Centro Educacional Reeducar

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terça-feira, 13 de março de 2012

Por dentro do cérebro - Dr. Paulo Niemeyer Filho / Neurocirurgião

O que fazer para melhorar o cérebro ?

Resposta: Vc tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, reclamando de tudo com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter alegria. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.


PODER: Cabeça tem a ver com alma?


PN: Eu acredito que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo. Isto comprova que os sentimentos se originam no cérebro e não no coração.

PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?

PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?

PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas
morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.

PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?

PN: Todo exagero. Na bebida, nas drogas, na comida, no mau humor, nas reclamações da vida, nos sonhos, na arrogância, etc. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bom num corpo muito maltratado, e vice-versa.

PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?

PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente que te faz
infeliz. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?
PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem mentalmente, com saúde, e bom aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha.

PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?

PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai
funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

Você acredita em Deus?
PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai até a família e diz: "Ele está salvo". Aí, a família olha pra você e diz:
"Graças a Deus!". Então, a gente acredita que não fomos apenas nós, que existe algo mais, independente de religião.

A entrevista completa esta no site:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/posts/2011/06/24/por-dentro-do cerebro-388256.asp



quinta-feira, 1 de março de 2012

TDAH: IDENTIFICAÇÃO, CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E INTERVENÇÕES


Adriana Aparecida de Almeida Marcolin[1]

Ibrahim Georges Cecyn Moussa [2]

RESUMO

Esta pesquisa propôs como tema de estudo os mecanismos existentes para a identificação do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, reconhecendo as causas, consequências e as propostas de intervenção, vinculando à necessidade de prover um atendimento que contemple as necessidades da pessoa comprometida. A pesquisa buscou desvendar os sujeitos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade através das características que os identificam, analisando os instrumentos utilizados no processo de identificação e a concepção de TDA/H, abordando os mitos e as crenças errôneas que cercam este tema. São apresentados no desenvolvimento deste trabalho, os procedimentos adotados para uma intervenção que beneficie a pessoa com o transtorno em foco. A lacuna existente entre a realidade vivida pelos indivíduos com déficit de atenção e hiperatividade e a realidade esperada pelas pessoas que convivem com estes, é significativa. Boa parte das pessoas expressa seu pensamento a respeito do assunto com certo descaso e agem consciente ou inconscientemente, com rejeição ao comportamento das pessoas comprometidas. A quantidade de vivências e experiências problemáticas vivenciadas pelos portadores de TDA/H, na família, na escola ou em qualquer outro lugar requer dos pesquisadores uma análise, para que as pessoas afetadas tenham encaminhamentos eficazes, frente às necessidades especiais e às diferenças.

Palavras-chave: TDA/H; Transtornos Secundários; Intervenções;Metodologias.

INTRODUÇÃO

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é um dos problemas significativos com que se defrontam famílias, educadores, médicos e especialistas de diferentes áreas. Muitas vezes, a doença é descrita como o transtorno da moda, sem que haja um conhecimento aprofundado a respeito do assunto. As queixas presentes costumam descrever mau comportamento e desempenho acadêmico, falta de atenção, desregramento e dificuldade de relacionamento social.

Os referenciais teóricos e as experiências ambientais norteiam e orientam a organização deste trabalho, apresentando em seu desenvolvimento os procedimentos de identificação da pessoa com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, reconhecendo as possíveis causas, consequências e algumas propostas de intervenção responsáveis, para que haja contribuições que diminuam as consequências negativas, tão rotineiras atualmente, na vida dos indivíduos afetados.

Os conflitos presentes na vida dos alunos com TDA/H são muitos e estarão sendo abordados no decorrer da pesquisa. Grande parte dos educadores estão despreparados para trabalhar com as pessoas que tem este transtorno, desconhecendo ou ignorando uma realidade educacional descrita pela diversidade de indivíduos em seus diferentes estilos, sem considerar que a democratização amplia as oportunidades educacionais e as especificidades são relevantes para a harmonização do processo educacional, tornando-se necessário a proposição de alternativas inovadoras frente às diferenças.

1. TDAH: IDENTIFICAÇÃO, CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E INTERVENÇÕES.

A atenção às necessidades de cada aluno forma uma estrutura básica para melhorar a qualidade da educação. Evidentemente para promover um atendimento eficaz e com objetivos voltados ao paradigma da inclusão, espera-se que redes de apoio integrem-se e promovam o atendimento de todas as pessoas, reconhecendo e atendendo adequadamente suas necessidades especiais. No entanto, quando educadores se deparam com típicos casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade a situação se modifica. Reforçam-se práticas excludentes e descomprometidas. Então se pergunta: afinal quem é a pessoa com o diagnóstico de TDA/H?

Este transtorno apresenta manifestações de condutas atípicas que problematizam o contexto social e a aprendizagem das pessoas afetadas. O diagnóstico considera algumas características e é realizado por profissional especialista. A questão apresentada parte da necessidade de conhecer os critérios utilizados para a identificação, a análise das causas e das consequências, além do esclarecimento sobre os procedimentos interventivos recomendados, especialmente no que se refere ao trabalho psicopedagógico

Os professores tendem a superestimar os sintomas de TDAH, principalmente quando há presença concomitante de outro transtorno disruptivo do comportamento. Com adolescentes, a utilidade das informações dos professores diminui significativamente, na medida em que o adolescente passa a ter vários professores (currículo por disciplinas) e cada professor permanece pouco tempo em cada turma, o que impede o conhecimento específico de cada aluno. Pelo exposto, o processo de avaliação diagnóstica envolve necessariamente a coleta de dados com os pais, com a criança e com a escola (ROHED et al, 2000).

A compreensão sobre as diversidades funcionais individuais é um desafio para especialistas e educadores, considerando que os sistemas funcionais e as funções executivas têm repercussão no aprendizado e comportamento como um todo.

Para ajuizar a normalidade ou não destas aquisições, o profissional apto vinculado à criança, necessariamente deverá conhecer como se processa este aprendizado, os fatores participantes, suas características evolutivas, e as chamadas variações da normalidade, que irão expressar as peculiaridades individuais. De posse desse conhecimento, terá plenas condições para determinar se está ou não havendo algum desvio de aprendizado (ROTTA; OHLWEILER; RIESGO, 2006)

É comum encontrar crianças mais ativas, mais exuberantes, menos atentas e mais impulsivas que os adultos. No entanto, quando essas especificidades chamam muito a atenção por representarem dificuldade no controle dos impulsos e os problemas de comportamento parecerem excessivos, recomenda-se uma investigação técnica por profissional capacitado, considerando a possibilidade de se tratar de um típico caso de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Hoje, a maioria dos profissionais clínicos – médicos, psicólogos, psiquiatras e outros – acreditam que o TDAH consiste em três problemas primários na capacidade de um indivíduo controlar seu comportamento: dificuldades em manter sua atenção, controle ou inibição dos impulsos e da atividade excessiva. Outros profissionais adicionais: dificuldades para seguir regras e instruções e variabilidade extrema em suas respostas a situações (particularmente tarefas ligas ao trabalho). Acredito que todos esses sintomas estão associados a um déficit primário na inibição do comportamento, que é o símbolo do TDAH (BARKLEY, 2008).

No campo educacional, percebe-se que alguns educadores analisam alguns padrões e perfis de personalidade e comportamento que os levam a acreditar que se trata de um aluno com TDA/H.

O transtorno de déficit de Atenção e Hiperatividade, ou TDAH, é um transtorno de desenvolvimento do autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção, com o controle do impulso e com o nível de atividade. Esses problemas são refletidos em prejuízos na vontade da criança ou em sua capacidade de controlar seu próprio comportamento relativo a passagem do tempo – em ter em mente futuros objetivos e conseqüências (BARKLEY, 2002)

As queixas dos professores são angustiantes. Há uma descrição caótica de comportamento e inabilidade em aprender, sem muitas vezes considerar que o aluno com TDA/H sofre muito, inclusive a rejeição do próprio educador e dos colegas.

Os professores queixam-se de que a criança interrompe não se senta quieta, não presta atenção, não termina seus trabalhos ou não escuta. Incapaz de planejar ou aderir a um curso de ação, a criança logo começa a decair em seu desempenho escolar. Talvez ainda mais doloroso, a criança é deixada para trás também socialmente (SMITH; STRICK, 2001)

Os indivíduos que apresentam problemas de comportamento, atenção, superatividade e que a falta de inibição atingem certo nível, além de uma incapacidade em seu desenvolvimento intelectual, devem ser avaliados por profissionais (neurologistas, psiquiatras, psicólogos, pediatra, psicopedagogos e educadores), que utilizam procedimentos de identificação para o diagnóstico do transtorno e seu manejo, a fim de que se possa oferecer uma atenção educacional especializada a estes alunos e fortalecer os pais em sua missão de assumir o controle, dando conta desse problema e fazendo com que seus filhos sejam encaminhados de maneira a assegurar a saúde de toda a família, individual e coletivamente.

Muitos pais percebem por si próprios, durante os anos pré-escolares, que seu filho parece se comportar de forma diferente de outras crianças. A hiperatividade, a falta de atenção e de controle das emoções, a agressividade, a excitabilidade e outros sintomas se tornam difíceis de serem ignorados. Às vezes, também é óbvio que os métodos da tentativa e erro usados para conduzir outras crianças com alterações de comportamento e temperamento não estão surtindo mais efeito (BARKLEY, 2002).

