educação inclusiva, e o professor como mediador deste processo deve estar consciente sobre suas responsabilidades, ser educador é um compromisso sério e muito importante, é necessário doar-se a esse comprometimento, pois a educação é um meio onde podemos promover mudanças na sociedade.

A escola inclusiva deve fornecer subsídios, apoio para capacitar seus profissionais, pois a educação inclusiva é muito complexa, sendo que, a sala de aula deve ser vista como o espaço que possibilita e sustenta o sonho, o desejo, a esperança e a ética, que cria e desenvolve o pensar e que o responsável por esta é o educador.

Nesse contexto a autora faz-se entender que é necessário ter uma equipe de professores e funcionários preparados para lidar com situações inusitadas.

A expectativa do educador não pode ser de que a criança com impedimentos chegue a apresentar comportamentos iguais das crianças tidas como “normais”, seu trabalho vai, no entanto, no sentido de apoiar esta criança para que ela desenvolva formas de ação que englobem campos comuns de significado com outras crianças.

A educação inclusiva tem como maior objetivo, e talvez, sua maior barreira também, a de, além de promover a integração, proporcionar a todos, uma educação de qualidade.

A inclusão implica em uma transformação considerável no espaço escolar. Implica quebrar e vencer paradigmas, buscar atender a diversidade humana com a ajuda de recursos materiais, humanos e financeiros.

O importante, no processo inclusivo é perceber que a diversidade não é o problema, pelo contrário, é perceber que é uma oportunidade de enriquecimento individual, social e de ensino-aprendizagem.

Nesse contexto a escola deve ser o espaço de todos e para todos, espaço que atenda e entenda a diversidade humana, visando à inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais na busca de superar seus próprios limites, assim, a escola e a sociedade poderão descobrir suas potencialidades, tornando a educação inclusiva promotora no desenvolvimento humano.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O atual contexto pode ser caracterizado por radicais transformações desenvolvidas históricamente em diversos aspectos-políticos, sociais, econômicos, culturais, as quais estão diretamente ligadas aos avanços científicos e tecnológicos. Este momento contextual no qual vivemos, marcado por constantes mudanças, onde a tecnologia tem crescente avanço, demanda da educação, de um modo geral, uma maior aproximação da realidade, exigindo assim, da escola novas formas de pensar e de agir frente às necessidades, exigências e potencialidades traçadas por tais avanços e mudanças. O papel da escola seria o de companhar esta dinâmica, entendendo o seu fazer diário, refletindo e avaliando constantemente sua prática pedagógica. A tarefa da escola, ao incluir o diverso, é possibilitar apropriações de dimensões básicas do desenvolvimento da espécie humana, como o desenvolvimento da função simbólica, o desenvolvimento da oralidade, a utilização de formas do pensamento como a classificação, a generalização, a correspondência. É indispensável que os estabelecimentos de ensino eliminem barreiras arquitetônicas e adotem práticas de ensino adequado às diferenças dos alunos em geral, oferecendo alternativas que contemplem a diversidade, além de recursos de ensino e equipamentos especializados que atendam a todas as necessidades educacionais dos educandos, com ou sem deficiência, mas sem discriminações. Frente a isso a inclusão tem sido um tema bastante discutido. Crianças que antes eram excluídas da escola regular e colocadas em instituições para deficientes, agora têm o direito, garantido por lei, à educação em escola regular, esta freqüentada antes apenas por crianças tidas como “normais”. A concretização da inclusão exige do sistema escolar a superação de vários desafios tais como: novas didáticas, capacitação dos educadores, e os alunos e familiares, estes passando por uma formação voltada para o processo de inclusão, onde possam aceitar as diferenças para assim evitar a exclusão e o preconceito, que são dois fatores que ainda precisam ser superados. Se pararmos para analisar nosso meio, verificamos que todos nós possuímos características diferentes, alguns se sobressaem em determinadas áreas e apresentam dificuldades em outras, e com o aluno especial não é diferente, e isso precisa ser respeitado e levado em conta na hora da aprendizagem e no processo inclusivo.

A inclusão não se limita apenas em colocar a criança com deficiência educacional dentro da escola, mas dar condições para que ela possa interagir, pois de nada adiantaria ter crianças incluídas na sala de aula e ao mesmo tempo excluídas no próprio ambiente escolar.É importante ressaltar que inclusão não significa tratar todos iguais, anular as diferenças, sendo que, a diversidade é um fator importantíssimo e extremamente enriquecedor para a aprendizagem num todo. Todo mundo ganha com a Inclusão de alunos com necessidades especiais na escola regular, os alunos com alguma “deficiência” (não uso esta palavra com sentido pejorativo) aprendem: melhor e mais rapidamente, pois encontram modelos positivos nos colegas; que podem contar com a ajuda e também podem ajudar os colegas; a lidar com suas dificuldades e a conviver com as demais crianças. Os alunos sem “deficiência”, os ditos “normais” aprendem: a lidar com as diferenças individuais; a respeitar os “limites” do outro; a partilhar processos de aprendizagem. Somente pode-se pensar em inclusão a partir do momento em que a sociedade e o ambiente escolar não mais fizerem distinção entre os seres humanos, pensando que a escola é aquela que educa de uma mesma forma todos os alunos, independente de serem ou não portadores de necessidades especiais, partindo do princípio de que todas as crianças podem aprender, respeitando e reconhecendo as diferenças.

REFERÊNCIAS

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SOUZA, E. G. de. Surdez e Significado Social. São Paulo. Cordez, 1982.

VALLE, B. B. R. Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino Fundamental. Apostila do IESDE. Curitiba, 2003.

SKLIAR, Carlos (org.) A Surdez: um olhar sobre as diferenças. Editora Mediação. Porto Alegre,1998.

GONZÁLEZ, Eugênio. Necessidades educacionais especificas. Porto Alegre, Artmed, 2007.

MANTOAN, Maria Teresa Égler. O desafio das diferenças nas escolas. Rio de Janeiro, Vozes. 2008.

1Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva Clinica do Centro Sul - Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-graduação.

2 Orientador do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva Clinica, do Centro Sul Brasileiro de Pesquisa Extensão e Pós-Graduação.