A definição de quem são as pessoas com TDA/H deve ser considerada por profissionais da saúde (médico ou psicólogo), embora seja comum uma equipe integrada de diferentes profissionais.

O TDAH é um dos transtornos mais bem estudados na medicina e os dados gerais sobre sua validade são muito mais convincentes que a maiorias dos transtornos mentais e até mesmo que muitas condições médicas (MATTOS, 2008).

Segundo Cool, Palácios e Marchesi (1995, p 163),

[...] a conduta impulsiva nas crianças hiperativas, constitui um dos aspectos relevantes do distúrbio, observando-se uma tendência à satisfação imediata de seus desejos e pouca tolerância à frustração.As interações com os iguais são reduzidas, dado que as próprias características da criança hiperativa (impulsividade, agressividade, etc.) tendem a provocar a rejeição dos outros. Carecem, portanto, do tipo de experiência que proporcionam estas interações, e que são de vital importância para o desenvolvimento social do indivíduo. O isolamento e rejeição social têm, além do mais, consequências negativas sobre a valorização de si mesma (COOL; PALACIOS; MARCHESI, 1995).

A compreensão sobre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, as prováveis causas e as consequências que o TDAH provoca, exige leitura e pesquisa, a fim de promover práticas consistentes para a superação dos maiores entraves apontados e para avanços interventivos promissores.

Os Tas (Transtornos de Aprendizagens) ocorrem de maneira concomitante entre si e com déficits em habilidades sociais, transtornos emocionais e transtornos de atenção. Desse modo, um estudante com Tas pode ter um problema em mais de uma área – uma condição chamada de co-morbidade (FLETCHER; LYONS; FUCHS et al, 2009).

Os transtornos de aprendizagens comumente acompanham os transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, sendo imprescindível a presença de profissional psicopedagogo para suprir as lacunas existentes, decorrentes dos atrasos de aprendizagem evidenciados.

Cerca de 25 a 30% das crianças e adolescentes com TDA/H apresentam problemas de aprendizagem secundários ou associados ao transtorno. Nesses casos, a intervenção psicopedagógica é fundamental. É importante ressaltar que a maioria dos adolescentes com o transtorno são diagnosticados tardiamente. Logo, já existem lacunas de aprendizagem que necessitam ser abordadas por meio de um trabalho de reconstrução das habilidades e conteúdos. Tal reconstrução deve ser feita por um profissional especializado (psicopedagogo ou fonoaudiólogo), pois o tratamento sintomatológico ou de reforço de conteúdo não resolve as seqüelas de aprendizagem que ficaram para trás. Em conjunto ou após o atendimento psicopedagógico, às vezes, é necessário um acompanhamento pedagógico, feito pelo professor, que ajude a prevenir novas lacunas de aprendizagem (RODHE; BENCZIK, 1999).

O TDA/H não-tratado pode fazer com que o indivíduo fique mais frustrado e obtenha menos sucesso na escola. Segundo BROWN (2007, p 153) “uma combinação de interação bioquímica e fatores psicológicos pode estar por trás das taxas elevadas de muitos transtornos de motivação e de sentido de alerta entre aqueles com TDAH”.

No âmbito das intervenções psicossociais, o primeiro passo deve ser educacional, através de informações claras e precisas à família a respeito do transtorno. Muitas vezes, é necessário um programa de treinamento para os pais, a fim de que aprendam a manejar os sintomas dos filhos. É importante que eles conheçam as melhores estratégias para o auxílio de seus filhos na organização e no planejamento das atividades. Por exemplo, essas crianças precisam de um ambiente silencioso, consistente e sem maiores estímulos visuais para estudarem (RODHE et al, 2000).

É importante que se conheça bem o TDAH, suas causas, as consequências na vida dos portadores e na de seus familiares, bem como as possibilidades de tratamento. Quanto mais se conhece certo problema, maiores são as chances de administrá-lo bem, portanto, é necessário pesquisa e envolvimento.

Intervenções no âmbito escolar também são importantes. As intervenções escolares devem ter como foco o desempenho escolar. Nesse sentido, idealmente, as professoras deveriam ser orientadas para a necessidade de uma sala de aula bem estruturada, com poucos alunos. Rotinas diárias consistentes e ambiente escolar previsível ajudam essas crianças a manterem o controle emocional. Estratégias de ensino ativo que incorporem a atividade física com o processo de aprendizagem são fundamentais. As tarefas propostas não devem ser demasiadamente longas e necessitam ser explicadas passo a passo. É importante que o aluno com TDAH receba o máximo possível de atendimento individualizado. Ele deve ser colocado na primeira fila da sala de aula, próximo à professora e longe da janela, ou seja, em local onde ele tenha menor probabilidade de distrair-se. Muitas vezes, as crianças com TDAH precisam de reforço de conteúdo em determinadas disciplinas. Isso acontece porque elas já apresentam lacunas no aprendizado no momento do diagnóstico, em função do TDAH. Outras vezes, é necessário um acompanhamento psicopedagógico centrado na forma do aprendizado, como, por exemplo, nos aspectos ligados à organização e ao planejamento do tempo e de atividades. O tratamento reeducativo psicomotor pode estar indicado para melhorar o controle do movimento (RODHE et al, 2000).

As recomendações dos especialistas mostram medidas interventivas eficazes, no entanto, muitas vezes contradizem com o quadro estabelecido nas escolas. As salas de aulas são lotadas de alunos, muitos desses apresentando necessidades especiais, o profissional devendo cumprir uma rotina diária de muito trabalho, muitas vezes em situação de stress e as escolas com projetos pedagógicos deficitários, desarticulados e descomprometidos com as especificidades de seus alunos.

As intervenções psicossociais também contribuem significativamente para a melhora do quadro de TDA/H nas crianças e nos adolescentes.

Em relação às intervenções psicossociais centradas na criança ou no adolescente, a psicoterapia individual de apoio ou de orientação analítica pode estar indicada para: a) abordagem das comorbidades (principalmente transtornos depressivos e de ansiedade); e b) a abordagem de sintomas que comumente acompanham o TDAH (baixa auto-estima, dificuldade de controle de impulsos e capacidades sociais pobres). A modalidade psicoterápica mais estudada e com maior evidência científica de eficácia para os sintomas centrais do transtorno (desatenção, hiperatividade, impulsividade), bem como para o manejo de sintomas comportamentais comumente associados (oposição, desafio, teimosia), é a cognitivo-comportamental, especialmente os tratamentos comportamentais. Entretanto, os resultados recentes do MTA (ensaio clínico multicêntrico, elegantemente desenhado, que acompanhou 579 crianças com TDAH por 14 meses divididas em quatro grupos: tratamento apenas medicamentoso, apenas psicoterápico comportamental com os crianças e orientação para os pais e professores, abordagem combinada e tratamento comunitário) demonstram claramente uma eficácia superior da medicação nos sintomas centrais do transtorno quando comparada à abordagem psicoterápica e ao tratamento comunitário. Entretanto, a abordagem combinada (medicação + abordagem psicoterápica comportamental com as crianças e orientação para os pais e professores) não resultou em eficácia maior nos sintomas centrais do transtorno quando comparada a abordagem apenas medicamentosa. A interpretação mais cautelosa dos dados sugere que o tratamento medicamentoso adequado é fundamental no manejo do transtorno (RODHE et al, 2000).

As intervenções pedagógicas, psicopedagógicas, psicoterapêuticas, clínicas e familiares são muito importantes, porém as intervenções psicofarmacológicas são significativamente relevantes no processo de estimulação neuro-cerebral, contribuindo significativamente para a regularização das funções comportamentais relacionadas aos sintomas do TDAH.

Em relação às intervenções psicofarmacológicas, serão discutidos apenas os aspectos mais recentes ou controversos. [...] No Brasil, o único estimulante encontrado no mercado é o metilfenidato. A dose terapêutica normalmente se situa entre 20 mg/dia e 60 mg/dia (0,3 mg/kg/dia a 1 mg/kg/dia). Como a meia-vida do metilfenidato é curta, geralmente utiliza-se o esquema de duas doses por dia, uma de manhã e outra ao meio dia. Cerca de 70% dos pacientes respondem adequadamente aos estimulantes e os toleram bem. Essas medicações parecem ser a primeira escolha nos casos de TDAH sem comorbidades e nos casos com comorbidade com transtornos disruptivos, depressivos, de ansiedade, da aprendizagem e retardo mental leve. A primeira indicação é de uso de estimulante e, se necessário, indica-se agregar um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, como a fluoxetina (RODHE et al, 2000).

O acolhimento da criança comprometida em redes de apoio, em um clima de parcerias e co-responsabilidades evidencia a efetiva melhora do quadro de TDAH, desencadeando processos psicossociais e de aprendizagem esperados como padrão estabelecido socialmente.

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é uma síndrome psiquiátrica de alta prevalência em crianças e adolescentes, apresentando critérios clínicos operacionais bem estabelecidos para o seu diagnóstico. Modernamente, a síndrome é subdividida em três tipos principais e apresenta uma alta taxa de comorbidades, em especial com outros transtornos disruptivos do comportamento. O processo de avaliação diagnóstica é abrangente, envolvendo necessariamente a coleta de dados com os pais, com a criança e com a escola. O tratamento do TDAH envolve uma abordagem múltipla, englobando intervenções psicossociais e psicofarmacológicas, sendo o metilfenidato a medicação com maior comprovação de eficácia neste transtorno (RODHE et al, 2000).

Mais importante que caracterizar os sujeitos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e analisar os instrumentos utilizados na identificação é compreender os mitos que acercam o assunto, assim como as necessidades apresentadas por esses indivíduos, contribuindo de maneira dinâmica, organizada e responsável para a promoção de uma intervenção benéfica e eficaz.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é um fenômeno que está sendo acompanhado com críticas, por ser considerada a doença da moda, embora reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. As causas, consequências e propostas de intervenção foram apontadas no desenvolvimento deste trabalho, verificando-se à grande necessidade de uma atenção especial aos detentores desta doença. Após finalizar esta pesquisa, percebeu-se o quanto as informações sobre as características da pessoa com TDA/H poderão nortear e auxiliar na compreensão dos indivíduos afetados, para que se efetive o acolhimento e não o desprezo, a inclusão e não a exclusão e haja mais solicitude no atendimento às necessidades evidenciadas.Conclui-se que é preciso conscientizar as pessoas para que se promovam estratégias reparadoras, ao invés de punitivas, permitindo e dando condições para que indivíduos com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade se reorganizem internamente e, por conseguinte, aumentem a auto-estima, sejam valorizados e aceitos socialmente.

REFERÊNCIAS

BARKLEY, Russel A. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Porto Alegre: Artmed, 2002. Reimpressão 2008.

BROWN, Thomas. Transtorno de Déficit de Atenção: A mente desfocada em crianças e adultos. Porto Alegre: Artmed Editora S.A. 2007. Reimpressão 2008.

COOL, César; PALACIOS, Jesús; MARCHESI, Álvaro. Desenvolvimento psicológico e educação; necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. v.3. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

FLETCHER, Jack M.; LYONS, G. Reid; FUCHS, Lynn et al. Transtornos de Aprendizagem: da identificação à intervenção. Porto Alegre: Artmed Editora S.A., 2009.

MATTOS, Paulo. No Mundo da Lua: Perguntas e Respostas sobre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade em Crianças, Adolescentes e Adultos. 8.ed. ver. e atual. São Paulo: Casa Leitura Médica, 2008.

RODHE, Luís Augusto P.; BENCZIK, Edyleine B. P. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: o que é? Como ajudar? Porto Alegre: Artmed, 1999.

ROHDE, Luis Augusto; BARBOSA, Genário, Tramontina, Silzá e POLANCZYK, Guilherme. Transtorno de déficit de Atenção / hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, suppl.2, pp 07-11. ISSN 1516-4446: 10.1590/S1516-44462000000600003doi.

ROTTA, Newra Tellechea; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da Aprendizagem: Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006. Reimpressão 2007.

SMITH, Corine; STRICK, Lisa. Dificuldades de Aprendizagem de A a Z: um guia completo para pais e educadores. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.


[1]Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

2 Orientador do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

UM CONVITE AO CONVÍVIO COM AS DIFERENÇAS: A INCLUSÃO DO ALUNO SURDO EM CLASSE REGULAR.

Ana Carla Lima Hoffman1

Ibrahim Georges Cecyn Moussa2

RESUMO

Quando se fala de inclusão dos alunos surdos em classe regular a primeira preocupação que surge é referente à tarefa de tentativa de mudança. É preciso ter a certeza de que é possível transformar a realidade em favor da qualidade de vida do deficiente auditivo. A inclusão dos surdos em escola com classe regular é complexa, com múltiplas causas e com conseqüências para as crianças e jovens tanto na idade escolar como na vida adulta, deixando marcas que jamais poderão ser apagadas. Neste contexto existe a escola que mesmo sendo vítima de diversos outros casos de inclusão, precisa fazer com que o ser humano se sinta parte importante da sociedade em que vive e que deve modificar-se para melhor, mesmo com seus limites dentro do processo ensino-aprendizagem. Abordar as dificuldades encontradas no processo de ensino-aprendizagem como uma das manifestações da dificuldade encontrada pelos alunos surdos na escola é abrir um caminho repleto de reflexões, pois as crianças que embora tenham acesso à escola, não obtêm o aprendizado. Assim é necessário que se reflita sobre as causas e conseqüências, que levam o educando com deficiência auditiva a apresentar baixa autoestima, atitudes passivas, transtornos emocionais, problemas psicossomáticos, depressão, ansiedade, somando a isso, a perda de interesse pelas questões relativas aos estudos, o qual pode desencadear uma situação de fracasso escolar.

PALAVRAS-CHAVE: Inclusão; Surdos; Escolas; Crianças; Professores.

PROBLEMATIZAÇÕES INICIAIS

A inclusão do aluno surdo em classe regular representa um problema para a escola, já que a mesma não tem preparo para atendimento e aceitação deste educando.

Há vários anos tem se falado muito em inclusão dos alunos surdos em classe regular. Inúmeras reportagens são realizadas mostrando caso de pais com crianças portadores de deficiência auditiva que buscam as escolas para que possam dar a seus filhos a oportunidade de socialização e aprendizagem juntamente com crianças ditas normais, porém nesse contexto depara-se com inúmeros obstáculos, os quais parecem ser muito difíceis de serem superados.

A inclusão dos deficientes auditivos na escola regular vem sendo abordado a partir de diferentes perspectivas, dentre elas os direitos da pessoa com deficiência e o exercício da cidadania, a exposição à língua de sinais ou ao português, todavia ainda há pouca discussão a inclusão por parte dos professores envolvidos neste processo, onde se percebe que o termo inclusão muitas vezes ainda é confundido com integração.

Segundo definição do dicionário Aurélio, inclusão é o ato de incluir, de compreender (entender alguém, aceitá-lo como é), abranger (conter em si, mas também, aprender, perceber, entender, alcançar, atingir).

O ser humano vive em constante processo de aprendizagem, e o papel da escola é ensinar para a vida, o processo ensino-aprendizagem permite tanto ao educador quanto ao educando trocar experiências, considerando que a escola é o melhor ambiente para as pessoas projetarem-se para futuro.

Para que a inclusão escolar seja real, o professor da classe regular deve estar sensibilizado e capacitado (tanto psicológica quanto intelectualmente) para “mudar sua forma de ensinar e adaptar o que vai ensinar” para atender às necessidades de todos os alunos, inclusive de alguns que tenham maiores dificuldades.

Os cursos ou programas de formação e capacitação docente ao mesmo tempo em precisam dar condições efetivas para que o professor trabalhe de imediato com seus alunos, não pode ser uma capacitação voltada apenas para questões pontuais (tipo receita-de-bolo) e sim proporcionar aprofundamento teórico-metodológico que lhe permita se transformar em um professor que possa refletir e re-significar sua pratica pedagógica para atender à diversidade.

Para que possa se transformar o currículo tradicional em um “currículo inclusivo” faz-se necessário se repensar a prática pedagógica dos professores em geral. A mudança de paradigma que a inclusão traz em relação ao modelo de integração é em vez do aluno com deficiência se adaptar ao sistema, a escola regular como um todo incluindo, sobretudo, os professores – principais atores desse processo – tem que se transformar

1.0 Aspectos Históricos dos surdos

A história dos surdos registra que, como grupo, possui uma língua, uma identidade e uma cultura. Carlos Skliar (1998, p.29) afirma que os estudos Surdos em educação podem ser pensados como um território de investigação educacional e de proposições políticas que através de um conjunto de concepções lingüísticas, culturais, comunitárias e de identidades, definem uma aproximação com o conhecimento e com os discursos sobre a surdez e sobre o mundo dos surdos.

No passado os surdos eram considerados incapazes de serem ensinados, por estes motivos não freqüentavam escolas, sendo que as pessoas surdas e principalmente as que não falavam eram excluídas da sociedade, chegando a serem “proibidas” de casar, de possuir ou herdar bens e viver com as demais pessoas ditas normais, ficando desta forma com todos seus direitos e sua sobrevivência comprometidos.

Dentre alguns registros sobre a história dos surdos afirma-se que no final do século, não havia escola especializada para surdos e as pessoas ouvintes tentavam ensiná-lo da melhor forma.

Nos séculos seguintes alguns professores dedicaram-se a educação de surdos, podendo ser destacados nomes como: Ivan Pablo Bonet (Espanha) e Ovide Decroly (Bélgica), entre outros tantos importantes;

Esses professores divergiam quanto ao método mais indicado para ser adotado para a educação dos surdos, uns acreditavam que o ensino deveria priorizar a língua falada e outros utilizavam a língua de sinais, que já era conhecida pelos alunos, associado à língua falada.

Em 1857, o professor Francês Hernest Huet, que inclusive era surdo veio ao Brasil convidado pelo D. Pedro II para fundar a primeira escola para meninos surdos de nosso país: IMPERIAL INSTITUTO DE SURDOS E MUDOS, hoje INSTITUTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE SURDOS, que é mantido pelo governo federal, que atende crianças, jovens e adultos surdos.

No século XX aumentou o número de escolas para surdos no mundo todo.

No Brasil, as secretarias Estaduais e Municipais de Educação passaram a coordenar o ensino de crianças com necessidades especiais e surgiram as salas de recursos e classes especiais para os surdos;

Como a organização das minorias no âmbito mundial, por terem garantido seus direitos de cidadãos, as pessoas portadoras de necessidades especiais passaram a apresentar reivindicações que, no caso dos surdos, são: o respeito a língua de sinais, a um ensino de qualidade, acesso aos meios de comunicação (legendas e uso do TDD), serviços de intérpretes entre outras.

Do ponto de vista educacional, a surdez refere-se à incapacidade de aprender a linguagem por via auditiva.

A partir da Lei 10436, o governo brasileiro reconhece a LIBRAS, como língua, e os surdos tem o direito que nas instituições educacionais, as aulas sejam ministradas em LIBRAS, pelo menos com a presença de um intérprete, pois a surdez não interfere no desenvolvimento cognitivo.

O atual contexto pode ser caracterizado por transformações desenvolvidas historicamente em diversos aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais, aos quais estão diretamente ligados aos avanços tecnológicos. Este momento contextual, marcados por constantes mudanças, demanda da educação de um modo geral uma aproximação da realidade, exigindo assim, da escola novas formas de pensar e agir frente às necessidades, exigências e potencialidades traçadas por tais avanços.

Dentre as inúmeras abordagens teóricas no campo educacional pode se destacar a visão comportamentalista como uma das abordagens que melhor explica a aquisição da linguagem em crianças ouvintes, contribuindo assim diretamente para a compreensão desse processo em crianças surdas, sendo a maior preocupação desta abordagem teórica frente ao deficiente auditivo é desvendar como a criança surda deve ser ensinada a falar.

É importante a escola promover um espaço para que os professores de demais profissionais que lá atuam possam dialogar trocar experiências e desenvolver novos métodos de ensino e enfrentamento das dificuldades vividas em sala de aula, pois as questões com a inclusão dos surdos em classe regular na escola são complexas demais para serem trabalhadas isoladamente.

Pode-se também ressaltar o conceito de Escola Inclusiva conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial MEC.

[…] implica uma nova postura da escola comum, que propõe no projeto político pedagógico, no currículo, na metodologia de ensino, na avaliação e na atitude dos educandos, ações que favoreçam a integração social e sua opção por práticas heterogenias. A escola capacita seus professores, prepara-se, organiza-se e adapta-se para oferecer educação de qualidade para todos, inclusive, para os educandos com necessidades especiais.[....] (Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial MEC/SEESP, 1998),

Ou seja, a Educação Especial já não é mais concebida como um sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de medidas que a escola regular põe ao serviço de uma resposta adaptada à diversidade dos alunos.

Neste contexto, a instituição escolar passa a ser alvo de questionamentos e de conflitos, provavelmente, por expor a diversidade e o compartilhamento de interesses, contradições, expectativas e identidades. Muitas são as ansiedades que movimentam as transformações em busca do que se julga ser o ideal, correspondendo às necessidades específicas de todos.

1.2 A Inclusão do Aluno Surdo em Classe Regular

A inclusão do deficiente auditivo nas escolas é uma realidade inegável, tendo a sociedade que organizar-se de modo a procurar alternativas para atender esta deficiência sendo que a escola de igual forma terá que ajustar. As famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando esta à escola esta responsabilidade, por vergonha ou receio de possuir um familiar com esse tipo de necessidade.

Incluir os surdos nas escolas regulares não é uma problemática nova, todavia tem assumido proporções de tal maneira que os educandários por vezes não têm opção, pois seus profissionais não estão preparados.

A questão a descobrir é onde estaria a raiz do problema?

É preciso incluir sem excluir não sendo possível atender uma criança portadora de deficiência auditiva ignorando suas características, nem tão pouco tratá-la diferente dos demais colegas. É preciso perceber que ao tratar o incluso como se não tivesse deficiência, seria ignorar características próprias. A deficiência auditiva existe e é preciso levá-la em consideração. Neste sentido é importante não subestimar as possibilidades, nem as dificuldades. As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidades por suas escolhas.

Ter uma deficiência, seja ela qual for não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior que uma pessoa que não possua nenhuma deficiência ou que ela não possua potencial de aprender algo, é provável que esta pessoa apresente certas dificuldades para o desenvolvimento de algumas habilidades, entretanto poderá apresentar outras tantas facilidades.

A escola enquanto espaço vivo, prazeroso e solidário, deve ter como objetivo fundamental assegurar a formação dos que participam do processo de educação inclusiva.

A inclusão dos surdos é vivenciada pelos jovens nas escolas, tornando-se uma realidade inegável e contínua sendo difundida no contexto educacional, perante isso se pretende fazer uma breve abordagem sobre a inclusão dos surdos e como tal problema vem sendo trabalhado dentro dos educandários, trazendo uma reflexão do papel do educador e da família, com destaque para a história dos surdos, as principais causas da surdez, os diferentes tipos de surdez, a identidade surda.

O que se percebe é que a deficiência auditiva recebida nas escolas dificulta a aprendizagem do aluno deficiente auditivo levando a reflexão sobre questões referentes à educação e a inclusão dos surdos em classe regular, os desafios que aparecem frente a estes dois determinantes e suas influências no processo ensino-aprendizagem.

A inclusão não pode ser responsabilidade única da Educação Especial. Não é uma simples questão do professor de Educação Especial ditar ao professor da classe regular como trabalhar com esse aluno. Se não for desenvolvida uma dinâmica de trabalho integrado, estaremos criando um sistema especial dentro da escola regular, o que não é Educação Inclusiva.

Portanto a escola deve ser um espaço que promova a mudança, que leve adiante uma pedagogia de valor, que esteja voltada e preocupada com a qualidade de seus conteúdos, com a formação de seus professores, realizando uma educação que crie espaços para que as pessoas possam deleitar-se de um futuro melhor.

Os alunos devem ser trabalhados para compreender e aceitar os outros; a reconhecer as necessidades e competências dos colegas; a respeitar todas as pessoas; a construir uma sociedade mais solidária; a desenvolver atitudes de apoio mútuo; a criar e desenvolver laços de amizade; a preparar uma comunidade que apóia todos os seus membros; a diminuir a ansiedade diante das dificuldades, entre outras vantagens.

Toda criança ou adolescente, mesmo que apresente características muito diferentes da maioria, precisa conviver e se desenvolver com sua geração, sendo que o espaço privilegiado para que isto ocorra é a escola. Por isso o ensino fundamental é obrigatório (art.208, I, CF), e o especializado, apenas preferencial na rede regular (art.208, III, CF). (MANTOAN, 2008, p. 20).

Escola inclusiva não necessita de classes especiais. Ou melhor, todas as classes e todos os alunos são muito especiais para seu professor! Tem lugar para todos, não há exigências quanto a acesso, nem mecanismos de seleção ou discriminação de qualquer espécie. É o lugar onde cada aluno pensa, faz e cria, e não do que reproduz, anota e decora, pois cada um pode fazê-lo no seu ritmo, há seu tempo e a seu modo.

A legislação do Brasil prevê a integração do educando com necessidades especiais no sistema regular de ensino. Essa integração, no entanto deve ser um processo individual, sendo necessário para cada um dos casos estabelecer o momento que seja oportuno para que o educando comece a freqüentar a classe comum, com possibilidades de progresso.

A integração do aluno surdo em classe regular, assim como outras integrações, não acontece como um passe de mágica é uma conquista diária, feita através de muito estudo, trabalho e dedicação de todas as pessoas que estejam evolvidas neste processo.

A inclusão de alunos com necessidades especiais em classe regular implica o desenvolvimento de ações adaptativas, visando a flexibilização do currículo para que ele possa ser desenvolvido de maneira efetiva em sala de aula, e atender as necessidades individuais de todos os alunos. (VALLE, 2003, p.46)

Para que se atinja progresso neste tipo de integração é importante a estimulação precoce da criança, que nasce ou se torna surda, mas um dos entraves é que nem todos os surdos são beneficiados com estes estímulos, sendo um dos muitos fatores a questão financeira.

Ao dar inicio ao processo de integração escolar do aluno surdo, a escola especial deve oferecer apoio ao educando em turno inverso ao da escola regular e ainda subsidiar o trabalho do professor em classe comum.

O aluno surdo deve freqüentar o sistema regular de ensino porque é um cidadão com os mesmos direitos que qualquer outro. A escola deve dedicar-se também a promover cursos de capacitação de professores, a propiciar estudos de pesquisa na área da surdez, linguagem, para que assim possam subsidiar o trabalho e respeitar as potencialidades dos surdos, objetivando a integração plena desses alunos.

É preciso também ter conhecimento e levar em consideração que a comunidade surda possui identidade, sendo elas:

Política: Carregam consigo a língua de sinais. Aceitam-se como surdos, sabem que são surdos e assumem um comportamento de pessoas surdas. Entram facilmente na política com identidade surda, onde impera a diferença: necessidade de intérpretes, de educação diferenciada, de língua de sinais, etc... A escrita obedece à estrutura da língua de sinais, pode igualar-se a língua escrita, com reservas.

Híbridas: Dependendo da idade em que a surdez chegou, conhecem a estrutura do português falado e o envio ou a captação da mensagem vez ou outra é na forma da língua oral.Assimilam um pouco mais que os outros surdos, tem dificuldade de entendê-la;

Flutuantes: Seguem a representação da identidade ouvinte. Não participam da comunidade surda, associações e lutas políticas. Desconhecem ou rejeitam a presença do intérprete de língua de sinais. Orgulham-se de saber falar "corretamente”.

Embaçadas: Os surdos não conseguem captar a representação da identidade ouvinte. Nem consegue compreender a fala. O surdo não tem condições de usar língua de sinais, não lhe foi ensinada nem teve contato com a mesma. São pessoas vistas como incapacitadas.

Outra questão que não se pode deixar de lado é em relação ao diferentes tipos de surdez, que são classificados em:

Surdez ligeira – perda auditiva de 20 a 40 db:

- A palavra é ouvida, contudo certos elementos fonéticos escapam ao indivíduo.

- A este tipo de surdez não provoca atrasos na aquisição da linguagem.

-Dificuldades em ouvir uma conversa normal.

Surdez média – perda auditiva 40 a 70 db:

- A palavra só é ouvida a uma intensidade muito forte.

- Dificuldades na aquisição da linguagem.

- Perturbação da articulação da palavra e da linguagem.

- Dificuldades em falar ao telefone.

- Processo compensador por leitura labial.

Surdez severa - perda auditiva 70 a 90 db:

- A palavra em tom normal não é percebida

- É necessário gritar para existir sensação auditiva.

- Perturbações diversas na voz e na fonética da palavra.

- Processo intenso de compensação de leitura labial.

Surdez profunda - perda superior a 90 db:

- Nenhuma sensação auditiva.

- Perturbações intensas na fala.

- Dificuldades intensas na aquisição da linguagem oral.

- Adquire facilmente Língua Gestual

De acordo com GONZÁLEZ (2007) que, trás alguns conceitos e dados históricos acerca da experiência em atendimentos educacionais especiais, alunos que necessitam de um atendimento especifico não podem ser considerados incapacitados, considerando que sua dificuldade relaciona-se mais com o meio social e cultural. Assim o autor define que pessoas que necessitam de um processo educacional especifico são aquelas que:

[...] apresentam algum tipo de deficiência física, psíquica ou sensorial ou que estão em risco social ou de desvantagem por fatores de origem social, econômico ou cultural que os impedem de acompanhar o ritmo normal do processo de ensino-aprendizagem. Por meio desses atendimentos especiais pretende-se conseguir o máximo desenvolvimento das possibilidades e capacidades desses alunos, respeitando as diferenças apresentadas ao longo desse processo. (GONZÁLEZ, 2007, p. 19)

Para tanto é necessário que o processo de inclusão venha quebrar barreiras do preconceito, especificamente sociais e culturais que compreendem as pessoas que necessitam de um processo de aprendizagem diferenciado.

Sendo assim, a aprendizagem se efetiva na interação com o outro, na troca de experiências e saberes.

[...] o tipo de escolarização vivenciado nas propostas pedagógicas desenvolvidas, o perfil do professor e o modo como lida com o conhecimento e com os alunos, o tipo de tratamento e expectativa depositada no estudante, as possibilidades de interações com os colegas, as experiências nos planos social, cultural, artístico e corporal promovidos ou impossibilidades pela instituição é um fator importante na definição da natureza do impacto sobre individuo. (REGO, 2002, p.74)

Os professores e demais profissionais que atuam junto ao aluno surdo na escola regular devem ser informados de que, embora ele possa não ter uma linguagem claramente expressa, poderá ter mais chances de integrar-se, se os profissionais, principalmente o professor da classe comum, estiverem atentos para os seguintes itens:

Aceitar o aluno surdo sem rejeição;

Ajudar o surdo a pensar, raciocinar, não lhe dando soluções prontas;

Não manifestar conduta de superproteção;

Tratar o aluno normalmente, como qualquer aluno, sem discriminação ou distinção;

Não ficar de costas para o aluno, ou de lado, quando estiver falando;

Preparar os colegas para recebê-lo naturalmente;

Ao falar, dirigir-se diretamente ao aluno surdo;

Falar com o aluno mais pausadamente;

Verificar se o aparelho de amplificação sonora individual está ligado;

Verificar se ele está atento. O surdo precisa "ler" nos lábios para entender;

Chamar sua atenção, através de um gesto convencional ou de um sinal;

Colocar o aluno nas primeiras cadeiras da fila central;

Utilizar todos os recursos que facilitem sua compreensão;

Utilizar a língua escrita, e se possível, a Língua Brasileira de Sinais;

Estimular o aluno a se expressar oralmente, por escrito e por sinais;

Interrogar e pedir sua ajuda para que possa sentir-se um membro ativo e participante;

Incluir a família em todo o processo educativo;

Avaliar o aluno surdo pela mensagem-comunicação que passa;

Solicitar ajuda da escola especial, sempre que for necessário;

Procurar obter informações atualizadas sobre educação de surdos;

Utilizar se forem necessários, os serviços de intérpretes;

E, principalmente, acreditar de fato nas potencialidades do aluno, observando seu crescimento.

A deficiência existe e é preciso levá-la em consideração. Neste sentido torna-se de grande importância não subestimar as possibilidades, nem as dificuldades.

A integração do aluno surdo é um desafio que deve ser enfrentado com muita determinação, sendo que a decisão de encaminhar um aluno surdo para freqüentar uma classe de ensino regular, deve ser resultado de um criterioso processo de avaliação.

1.3. Inclusão: Um meio de construir escolas para todos.

As pessoas vivem suas vidas em um constante processo de aprendizagem, e o papel da escola é ensinar para a vida, o processo ensino-aprendizagem permite tanto ao educador quanto ao educando trocar experiências, ocasionando assim um constante aprendizado, considerando que a escola o melhor ambiente para as pessoas projetarem seu futuro.

Portanto a escola deve ser um espaço que promova a mudança, que leve adiante uma pedagogia de valor, que esteja voltada e preocupada com a qualidade de seus conteúdos, com a formação de seus professores, realizando uma educação que crie espaços para que as pessoas possam deleitar-se de um futuro melhor.

O papel do educandário é acompanhar esta dinâmica, entendendo o seu fazer diário, refletindo e avaliando constantemente sua prática pedagógica, essas ações estão presentes no cotidiano da escola, tendo como principal objetivo que o aluno compreenda o mundo em que vive, conquiste a autonomia, desenvolva a autoestima e o equilíbrio pessoal, crie vínculos para uma interação social, reconheça o outro respeitando as diversidades culturais, éticas, religiosas, sexuais e sociais, recusando qualquer forma de discriminação ou preconceito, mantenha o interesse pela aprendizagem, fortalecendo a capacidade de aprender a aprender.

O educandário deve proporcionar a todas as crianças o acesso às mais diferentes formas de cultura. Que alfabetize decentemente a criança para que ela se tornasse um cidadão participante. A escola ideal, pura, seria aquela que despertasse a curiosidade absoluta da criança, proporcionasse todas as experiências possíveis do conhecimento e discutisse francamente com seus alunos valores.

A escola inclusiva necessita de uma organização aprendente, tem de ser um sistema aberto, pensante e flexível. Sistema aberto sobre si mesmo, e aberto à comunidade em que se insere, o aluno é um eterno aprendiz, em constante interação com as oportunidades que o mundo oferece e ao longo da vida.

Neste contexto a escola inclusiva precisa atender a todos os alunos portadores de Necessidades Educacionais Especiais, mesmo àqueles que são considerados, preconceituosamente, sem solução. Uma escola direcionada para a comunidade, onde o processo educativo seja entendido como um processo também social, onde todas as crianças com necessidades especiais têm direito à escolarização e à aprendizagem de qualidade, que propicie ao professores de classe comum um suporte técnico; que perceba que as crianças podem aprender juntas, mesmo tendo objetivos e processos diferenciados; que leve os professores a estabelecer formas criativas de atuação com as crianças portadoras de necessidades especiais; que propicie um atendimento integrado para o professor da classe regular, onde as pessoas sejam vistas com um mesmo olhar. Mas não para serem homogeneizadas.

A filosofia da inclusão defende uma educação eficaz para todos, sustentada em que as escolas, enquanto comunidades educativas devem satisfazer as necessidades de todos, sejam quais forem as suas características pessoais, psicológicas ou sociais.

Olhadas com um mesmo olhar de amor, de afeto, de valorização e respeito, para serem reconhecidas no seu valor individual e com suas diferenças. As diferenças que falo aqui não são apenas das pessoas com necessidades especiais, mas também diferenças étnicas, culturais, sociais, econômicas, religiosas, e o que mais se possa imaginar, de todas as pessoas. Uma escola que acolha e valorize essas diferenças, e que saiba aproveitá-las na produção e reconstrução do conhecimento.

Matricular simplesmente uma criança com deficiência em uma classe comum, da escola comum, sem dúvida, é um passo importante na direção certa; mas isto não é Educação Inclusiva. Educação Inclusiva pressupõe que todas as crianças tenham a mesma oportunidade de acesso, de permanência e de aproveitamento na escola, independentemente de qualquer característica peculiar que apresentem ou não. Pensa-se em uma escola que leve isso a efeito, mas para que isto ocorra, é fundamental que as crianças possuidoras de diversidade biológica com impedimentos tenham o apoio de que precisam, isto é, acesso físico, equipamentos para locomoção, comunicação ou outros tipo de suporte. Mas o mais importante de tudo, é que a prática da Educação Inclusiva pressupõe que o professor, a família e a comunidade escolar estejam convencidos de que o objetivo dessa Educação é garantir a todos os alunos, com ou sem impedimentos, a participação ativa em todas as atividades na escola e na comunidade, e também que cada aluno é diferente no seu estilo e ritmo de aprendizagem, e essa diferença é respeitada numa classe inclusiva.

A escola deve ser um lugar onde se entendesse que ser diferente não é ruim. Cada um tem seu valor como é todos têm potencial, onde os alunos com impedimentos não sejam encarados como problemas, por que, de fato, não o são; onde se entende esses alunos como pessoas que apresentam desafios à capacidade dos professores e das escolas para oferecer uma educação para todos, respeitando as necessidades de cada um. Esta escola deve flexibilizar formas de avaliação, tornando-as um estímulo às conquistas dos alunos, tornar conteúdos e atividades de aprendizagem acessíveis a todos os alunos, estimular a aprendizagem cooperativa, inovar nas metodologias, enfim, acolher as pessoas com muito carinho, paciência e compreensão.

Todos os alunos, independentemente da presença ou não de “deficiência”, aprendem: a compreender e aceitar os outros; a reconhecer as necessidades e competências dos colegas; a respeitar todas as pessoas; a construir uma sociedade mais solidária; a desenvolver atitudes de apoio mútuo; a criar e desenvolver laços de amizade; a preparar uma comunidade que apóia todos os seus membros; a diminuir a ansiedade diante das dificuldades, entre outras vantagens.

Escola Inclusiva não existem classes especiais. Ou melhor, todas as classes e todos os alunos são muito especiais para seu professor! Tem lugar para todos, não há exigências quanto a acesso, nem mecanismos de seleção ou discriminação de qualquer espécie. É o lugar onde cada aluno pensa, faz e cria, e não do que reproduz, anota e decora, pois cada um pode fazê-lo no seu ritmo e a seu modo.

1.4. Inclusão, o que podemos fazer?

Nos dias de hoje, a inclusão se constituiu num grande desafio para professores, escola e a sociedade no geral.

Frente a isso se faz necessário considerar a educação como um ponto estratégico para a transformação, pois a sociedade urge a necessidade de uma educação com qualidade, que contribua para a formação, combatendo o preconceito e a discriminação.

Incluir uma “criança especial” na escola regular significa proporcionar a todos os alunos o aprendizado de conviver com a diversidade, sem anulá-la.

A inclusão traz a idéia de igualdade de direitos, principalmente o respeito às diferenças, ao afirmar que independente das necessidades educacionais especiais todas as crianças tem o direito de freqüentar uma escola regular e aprender.

O desafio é grande quando se fala em educação inclusiva, e o professor como mediador deste processo deve estar consciente sobre suas responsabilidades, ser educador é um compromisso sério e muito importante, é necessário doar-se a esse comprometimento, pois a educação é um meio onde podemos promover mudanças na sociedade.

A escola inclusiva deve fornecer subsídios, apoio para capacitar seus profissionais, pois a educação inclusiva é muito complexa, sendo que, a sala de aula deve ser vista como o espaço que possibilita e sustenta o sonho, o desejo, a esperança e a ética, que cria e desenvolve o pensar e que o responsável por esta é o educador.

Nesse contexto a autora faz-se entender que é necessário ter uma equipe de professores e funcionários preparados para lidar com situações inusitadas.

A expectativa do educador não pode ser de que a criança com impedimentos chegue a apresentar comportamentos iguais das crianças tidas como “normais”, seu trabalho vai, no entanto, no sentido de apoiar esta criança para que ela desenvolva formas de ação que englobem campos comuns de significado com outras crianças.

A educação inclusiva tem como maior objetivo, e talvez, sua maior barreira também, a de, além de promover a integração, proporcionar a todos, uma educação de qualidade.

A inclusão implica em uma transformação considerável no espaço escolar. Implica quebrar e vencer paradigmas, buscar atender a diversidade humana com a ajuda de recursos materiais, humanos e financeiros.

O importante, no processo inclusivo é perceber que a diversidade não é o problema, pelo contrário, é perceber que é uma oportunidade de enriquecimento individual, social e de ensino-aprendizagem.

Nesse contexto a escola deve ser o espaço de todos e para todos, espaço que atenda e entenda a diversidade humana, visando à inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais na busca de superar seus próprios limites, assim, a escola e a sociedade poderão descobrir suas potencialidades, tornando a educação inclusiva promotora no desenvolvimento humano.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O atual contexto pode ser caracterizado por radicais transformações desenvolvidas históricamente em diversos aspectos-políticos, sociais, econômicos, culturais, as quais estão diretamente ligadas aos avanços científicos e tecnológicos. Este momento contextual no qual vivemos, marcado por constantes mudanças, onde a tecnologia tem crescente avanço, demanda da educação, de um modo geral, uma maior aproximação da realidade, exigindo assim, da escola novas formas de pensar e de agir frente às necessidades, exigências e potencialidades traçadas por tais avanços e mudanças. O papel da escola seria o de companhar esta dinâmica, entendendo o seu fazer diário, refletindo e avaliando constantemente sua prática pedagógica. A tarefa da escola, ao incluir o diverso, é possibilitar apropriações de dimensões básicas do desenvolvimento da espécie humana, como o desenvolvimento da função simbólica, o desenvolvimento da oralidade, a utilização de formas do pensamento como a classificação, a generalização, a correspondência. É indispensável que os estabelecimentos de ensino eliminem barreiras arquitetônicas e adotem práticas de ensino adequado às diferenças dos alunos em geral, oferecendo alternativas que contemplem a diversidade, além de recursos de ensino e equipamentos especializados que atendam a todas as necessidades educacionais dos educandos, com ou sem deficiência, mas sem discriminações. Frente a isso a inclusão tem sido um tema bastante discutido. Crianças que antes eram excluídas da escola regular e colocadas em instituições para deficientes, agora têm o direito, garantido por lei, à educação em escola regular, esta freqüentada antes apenas por crianças tidas como “normais”. A concretização da inclusão exige do sistema escolar a superação de vários desafios tais como: novas didáticas, capacitação dos educadores, e os alunos e familiares, estes passando por uma formação voltada para o processo de inclusão, onde possam aceitar as diferenças para assim evitar a exclusão e o preconceito, que são dois fatores que ainda precisam ser superados. Se pararmos para analisar nosso meio, verificamos que todos nós possuímos características diferentes, alguns se sobressaem em determinadas áreas e apresentam dificuldades em outras, e com o aluno especial não é diferente, e isso precisa ser respeitado e levado em conta na hora da aprendizagem e no processo inclusivo.

A inclusão não se limita apenas em colocar a criança com deficiência educacional dentro da escola, mas dar condições para que ela possa interagir, pois de nada adiantaria ter crianças incluídas na sala de aula e ao mesmo tempo excluídas no próprio ambiente escolar.É importante ressaltar que inclusão não significa tratar todos iguais, anular as diferenças, sendo que, a diversidade é um fator importantíssimo e extremamente enriquecedor para a aprendizagem num todo. Todo mundo ganha com a Inclusão de alunos com necessidades especiais na escola regular, os alunos com alguma “deficiência” (não uso esta palavra com sentido pejorativo) aprendem: melhor e mais rapidamente, pois encontram modelos positivos nos colegas; que podem contar com a ajuda e também podem ajudar os colegas; a lidar com suas dificuldades e a conviver com as demais crianças. Os alunos sem “deficiência”, os ditos “normais” aprendem: a lidar com as diferenças individuais; a respeitar os “limites” do outro; a partilhar processos de aprendizagem. Somente pode-se pensar em inclusão a partir do momento em que a sociedade e o ambiente escolar não mais fizerem distinção entre os seres humanos, pensando que a escola é aquela que educa de uma mesma forma todos os alunos, independente de serem ou não portadores de necessidades especiais, partindo do princípio de que todas as crianças podem aprender, respeitando e reconhecendo as diferenças.

REFERÊNCIAS

REGO, T. C. Configurações Sociais e Singularidades: O impacto da escola na constituição dos sujeitos. São Paulo. Moderna, 2002.

SOUZA, E. G. de. Surdez e Significado Social. São Paulo. Cordez, 1982.

VALLE, B. B. R. Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino Fundamental. Apostila do IESDE. Curitiba, 2003.

SKLIAR, Carlos (org.) A Surdez: um olhar sobre as diferenças. Editora Mediação. Porto Alegre,1998.

GONZÁLEZ, Eugênio. Necessidades educacionais especificas. Porto Alegre, Artmed, 2007.

MANTOAN, Maria Teresa Égler. O desafio das diferenças nas escolas. Rio de Janeiro, Vozes. 2008.

1Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva Clinica do Centro Sul - Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-graduação.

2 Orientador do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva Clinica, do Centro Sul Brasileiro de Pesquisa Extensão e Pós-Graduação.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA


Sâmia Elyyan Ali El Naji[1]

Ibrahim Georges Cecyn Moussa[2]

RESUMO

Este artigo tem como tema “A aprendizagem da Matemática” e pretende mostrar que a Matemática é uma das ferramentas mais importantes da nossa sociedade moderna, e que apropriando-se dos conceitos e dos procedimentos matemáticos básicos, o cidadão se engajará no mundo do trabalho, das relações culturais, sociais e políticas, pois é necessário nos dias de hoje interpretar, organizar e analisar criticamente informações. É importante conhecer e aprofundar os conhecimentos teóricos através da prática diária e no contexto da sala de aula. O educador que busca a constante qualificação de sua intervenção pedagógica é forçado a reavaliar seus métodos e atitudes em função do desempenho de seus alunos na totalidade das situações a que estão expostos tanto na escola como fora dela. O professor de matemática, obrigatoriamente, deve atentar para o fato de que o que ensina se reflete diretamente na construção do pensamento lógico dos alunos, bem como na forma pela qual se apropriam dos signos operatórios em cada fase do desenvolvimento biológico, psicológico e social. Circunstancialmente convive com formas de trabalho escolar problematizadoras as quais, conforme a sua natureza, são capazes de favorecer ou de comprometer o processo de construção desse pensamento. Orientado por uma dimensão teórica, o professor deve ir além, dimensionando o seu trabalho no nível de construir novos princípios, novas possibilidades para oportunizar sempre mais e melhores aprendizagens. Nesse sentido, este trabalho busca realizar uma releitura crítica do que ocorre na sala de aula de matemática no Ensino Fundamental, impulsionando um processo de reinvenção do fazer pedagógico, do compromisso com a reconstrução e a transformação da sociedade a partir da escola, em busca de uma vida mais humana, mais justa e de melhor qualidade, onde a consciência opere as mudanças.

Palavras-chave: Fazer Pedagógico; Educandos; Ensino Fundamental; Conhecimento.

INTRODUÇÃO

A educação se processa por uma série ininterrupta de mudanças profundas, onde o homem vê-se na contínua necessidade de educar-se para a vida. O presente artigo propõe-se a realizar uma explanação acerca dos mecanismos cognitivos, notadamente no desenvolvimento do raciocínio lógico e a aprendizagem da matemática. Considera-se, nesta explanação, o papel dos professores que ensinam matemática, como sendo os mediadores, desde as séries iniciais, do processo da aprendizagem.

A forma pela qual são desenvolvidos os conteúdos de ensino capacita com maior ou menor eficiência o aluno na utilização dos mecanismos adquiridos em situações novas.

Os objetivos deste artigo são: Identificar a importância do desenvolvimento do raciocínio lógico na aprendizagem de matemática, especificamente no Ensino Fundamental; Buscar métodos que facilitem o desenvolvimento do raciocínio lógico, para a compreensão dos conteúdos trabalhados no Ensino Fundamental; Apropriar-se de técnicas, facilitando o processo de construção do conhecimento matemático.

Desta forma, justifica-se o tema proposto, a visualização de dificuldades diversas na compreensão total do conjunto das disciplinas do Ensino Fundamental, dificuldades essas compreendidas como de aprendizagem e de emprego do raciocínio lógico. Visando contribuir efetivamente na diminuição das dificuldades em desenvolver o raciocínio lógico dos alunos, buscando métodos e técnicas para tornar mais fácil a compreensão dos conteúdos, de maneira agradável e dinâmica, para que possam ser aplicados no dia-a-dia, considerando as diferentes estruturas mentais regem as fases do desenvolvimento humano; a importância do raciocínio lógico na compreensão dos conteúdos trabalhados no ensino fundamental; os métodos e técnicas possíveis de uso por parte do professor, a fim de despertar o interesse, a disposição e o raciocínio lógico para a aprendizagem matemática; motivações a serem utilizados para despertar a criatividade, o raciocínio lógico e o gosto pela Matemática.

1. A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

Segundo RANGEL (1992, p. 57), a educação matemática implica educação para o conhecimento, em superação à educação para o conhecimento, em superação à educação para o aprender a fazer. Está comprometida com a formação de sujeitos autônomos, que valorizam as relações de sociedade em oposição ao individualismo, conscientes da importância das trocas com os outros para crescerem modificando a si próprios e a realizar através da ação, cooperação e transformação.

A dimensão lógico-matemática, é na escola, normalmente associada a competência em desenvolver raciocínios dedutivos, “em construir ou acompanhar longas cadeias de raciocínios, em vislumbrar soluções para problemas lógicos e numéricos, em lidar com números ou outros objetos matemáticos”. (SNOLE, 1996, p. 48)

Considerando-se esses aspectos é possível compreender que, contrariamente ao que ocorre na maioria das escolas, a educação matemática no ensino fundamental deveria voltar-se para as necessidades da criança para que esta, a partir de sua ação produtora, construa sua lógica operatória e as estruturas mentais do número e das operações elementares, através da experiência e da superação de conflitos cognitivos. Grandes partes desses conflitos se instauram na dinâmica das relações interpessoais por não estarem estas respaldadas por procedimentos e métodos inadequados.

O processo de ensino na escola, para VYGOTSKY, deve tomar como ponto de partida o nível de desenvolvimento real da criança, fazendo com que ela avance em sua compreensão “a partir dele e tendo como meta etapas posteriores, ainda não alcançadas” (OLIVEIRA, 1997, p. 67) como a situação escolar é um processo permanentemente em movimento, sendo o resultado desejável a transformação, essas devem ser captadas deixando fluir o desempenho do sujeito e interferindo para provocar comportamentos relevantes por parte dele.

Ao enfatizar-se a atividade da criança reafirma-se que a interação social é fundamental ao processo de construção do pensamento, o que leva à necessidade de uma proposta de educação mais abrangente nos aspectos que deva reunir: cooperação, expressão, autonomia, reciprocidade e, no dizer de PIAGET, “um misto de liberdade e direção” (RANGEL, 1992, p. 60) capaz de provocar o desequilíbrio das afirmações para que as hipóteses sejam novamente reelaboradas ou confirmadas.

O processo de construção do conhecimento matemático é uma atividade de comunicação. É importante que a criança tenha oportunidade de comentar a respeito da experiência realizada, registrar as transformações ocorridas, descrever as relações apreendidas, as dificuldades encontradas e suas justificativas. A troca de idéias e a discussão sustentam a dinâmica do processo, através do estímulos recíprocos e do controle mútuo, exercitando o espírito crítico.

Esta posição sobre a importância da intervenção do professor e das próprias crianças no desenvolvimento de cada indivíduo envolvido na situação escolar sugere que a interação social, quando integrado num contexto voltado para a promoção do aprendizado, produz excelentes resultados e proposta tanto por Piaget como por VIGOTSKY, seus efeitos são, além dos já evocados, o aumento da auto-estima, da segurança e da compreensão lógica do mundo.

Nessa perspectiva, encorajada a exprimir suas idéias a respeito das coisas, a criança expõe as hipóteses presentes na sua vivência atual de determinado saber confrontando-as com outras diversas. Gradativamente, dá-se conta da fragilidade e incoerência que podem pontuar suas hipóteses iniciais, estabelece novas coordenações em seu pensamento, até atingir a lógica do adulto. Dá-se a ela, através do “erro construtivo”, a possibilidade de compreender, de construir a aprendizagem por sua própria ação e reflexão.

Nesse ponto, observa-se o ensinamento de Piaget,quando afirma que o desenvolvimento cognitivo relaciona-se com o julgamento moral, concebendo a criança como “capaz de tornar-se, através das interações com os outros, cada vez mais racional no que tange ao julgamento moral”. (RANGEL, 1992, p. 63) Para o teórico, a moral é considerada a lógica da conduta, tanto quanto a lógica operatória é considerada a moral do pensamento.

O grande desafio da educação matemática – como, de resto, da educação em geral – é o de favorecer o desenvolvimento intelectual (desejável) em consonância com o desenvolvimento afetivo-moral (fundamental). Disso depende a conquista da autonomia intelectual, afetiva e moral “com base no exercício das descentrações e nas leis de reciprocidade construídas em suas interações com o meio físico-social e histórico-cultural”. (RANGEL, 1992, p.64)

Fundamentadas no respeito mútuo e na reciprocidade, essas interações e as atividades nelas envolvidas favorecem à criança a tomada de consciência de que sua aprendizagem depende de sua ação ao produzi-la, construindo o conhecimento no “interior”, como fruto do esforço pessoal e das colaborações instauradas na dinâmica da prática pedagógica.

Contudo, em que pese toda a teoria abordada, o ensino de matemática deve garantir o desenvolvimento das estruturas cognitivas “que sustentam a possibilidade do real entendimento do que se pretende ensinar [...] e se relaciona com a capacidade do sujeito agir, criando relações para solucionar os problemas da vida”. (CARRAHER, 1988, p.79) Esse ensino não deve colaborar para o insucesso da criança na escola, dissociando a transmissão de regras e linguagem de signos do desenvolvimento das estruturas da inteligência. Tampouco a matemática deve assumir a função de “separar” os indivíduos, selecionando através de provas e exames os “capazes”, porque assim cumprirá um papel ideológico, seletista e discriminatório de marginalização daqueles que “não levam jeito para a matemática, assumindo que são ‘meio burros’”. (RANGEL, 1992, p.99)

Verifica-se, neste ponto, a importância da concepção que o professor tem de sua função e, principalmente, do que seja o conhecimento e das formas pelas quais uma criança efetivamente aprende.

2. A ATUAÇÃO DO PROFESSOR

O professor deverá ser o mediador do processo ensino-aprendizagem. As atitudes que toma, diante dessa condução, são fundamentais na construção do conhecimento por parte dos alunos.

Tem sido a preocupação principal do professor de matemática a visão de que essa área do conhecimento “é uma ciência, ou seja, um corpo de conhecimentos organizado de modo lógico e explicitado em uma linguagem específica que almeja ser suficientemente objetiva para evitar ambigüidades” (BICUDO, 1990, p.46) como ciência complexa, preocupa-se com os conteúdos a ela pertinentes quando, em sala de aula, percebe que as expectativas, as ocorrências, as insatisfações vão se somando, colocando em cheque a posição do mestre que se encontra em posição de ensinar, porque domina os conteúdos, mas que também é exigido na medida em que é necessário expressá-los, dando sentido àquilo que ensina – um sentido social, histórico e humano.

Assim como o saber matemática não é privilégio do professor nem poderá ser de poucos alunos e devido à multiplicidade dos fatores que interferem no processo de ensino-aprendizagem, a intenção de ensinar deve ser pontuada pela criação de situações-problema, o favorecimento da discussão das soluções encontradas pelos alunos, sistematizando as conclusões expressas pela classe e relacionando a linguagem emergente do grupo com a convencional da matemática.

“Os procedimentos usados nas soluções dos problemas e as conclusões expressas corretos, incorretos ou incompletos revelam o significado que o aluno atribui, num dado momento, a termos enunciados e fórmulas envolvidos na tarefa de ensino que lhe é proposta; os obstáculos epistemológicos que enfrenta e os recursos de que dispõe para o encaminhamento da solução da mesma.” (CARVALHO, 1992, p. 104)

Afirma BRASIL (1997, p. 52), que “a função do professor de matemática é ensinar aos alunos que há sempre possibilidade de se chegar a um objetivo por caminhos diferentes”. Prossegue considerando que, “quando a matemática se formaliza (desprende-se do concreto) é, precisamente, para se tornar mais plástica e aumentar as possibilidades de rodeios possíveis da ação”. (BRASIL, 1997, p.53) O processo de construção dessa “nova” linguagem matemática não pode, contudo, reduzir-se a uma atividade individual, ressaltando as trocas como possibilidades de utilização e domínio da linguagem.

Complementarmente, encontra-se em CARVALHO (1992, p.107) o esclarecimento de que deve “ser colocado o problema da generalização dessa linguagem para além da situação particular da sua origem, assegurando-lhe a possibilidade de se tornar modelo aplicável a outra situação”. Essa generalização deve ser favorecida, mas não imposta.

Relativamente às práticas avaliativas, o professor, nessa ótica, deixa de ser o centralizador da avaliação, para proporcionar ao aluno a participação no julgamento da exatidão de seus procedimentos, hipóteses e conclusões. Esse dimensionamento integra-se em todos os momentos ao processo de produção do conhecimento.

O ambiente favorável ao desenvolvimento da educação matemática deve apresentar duas características básicas:

1. Ser fonte constante de perturbações, isto é, de resistências aos esquemas de assimilação do aluno;

2. Oferecer condições necessárias às reequilibrações, isto é, às novas construções cognitivas.

Um ambiente assim constituído permite e suscita a construção, pelo aluno, do auto controle e o desenvolvimento, também, da responsabilidade social.

Entende-se que a educação tem vivido momentos críticos, sobretudo quando se busca compreender as razões do baixo desempenho dos alunos. BICUDO (1990, p. 32), considera que “para isso contribuem as conseqüências do histórico descaso para com a educação e problemas sociais”. Mais ainda: Quando se trata da matemática, as dificuldades podem também estar vinculadas a questões de limitações intelectuais, disfunções do sistema nervoso central, problemas sócias ou psicológicos mas, na grande maioria das vezes, têm relação direta com causas pedagógicas alheias às capacidades e/ou limitações do aluno.

O desafio que se coloca par ao professor de matemática pode, então, ser definido como o de organizar suas ações incorporando todas as formas de manifestação do aluno e do meio, ocupando-se de parâmetros relativos à sua formação profissional para executar essas ações.

Na escola fundamental, o trabalho com a matemática parece permanecer subjacente, limitado ao treinamento das crianças para responderem corretamente, ao invés de compreenderem a natureza das ações matemáticas. Falta, essencialmente, desenvolver e conservar o prazer da descoberta e o exercício da curiosidade no seu processo de desenvolvimento, a criança “vai criando várias relações entre objetos e situações vivenciadas por ela e, sentindo a necessidade de solucionar um problema, de fazer uma reflexão, estabelece relações cada vez mais complexas que lhe permitirão desenvolver noções matemáticas mais e mais sofisticadas”. (SMOLE, 1996, p.6)

O trabalho com a matemática no Ensino Fundamental não pode ser esporádico, espontaneista e casual – deve ser diário, com propostas e oportunidades que evoquem o uso do que SMOLE (1996, p. 63) classifica como “competência lógico-matemática”, em ligação permanente com as demais componentes do espectro (aqui entendido como o contexto global do ensino, numa relação de complementaridade).

Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento do trabalho teoricamente proposto como “ideal” é a criação de formas práticas de interação que tornem o fazer pedagógico coerente entre esses referenciais teóricos e as respostas da realidade. A interação direta do professor com a criança e destas entre si, em todas as suas implicações, seus objetivos e suas dificuldades, não possui fórmulas prontas – as ideias são trabalhadas, consociando ou modificando-se pela reflexão da prática. É, pois, a análise da própria atividade da criança que proporciona a orientação dos caminhos a seguir para enriquecer sua aprendizagem matemática.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa teórica através de materiais publicados sobre o tema de que trata o presente artigo permitiu destacar que educação deve ser orientada para a autonomia. Sua meta é a formação de indivíduos capazes de interagir, operar no convívio social. Relativamente à educação matemática, infere-se que a atividade de resolver problemas é constante na vida do indivíduo, exigindo soluções. O aprendizado de estratégias, portanto, auxilia o enfrentamento de novas situações. Quando corretamente construídos os conceitos matemáticos, através da estimulação e o despertar da curiosidade com o auxílio de problemas concretos, o professor estará desenvolvendo na criança a capacidade de agir socialmente como sujeito de sua própria história. O melhor critério para organizar, selecionar ou formular esses problemas e privilegiar os que possibilitem ao aluno pensar, raciocinar e gostar de resolvê-los. Além disso, é necessário estimular o aluno a formular, mudar dados, explicar a solução encontrada, discutindo os resultados. Assim como o que se tem observado o fracasso do ensino da matemática ou seu sucesso depende, fundamentalmente, de atitudes positivas do professor em sala de aula, entre elas: criar um ambiente favorável; trabalhar com problemas desafiantes e reais; deixar os alunos criarem seus próprios problemas e estratégias; dar mais ênfase ao processo do que ao produto, isto é, privilegiar o processo utilizado para a resolução do problema, e não a resposta propriamente dita; direcionar a atenção para as informações realmente importantes do problema; não mostrar a resolução, mas deixar o aluno perceber as tentativas e as estratégias; encorajar a criatividade, na qual a formalização vem depois das tentativas de solução; desenvolver a auto-estima e a confiança; avaliar a aprendizagem junto com o aluno e discutir os erros e os porquês. Assim sendo, o professor de matemática, através de uma prática docente baseada na liberdade, no respeito e no compromisso com a formação integral das pessoas a quem ensina, esforça-se por desenvolver neles estruturas e mecanismos capazes, por si, de instrumentalizá-lo no contexto do conhecimento humano do mundo e da importância de sua ação na sociedade na qual vive. O processo de ação-reflexão proposto pelo desenvolvimento do raciocínio lógico torna o aluno capaz de atribuir significado ao mundo e às suas experiências, construindo-se como pessoa e ampliando todas as suas possibilidades e as possibilidades do seu tempo.

REFERÊNCIAS

BICUDO, Maria Aparecida. Educação Matemática. São Paulo. Moraes, 1990.

BRASIL, Luiz Alberto S. Aplicações da Teoria de Piaget ao Ensino de Matemática. Rio de Janeiro. Forense-Universitária,1997.

CARRAHER, Terezinha Nunes. Aprender Pensando. Petrópolis. Vozes,1988.

CARVALHO, Dione Luchesi de. Metodologia do Ensino de Matemática. São

Paulo: Cortez, 1992.

OLIVEIRA, Marta Kolil de, VIGOTSKI- Aprendizado e Desenvolvimento: um processo Sócio-histórico. São Paulo. Scipione, 1997.

RANGEL,Ana S. EducaçãoMatemática e a Construção do Número pela Criança- uma Experiência em diferentes contextos sócios-econômicos. Porto Alegre. Artes Médicas 1992.

SMOLE, Kátia Cristiano Stocco. A Matemática na Educação Infantil. Porto

Alegre: Artes Médicas, 1996.



[1]Acadêmica do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva , do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – Censupeg.

[2] Orientador do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, do Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação – CENSUPEG.

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